thumb|right|225x225px|Bandeira da OTAN A saída da OTAN é o processo jurídico e político pelo qual um Estado-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) se retira do Tratado do Atlântico Norte e, consequentemente, deixa de integrar a organização. O procedimento formal está previsto no artigo 13 do Tratado. Segundo a disposição, qualquer país que deseje sair deve enviar aos Estados Unidos, na qualidade de Estado depositário, uma "notificação de denúncia", que os Estados Unidos então comunicariam aos demais aliados. Após um período de espera de um ano, o país deixa formalmente a organização.

Até , nenhum Estado-membro denunciou sua participação, embora essa possibilidade tenha sido considerada por vários países. Apesar disso, diversas antigas dependências de membros da OTAN nunca solicitaram adesão depois de se tornarem Estados independentes.

Procedimento

O artigo 13 do Tratado do Atlântico Norte é a disposição utilizada pelos Estados-membros para informar aos demais membros ou partes que desejam deixar a Organização do Tratado do Atlântico Norte. O artigo estabelece:

Após o Tratado estar em vigor por vinte anos, qualquer Parte poderá deixar de ser Parte um ano após a entrega de sua notificação de denúncia ao Governo dos Estados Unidos da América, que informará os Governos das demais Partes sobre o depósito de cada notificação de denúncia.

Isso significa que, passados vinte anos desde a assinatura do tratado original, em 1949 — portanto, desde 1969 —, qualquer Estado-membro que deseje sair precisa informar os Estados Unidos de sua intenção e, após um ano, deixa formalmente a organização.

Retiradas consideradas Bulgária O partido de extrema-direita Reavivamento apoia a retirada da Bulgária da OTAN.

Canadá O Canadá é membro fundador da OTAN e continua a integrar a organização. Em 2019, o Partido Verde do Canadá defendeu uma revisão da participação canadense na aliança. A posição do social-democrata Novo Partido Democrático é complexa; embora exista apoio geral à permanência na OTAN dentro do partido, inclusive por parte de antigos líderes como Jack Layton e Tom Mulcair, o Caucus Socialista do NPD defende a revogação da participação canadense. Entre os motivos de oposição à participação na aliança estão a percepção de incompatibilidade com a tradição canadense de manutenção da paz e preocupações com a soberania do Canadá sobre suas forças de defesa.

Em 2022, o consenso político canadense era favorável à participação na OTAN como parte da política de defesa nacional. Entre os partidos com representação no Parlamento do Canadá que apoiam a permanência estão o governista Partido Liberal do Canadá, o oposicionista Partido Conservador do Canadá, e o soberanista quebequense Bloco Quebequense.

Dinamarca A Aliança Vermelha e Verde, de extrema-esquerda, apoiou até 2022 a retirada da OTAN. Posteriormente, o partido adotou uma posição de abordagem crítica à organização, mas deixou de apoiar a retirada enquanto não existir uma "alternativa".

França Em 1966, devido à deterioração das relações entre Washington e Paris, causada pela recusa em integrar a dissuasão nuclear francesa às demais potências do Atlântico Norte ou em aceitar qualquer forma coletiva de controle sobre suas forças armadas, o presidente francês Charles de Gaulle reduziu o nível de participação da França na OTAN e retirou o país da estrutura militar integrada da organização, buscando opções de defesa mais independentes. Contudo, ele também declarou que a França permaneceria na aliança mesmo após o término, em 1969, do período de compromisso de vinte anos, a menos que os "elementos fundamentais das relações entre Leste e Oeste" mudassem.

Em 1967, após a decisão de De Gaulle, todas as cerca de trinta bases da OTAN na França, ocupadas principalmente por forças dos Estados Unidos, foram evacuadas, juntamente com 27 mil militares e 37 mil civis.Paul-Marie de La Gorce, "Retour honteux de la France dans l'OTAN [archive]," Le Monde diplomatique, January 1996. A sede da OTAN deixou Yvelines e foi transferida para a Bélgica.

