Max Cardoso Langer (Pratápolis, 7 de abril de 1973) é um paleontólogo, geólogo, ecólogo e professor brasileiro. É um dos maiores paleontólogos do Brasil, tendo destaque internacional no estudo sobre origem e evolução dos dinossauros e rinossauros, também especialista no Triássico brasileiro. Participou da descoberta de diversas espécies de dinossauromorfos como o Saturnalia tupiniquim e o Nhandumirim waldsangae. É membro da Academia Brasileira de Ciências e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia, sendo atualmente professor da Universidade de São Paulo.
Carreira Nascido em Pratápolis, em Minas Gerais, graduou-se entre 1991 e 1994, em Ecologia pela Universidade Estadual Paulista de Rio Claro (UNESP). Ingressou no mestrado em Geociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob orientação de César Leandro Schultz, entre 1995 e 1996. Dois anos depois, entrou no doutorado em Ciências pela Universidade de Bristol, na Inglaterra, orientado pelo britânico Michael James Benton.
Em seu doutorado, ao lado de pesquisadores como Martha Richter e Michael James Benton, realizou a descrição do dinossauro sauropodomorfo "Saturnalia tupiniquim", um dos dinossauros mais antigos descobertos, que evidenciou o Brasil como o local de origem desse grupo.
Durante os anos 2000, especializou-se em paleontologia do período Triássico, realizando vários estudos ao lado de Jorge Ferigolo e César Schultz, especialmente com dinossauromorfos e rincossauros. Participou da descoberta de duas novas espécies do Triássico brasileiro, além da tartaruga Cambaremys langertoni, que viveu no final do período Cretáceo (66 milhões de anos atrás). Tornou-se referência no estudo da origem, filogenia e evolução inicial dos dinossauros, consolidando seu trabalho com a publicação do artigo científico "Early dinosaurs: a phylogenetic study", em 2006.
Em 2010, ao lado de outros pesquisadores, publicaram os trabalhos científicos "The origin and early evolution of dinosaurs" e "The higher-level phylogeny of Archosauria (Tetrapoda: Diapsida)" que influenciariam fortemente os estudos sobre a origem dos dinossauros e a evolução do grupo Archosauria, trazendo atenção internacional para a ciência brasileira. Nos anos seguintes, realizou pesquisas na Tanzânia e na Venezuela, onde descobriu a espécie de dinossauro Tachiraptor admirabilis (2014). Durante essa época também esteve a frente de pesquisas sobre o Permiano e principalmente o Cretáceo brasileiro, participando da descrição do primeiro ovo de ave fossilizado no Brasil (pertencente ao período Cretáceo). Langer realizou estudos sobre mamíferos do Cenozoico da região sul e nordeste, ele também é referência no estudo de crocodilomorfos e de tartarugas pleurodianas. Em reconhecimento as grandes contribuições de Langer para a ciência e a paleontologia brasileira, foi eleito Membro da Academia Brasileira de Ciências e recebeu o prêmio Sérgio Mezzalira da Sociedade Brasileira de Paleontologia, ainda em 2014.
Ao final dos anos 2010, Langer já havia participado da descrição de importantes 9 espécies de dinossauromorfos e rincossauros que reescreveram a história da evolução desses grupos e da era Mesozoica no sul global, entre eles estão o Sacisaurus, Teyumbaita, Bagualosaurus, Nhandumirim e o Hyperodapedon. Em 2019, esteve a frente da descrição do dinossauro terópode Vespersaurus paranaensis. miniaturadaimagem|Restauração em vida de Gnathovorax cabreirai, uma espécie descoberta por Christian Pacheco, Max Langer e colaboradores.|esquerda
Nos últimos anos, Langer ampliou seus estudos para outros grupos de animais como crustáceos, xenartros e pterossauros e em 2020, participou da descrição do lagarto mais antigo do continente, Neokotus sanfranciscanus. Em 2022, realizou estudo com dinossauros no Uruguai e dois anos depois resultaria na descrição da nova espécie de dinossauro saurópode "Udelartitan celeste". No mesmo ano, em 2024, Langer participou de pesquisas com fósseis da Síria, com a descrição da tartaruga pleurodiana "Siriemys lelunensis".
Atualmente é professor do Departamento de Biologia da Universidade de São Paulo (USP), também é membro do Comitê de Nomeclatura Filogenética dos Estados Unidos. Foi vice-presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia entre 2009 e 2013, assumindo a presidência até 2017.
