As greves nas universidades estaduais paulistas em 2026 foram uma série de mobilizações de estudantes, docentes e trabalhadores técnico-administrativos da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). As mobilizações estudantis tiveram início na USP em 14 de abril e, durante o mês de maio, expandiram-se para cursos da Unicamp e da Unesp. O movimento estudantil reivindicava, entre outros pontos, maior investimento em permanência, contratação de docentes e servidores e ampliação do orçamento destinado à educação pública. Paralelamente, a pauta unificada das entidades reunidas no Fórum das Seis incluía recomposição salarial, melhorias nas condições de trabalho e estudo, permanência estudantil e financiamento das universidades estaduais paulistas.

No auge da mobilização estudantil, em maio, 264 cursos das três instituições estavam em greve, dos quais 130 eram da USP, 65 da Unicamp e 69 da Unesp. Paralelamente às mobilizações estudantis, a campanha salarial dos docentes e trabalhadores técnico-administrativos das três universidades era negociada entre o Fórum das Seis e o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Em 4 de maio, o Cruesp apresentou ao Fórum das Seis uma proposta inicial de reajuste salarial de 3,47% para docentes e servidores técnico-administrativos da USP, da Unesp e da Unicamp.

Antecedentes

Na USP Na USP, as mobilizações de abril tiveram início em meio a um conflito entre trabalhadores técnico-administrativos e a Reitoria em torno da criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (GACE). Em 31 de março de 2026, o Conselho Universitário da USP aprovou a criação da gratificação milionária. A reunião do conselho foi repleta de intervenções de trabalhadores e estudantes contra a política.

A servidora Neli enfatizou: "Esse projeto semeia a divisão, a desigualdade, no momento em que esta Universidade está sendo atacada pelo governo, pela extrema direita. Em vez de a gente ter aqui tratamento igual para unificar essa comunidade, os três segmentos, estamos tendo uma divisão" Ata da 1052º Sessão do Conselho Universitário da USP, 31 de março de 2026. Disponivel em: https://secretaria.webhostusp.sti.usp.br/?page_id=14525, pois a GACE visava uma bonificação exclusiva para um setor da USP. A medida previa um pagamento adicional de R$ 4.500 mensais a docentes que assumissem projetos considerados estratégicos pela universidade, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão. Apenas docentes em regime de dedicação integral poderiam receber a gratificação. A medida teria impacto anual estimado em R$ 238,44 milhões nos cofres da universidade.

A representação discente também colocou suas insatisfações sobre a política votada na 1052º sessão do Conselho Universitário (CO), o estudante Charlon Fernandes alertou:

miniaturadaimagem|Assembleia dos trabalhadores da USP no Auditório da FFLCH, 9 de abril de 2026 Após o Conselho Universitário houve um Conselho de Centros Acadêmicos (CCA), espaço de reunião organizado pelo DCE Livre da USP com os Centros e Diretórios Acadêmicos, coletivos e nos seus encaminhamentos foi tirado uma paralisão para o dia 14 de abril, dia previsto para a deflagração da greve dos trabalhadores, indicado antes da Sessão do Conselho. Nesse espaço, as entidades de base colocaram suas demandas,

A criação da Gace foi criticada pelos trabalhadores técnico-administrativos, que afirmavam que suas próprias reivindicações de valorização estavam sendo negligenciadas. O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) reivindicava tratamento isonômico entre funcionários e docentes, além de um reajuste fixo de R$ 1.200 nos salários e da recomposição das perdas inflacionárias acumuladas desde 2012. Os trabalhadores técnico-administrativos iniciaram uma greve em 14 de abril. No mesmo dia, estudantes realizaram uma paralisação que reuniu representantes de mais de 100 cursos da universidade.

As demandas estudantis perpassavam por diversos pontos, os temas insidiam principalmente sobre a questão de inclusão e pertencimento, como por exemplo a autonomia dos espaços estudantis, as condições dos Restaurantes Universitários, transporte público, os programas de apoio, as políticas de inclusão, representação estudantil e democracia universitária. Para além dos temas de permanência com as moradias universitárias e o debate sobre cotas trans, vestibular índigena e cotas para pessoas com deficiência (PCD). Para além de suas pautas de cada localidade.

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