Em 2009, a França voltou a participar da estrutura militar integrada da OTAN. A reversão foi anunciada pelo presidente Nicolas Sarkozy e apoiada pelo Parlamento francês.

Atualmente, entre os partidos políticos relevantes da França, defendem a retirada da OTAN a soberanista União Popular Republicana,Schrepf, Jerôme. "Villeneuve-sur-lot. L'UPR entre conquête et résistance", LaDépêche.fr, 24 May 2013. Retrieved on 1 October 2013 a esquerdista França Insubmissa e o Partido Comunista Francês, de extrema-esquerda. O gaullista de direita Levantar a França e o nacionalista Reagrupamento Nacional defendem reverter a decisão de 2009 de reintegrar a França ao comando da OTAN. Em uma pesquisa de julho de 2024, 54% dos franceses tinham uma opinião favorável da OTAN, enquanto 37% tinham opinião desfavorável.

Alemanha Durante as negociações que levaram à reunificação alemã, a União Soviética procurou fazer com que a união da Alemanha Ocidental, integrante da OTAN, com a Alemanha Oriental, integrante do Pacto de Varsóvia, resultasse em neutralidade e desnuclearização.

No entanto, o chanceler da Alemanha Ocidental Helmut Kohl e o presidente dos Estados Unidos George H. W. Bush desejavam que a Alemanha reunificada permanecesse na OTAN, apesar do considerável ceticismo entre alemães ocidentais quanto à permanência na organização após a reunificação — apoio que teria chegado a apenas 20%, segundo uma reportagem da Der Spiegel. Mikhail Gorbatchov acabou retirando a objeção soviética, e os novos territórios orientais da Alemanha passaram a ser cobertos pela OTAN, sob a condição de que forças estrangeiras ou armas de destruição em massa não fossem estacionadas neles.

O partido de esquerda A Esquerda se opõe a alianças militares, inclusive à participação na OTAN.

Grécia Em 1974, devido à crise de Chipre, a Grécia retirou unidades militares das forças da OTAN no sul do Mediterrâneo diante de ameaças de invasão de Chipre pela Turquia, também membro da organização. Mais tarde, ainda em 1974, em razão da invasão de Chipre por forças turcas, a Grécia retirou-se do comando militar da OTAN. Apesar disso, o país não deixou completamente a organização, mas tornou-se significativamente menos ativo.

Em 1980, o ministro das Relações Exteriores da Grécia, Konstantínos Mitsotákis, fez declarações nas quais admitia uma possível retirada completa da Grécia da organização. Posteriormente, contudo, a pressão diplomática dos Estados Unidos levou à reintegração plena da Grécia à aliança.

Segundo uma pesquisa realizada em 2022, a OTAN permanecia popular entre o público grego: 78% desejavam permanecer na aliança e apenas 18% queriam sair.

Islândia A Islândia é singular entre os membros da OTAN por não possuir um exército permanente; suas forças de defesa consistem em uma guarda costeira militarizada e uma força paramilitar de manutenção da paz. A forte tradição pacifista islandesa levou a uma oposição considerável à participação na OTAN. Apesar disso, o país abrigou a importante base naval dos Estados Unidos no aeroporto de Keflavík, próximo à capital, Reiquiavique.

O principal grupo de pressão apartidário do país favorável à saída da Islândia da OTAN é o Samtök hernaðarandstæðinga, uma seção da War Resisters' International.

Em 2019, durante uma visita do secretário-geral Jens Stoltenberg à Islândia, a primeira-ministra Katrín Jakobsdóttir declarou apoiar a retirada do país da OTAN. Seu partido, o Movimento de Esquerda Verde, era o principal parceiro do governo islandês e também apoiava a saída, mas não havia maioria no parlamento islandês a favor da medida. Em maio de 2022, ela continuava contrária à participação da Islândia na OTAN.

Uma pesquisa da Gallup realizada em abril de 2025 mostrou que 71% dos islandeses apoiavam a participação do país na OTAN, enquanto 12% se opunham.