Lista de espécies identificadas Langer participou da descrição de mais de vinte espécies de répteis e de um mamífero, principalmente de rincossauros, dinossauromorfos (incluindo dinossauros), tartarugas e crocodilomorfos. Suas descobertas desde 1999 trouxeram grandes evidencias para o conhecimento da evolução dos repteis durante a Era Mesozoica, especial a origem dos dinossauros e filogenia dos rincossauros. Também, realizou diversos trabalhos de revisão filogenética.
A seguir, uma lista de espécies descritas por Langer e outros pesquisadores colaboradores:
Saturnalia tupiniquim Langer, Abdala, Richter & Benton, 1999 (Dinosauria: Sauropodomorpha); Hyperodapedon huenei Langer & Schultz, 2000 (Archosauromorpha: Rhynchosauria); Cambaremys langertoni França & Langer, 2005 (Testudines: Pleurodira); Sacisaurus agudoensis Ferigolo & Langer, 2006 (Dinosauromorpha: Silesauridae); Bentonyx sidensis Langer, Montefeltro, Hone, Whatley & Schultz, 2010 (Archosauromorpha: Rhynchosauria); Teyumbaita sulcognathus Montefeltro, Langer & Schultz, 2010 (Archosauromorpha: Rhynchosauria); Decuriasuchus quartacolonia França, Ferigolo & Langer, 2011 (Pseudosuchia: Paracrocodylomorpha); Baurusuchus pachecoi Montefeltro, Larsson & Langer, 2011 (Pseudosuchia: Crocodylomorpha); Batrachomimus pastosbonensis Montefeltro, Larsson, França & Langer, 2013 (Pseudosuchia; Crocodylomorpha); Tachiraptor admirabilis Langer, Rincón, Ramezani, Solórzano & Rauhut, 2014 (Dinosauria: Theropoda); Brasinorhynchus mariantensis Schultz, Langer & Montefeltro, 2016 (Archosauromorpha: Rhynchosauria); Alemoatherium huebneri Martinelli, Eltink, Rosa & Langer, 2017 (Mammalia: Cynodontia); Bagualosaurus agudoensis Pretto, Langer & Schultz, 2018 (Dinosauria: Sauropodomorpha); Nhandumirim waldsangae Marsola, Bittencourt, Butler, Rosa, Sayão & Langer, 2019 (Dinosauria: Sauropodomorpha); Gnathovorax cabreirai Pacheco, Muller, Langer, Pretto, Kerber & Silva, 2019 (Dinosauria: Herrerasauridae); Vespersaurus paranaensis Langer, Martins, Manzig, Ferreira, Marsola, Fortes, Lima, Sant'ana, Vidal, Lorençato & Ezcurra, 2019 (Dinosauria: Theropoda); Amabilis uchoensis Hermanson, Iori, Evers, Langer & Ferreira, 2020 (Testudines: Pleurodira); Neokotus sanfranciscanus Bittencourt, Simões, Caldwell & Langer, 2020 (Lepidosauria: Squamata); Caipirasuchus attenboroughi Ruiz, Bronzati, Ferreira, Martins, Queiroz, Langer & Montefeltro, 2021 (Pseudosuchia: Crocodylomorpha); Aphaurosuchus escharafacies Darlim, Montefeltro & Langer, 2021 (Pseudosuchia: Crocodylomorpha); Aphaurosuchus kaiju Martins, Queioz, Ruiz, Langer & Montefeltro, 2023 (Pseudosuchia: Crocodylomorpha); Udelartitan celeste Soto, Carballido, Langer, Silva Júnior, Montenegro & Perea, 2024 (Dinosauria: Sauropoda); Peltocephalus maturin Ferreira, Nascimento, Cadena, Cozzuol, Pacheco, Rizzutto & Langer, 2024 (Testudines: Pleurodira); Syriemys lelunensis Alhalabi, Neto, Ferreira, Jaoude, Naser, Ayoub, Abboud, Shati, Koutsoukos & Langer, 2025 (Testudines: Pleurodira); Dasosaurus tocantinensis Mayer, Silva Júnior, Kerber, Navarro, Bandeira, Cisneros, Sousa, Pereira, Medeiros, Lindoso, Cavalcanti Neto, Ghilardi, Aureliano, Godoy, Ferreira & Langer, 2026 (Dinosauria: Sauropoda);
Prêmios e homenagens 2014 - