O Sapal de Corroios é uma zona húmida situada no concelho do Seixal, na margem sul do estuário do Tejo, constituída por áreas de sapal sujeitas à influência das marés. Os sapais são ecossistemas de transição entre os meios terrestre e aquático, caracterizados por vegetação adaptada à salinidade e à inundação periódica.
A área desempenha um papel relevante no ecossistema estuarino, apresentando uma elevada diversidade biológica e constituindo habitat para numerosas espécies de peixes, moluscos, crustáceos e aves aquáticas, residentes e migratórias. O Sapal de Corroios integra a Reserva Ecológica Nacional e a sua vegetação desempenha igualmente uma função na depuração das águas. Características e ecologia
Durante a vazante, extensas áreas do Sapal de Corroios ficam descobertas, formando esteiros e zonas de águas pouco profundas. A acumulação de matéria orgânica e a presença de fitoplâncton contribuem para uma elevada produtividade biológica e sustentam uma cadeia alimentar diversificada.
Estas condições favorecem a presença e o desenvolvimento de diversas espécies de peixes, moluscos e crustáceos, algumas das quais utilizam estas águas como zona de reprodução e crescimento. A área constitui igualmente local de alimentação e abrigo para aves aquáticas, incluindo espécies migratórias.
A vegetação halófita, adaptada à salinidade e à inundação periódica, possui também capacidade para reter determinados poluentes, nomeadamente metais pesados, azoto e fósforo, contribuindo para a qualidade da água. Flora
A vegetação do Sapal de Corroios desenvolve-se sobre sedimentos aluvionares de natureza limo-lodo-argilosa. Os sistemas radiculares das plantas contribuem para a consolidação desses sedimentos.
Entre as espécies identificadas encontram-se a Spartina maritima, Halimione portulacoides, Juncus maritimus, Sarcocornia fruticosa e Phragmites australis. Fauna
O Sapal de Corroios alberga uma diversidade de fauna associada ao meio estuarino, incluindo peixes, moluscos, crustáceos e numerosas espécies de aves. As zonas de águas pouco profundas e os terrenos descobertos durante a vazante proporcionam áreas de alimentação e abrigo, funcionando igualmente como local de reprodução e crescimento para várias espécies aquáticas.
A avifauna inclui numerosas aves limícolas, residentes e migratórias. Entre as espécies referidas no sapal encontram-se o pernilongo, o alfaiate, o borrelho-grande-de-coleira, a tarambola-cinzenta e o pilrito-comum, além de várias espécies de maçaricos e garças. São também observados corvos-marinhos, colhereiros e flamingos, que utilizam a área para alimentação e repouso durante as suas deslocações.
Proteção e conservação
O Sapal de Corroios integra a Reserva Ecológica Nacional (REN), encontrando-se abrangido pelas disposições de proteção aplicáveis a esta área. A sua importância ambiental está associada à conservação dos habitats estuarinos e à diversidade biológica que alberga.
A evolução do sapal tem sido condicionada pela ocupação humana da área envolvente, nomeadamente pelo crescimento urbano e pelas alterações do uso do solo. Estudos sobre a evolução da área identificaram modificações na extensão e configuração do sapal ao longo da segunda metade do século XX e início do século XXI.
A Câmara Municipal do Seixal e outras entidades locais promovem iniciativas de sensibilização e divulgação ambiental relacionadas com o Sapal de Corroios, incluindo visitas interpretativas e atividades destinadas ao conhecimento da fauna, flora e funcionamento deste espaço natural. Ameaças e pressões ambientais
A proximidade de áreas densamente urbanizadas e a transformação do território envolvente têm exercido pressão sobre o Sapal de Corroios. A expansão urbana e as alterações do uso do solo modificaram progressivamente a área envolvente, verificando-se igualmente intervenções associadas a atividades aquícolas e outras utilizações humanas.
A qualidade ambiental do sapal é também condicionada pela poluição proveniente da área envolvente. Estudos realizados na zona identificaram a presença de metais pesados nos sedimentos e analisaram a capacidade da vegetação halófita para os reter, evidenciando a relação entre a atividade humana e os processos naturais de acumulação e depuração existentes no sapal.
As intervenções relacionadas com projetos de piscicultura deram origem, desde o início da década de 2000, a controvérsia sobre os seus potenciais efeitos ambientais e sobre o enquadramento legal das obras realizadas na área protegida.
Piscicultura
A atividade piscícola no Sapal de Corroios encontra-se documentada desde 1945, inicialmente através de explorações tradicionais com reduzida intervenção humana. Em 1997, a empresa Viveilis — Viveiros de Peixe, Lda. apresentou um projeto de exploração em regime intensivo, abrangendo cerca de 17,3 hectares e prevendo a construção de um reservatório, quinze tanques para engorda de peixe e duas lagoas de sedimentação.
A execução e o licenciamento do projeto deram origem, a partir de 2001, a um prolongado processo administrativo. As obras realizadas no local foram objeto de embargos, tendo sido suscitadas questões relativas ao seu enquadramento na Reserva Ecológica Nacional e à validade das autorizações emitidas. Em 2003, o Governo admitiu a existência de irregularidades no processo de autorização da piscicultura.
O projeto voltou a ser apreciado nos anos seguintes, tendo o processo de licenciamento sido retomado na segunda metade da década de 2000. Em 2008, estava previsto o avanço da exploração piscícola, mantendo-se a contestação de associações ambientalistas quanto aos seus efeitos sobre o sapal e ao respetivo enquadramento ambiental.
Referências
Categoria:Corroios Categoria:Seixal Categoria:Rio Tejo Categoria:Zonas húmidas