Montenegro Vários partidos políticos de Montenegro, entre eles a Nova Democracia Sérvia e o Partido Popular Democrático, se opõem à participação na OTAN. As eleições parlamentares montenegrinas de 2020 resultaram na vitória desses partidos pela primeira vez em trinta anos. Contudo, eles não buscaram formalmente a retirada após assumirem o poder.

Macedônia do Norte O partido de esquerda Levica apoia a retirada da Macedônia do Norte da OTAN.

Países Baixos O consenso neerlandês sobre política externa e de defesa é favorável à permanência na aliança. A participação é apoiada pelos cinco principais partidos tradicionais nos Estados Gerais dos Países Baixos: o liberal-conservador Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD), o social-democrata Partido do Trabalho (PvdA), o democrata-cristão Apelo Democrata-Cristão (CDA), o populista de direita Partido pela Liberdade (PVV) e o social-liberal Democratas 66 (D66). Outros partidos apoiam a permanência, mas desejam reformar a aliança, como a Esquerda Verde.

Embora o populista de extrema-direita Fórum pela Democracia apoie a participação na OTAN, o programa investigativo Zembla informou que, em privado, o líder do partido, Thierry Baudet, desejaria que os Países Baixos deixassem a OTAN e alinhassem sua política externa à Rússia.

Romênia Alguns pequenos partidos políticos da Romênia se opõem à participação do país na OTAN. Um deles é a Nova Direita, que também se opõe à União Europeia.

Espanha A aliança eleitoral de esquerda Unidas Podemos apoiava a retirada da Espanha da OTAN.

Eslováquia O partido de extrema-direita Movimento República defende a retirada da Eslováquia da OTAN.

Turquia Desde a tentativa de golpe de Estado de 2016, a ofensiva turca de 2019 no nordeste da Síria, a deterioração das relações entre Turquia e Estados Unidos, a deterioração das relações entre Grécia e Turquia, o aquecimento das relações entre Turquia e Rússia e a oposição à entrada da Finlândia e da Suécia em 2022, que provocou atrasos na adesão desses países, surgiram apelos para que a Turquia deixasse ou fosse expulsa da OTAN.

Na Turquia, políticos como o líder do Partido de Ação Nacionalista (MHP), Devlet Bahçeli, sugeriram que a saída da OTAN deveria ser considerada uma opção. Em maio de 2022, o líder da oposição Kemal Kılıçdaroğlu afirmou que, se o Partido da Justiça e Desenvolvimento e o Partido de Ação Nacionalista decidissem fechar a Base aérea de İncirlik à OTAN, o Partido Republicano do Povo também apoiaria a medida.

Reino Unido O consenso estabelecido da política externa e de defesa do Reino Unido inclui a participação plena na OTAN. A permanência é apoiada pelos dois principais partidos britânicos — o Partido Conservador e o Partido Trabalhista — e pelos Liberais Democratas.

Entre os partidos com representação na Câmara dos Comuns do Reino Unido, inicialmente apenas o Partido Verde da Inglaterra e do País de Gales era contrário à participação na OTAN e defendia a saída da aliança. Isso mudou durante a conferência de primavera do partido em 2023, quando foi aprovada uma moção que abandonou a oposição à OTAN. A mudança ocorreu durante uma revisão das políticas de segurança e defesa do partido, à luz da invasão da Ucrânia pela Rússia. Ainda assim, há parlamentares individualmente favoráveis à retirada britânica, como Jeremy Corbyn.

Em outubro de 2017, a ala jovem do Partido Trabalhista, Young Labour, aprovou em sua conferência anual uma moção pedindo a retirada britânica da OTAN, classificando a organização como instrumento do imperialismo americano. A organização reafirmou sua posição favorável à retirada durante a invasão russa da Ucrânia em 2022, por meio do Twitter. O apoio à OTAN é elevado no Reino Unido: uma pesquisa de 2017 indicou que 62% dos britânicos tinham uma opinião favorável sobre a organização, contra 19% com opinião desfavorável.