Sade ibne Xumais ibne Tauque Aljurmi () foi um árabe jarmita da Jailia, pertencente aos cudaaítas, conhecido por seu papel nas tradições sobre as origens da Guerra de Albaçus.

Vida

Sade era oriundo da tribo dos jarmitas, por sua vez um ramo dos cudaaítas. A data de seu nascimento é desconhecida. Em data incerta, hospedou-se junto de Albaçus binte Munquide, tia do xaibanita Jassas ibne Murra, sob cuja proteção se encontrava. Sade era, segundo a versão preservada por Ibne Alatir e reproduzida por Nicholson, proprietário de uma camela chamada Sarabi, cujo ferimento por Culaibe ibne Rebia constituiu o incidente imediatamente anterior ao assassinato deste e à eclosão da Guerra de Albaçus. Outras versões da tradição divergiam quanto à propriedade do animal, atribuindo-o à própria Albaçus ou, de maneira menos específica, a um de seus protegidos. Segundo a narrativa preservada por Ibne Alatir, Sade chegou à residência de Albaçus com Sarabi, que passou a pastar juntamente com as camelas de Jassas. Quando Culaibe encontrou o animal entre elas e perguntou a quem pertencia, Jassas respondeu que era a camela de seu protegido, o jarmita. Culaibe ordenou que ela não voltasse às pastagens que havia reservado, mas Jassas declarou que Sarabi acompanharia seus próprios animais onde quer que estes pastassem. Culaibe ameaçou então atravessar-lhe o úbere com uma flecha caso voltasse a encontrá-la, ao que Jassas respondeu que, se isso acontecesse, atravessaria com a ponta de sua lança o peito de Culaibe. Nicholson preserva a mesma sequência em linhas gerais, acrescentando que Culaibe havia inicialmente encontrado vestígios de uma camela desconhecida em seu território e posteriormente reconheceu Sarabi entre os animais de Jassas.

Posteriormente, Culaibe encontrou novamente Sarabi entre os animais e cumpriu sua ameaça, atingindo-lhe o úbere com uma flecha. Ferida, a camela retornou ao acampamento, e Sade, ao ver o estado do animal, lamentou publicamente a humilhação sofrida. Albaçus ouviu os gritos de seu protegido, saiu para encontrá-lo e, ao ver Sarabi, também lamentou a afronta, enquanto Jassas presenciava a cena. Segundo Nicholson, Albaçus dirigiu então versos a Sade nos quais lamentava a perda da segurança de que anteriormente desfrutara e apresentava o ocorrido como demonstração de que aqueles acolhidos pelo grupo já não recebiam proteção adequada. A afronta assumia particular gravidade porque a incapacidade de proteger um hóspede era considerada desonrosa segundo os valores de hospitalidade e proteção atribuídos pela tradição à sociedade árabe daquele período. Jassas procurou tranquilizá-los e declarou que mataria em compensação um camelo maior que Sarabi, chamado Galal (Ghallāl), célebre garanhão pertencente a Culaibe; a ameaça, porém, aludia veladamente ao próprio Culaibe. Alguns dias depois, segundo Nicholson, ao descobrir que o cunhado saíra desarmado, Jassas o seguiu e matou. O assassinato desencadeou o prolongado conflito entre os becritas e taglibitas chamado Guerra de Albaçus. A notoriedade adquirida pelo episódio fez com que tanto Albaçus quanto a camela de Sade fossem associadas ao mau agouro: Ibne Alatir registra que os árabes empregavam as expressões «mais funesta que Sarabi» e «mais funesta que Albaçus» como provérbios.

Bibliografia

Categoria:Árabes do século V Categoria:Árabes do século VI Categoria:Jarmitas