José Alexandre de Souza Crippa é um médico psiquiatra e psicofarmacólogo brasileiro, professor titular do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). É conhecido pelos ensaios clínicos e estudos de neuroimagem sobre os efeitos do canabidiol em transtornos de ansiedade, e figura entre os dez pesquisadores mais produtivos do mundo nesse campo.

Formação Crippa graduou-se em medicina pela Universidade Federal do Paraná em 1994 e fez residência médica no Hospital das Clínicas da FMRP-USP entre 1995 e 1998. Doutorou-se em 2001 na mesma faculdade, sob orientação de Antonio Waldo Zuardi, com tese sobre responsividade eletrodérmica e suas correlações com alterações estruturais e déficits cognitivos em pacientes com esquizofrenia.

Entre 2002 e 2003 realizou pós-doutorado em neuroimagem no Institute of Psychiatry do King's College de Londres, sob supervisão de Philip McGuire, período em que estudou os efeitos do canabidiol sobre o fluxo sanguíneo cerebral regional. Obteve a livre-docência na FMRP-USP em 2012, com tese sobre uma abordagem translacional do transtorno de ansiedade social, e é professor titular desde 2016.

Carreira Docente da USP desde 1998, Crippa chefiou o Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da FMRP-USP e coordenou serviços de ansiedade, psicogeriatria e interconsulta em saúde mental no Hospital das Clínicas da faculdade. É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq no nível 1A.

Integra a coordenação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Translacional em Medicina (INCT-TM), descrito em 2017 como vice-coordenador e, em 2020, como um dos coordenadores do instituto, ao lado de Jaime Hallak.

Pesquisa Em 2004, Crippa publicou na Neuropsychopharmacology o primeiro estudo de neuroimagem sobre os efeitos do canabidiol no fluxo sanguíneo cerebral regional em seres humanos. Em 2011, dois trabalhos do grupo de Ribeirão Preto ampliaram a evidência clínica: um ensaio mostrou que uma dose única de 600 mg de canabidiol reduziu a ansiedade induzida por falar em público simulado em pacientes com fobia social sem tratamento prévio, e outro descreveu as bases neurais desse efeito no transtorno de ansiedade social por meio de SPECT.

Participou também de ensaios sobre canabidiol na psicose associada à doença de Parkinson e, em 2021, coordenou ensaio clínico randomizado publicado na JAMA Network Open sobre o uso de canabidiol associado ao cuidado padrão no tratamento da exaustão emocional e do burnout em profissionais de saúde da linha de frente durante a pandemia de COVID-19.

Integrou a equipe da USP que desenvolveu, em parceria com o laboratório Prati-Donaduzzi, o primeiro produto à base de canabidiol formulado no Brasil, registrado pela Anvisa em abril de 2020. Em 2023 organizou, com Francisco Silveira Guimarães, Zuardi e José Diogo Ribeiro de Souza, o livro Canabidiol na Medicina: da pesquisa à prática clínica, finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico de 2024 na categoria Medicina.

Produção científica Levantamento bibliométrico sobre a produção mundial em canabidiol entre 1940 e 2019, publicado na Current Pharmaceutical Biotechnology, situou Crippa entre os dez autores mais produtivos do mundo no tema; no mesmo levantamento, a USP aparece como a instituição de maior produção científica mundial na área. Seu perfil no Google Acadêmico registrava, em agosto de 2026, cerca de 39,6 mil citações e índice h de 103.

Em 2019, durante a conferência da International Association for Cannabinoid Medicines (IACM), em Berlim, recebeu prêmio da associação pela contribuição de carreira à pesquisa clínica com canabinoides.

Ver também Antonio Waldo Zuardi Canabidiol Elisaldo Carlini

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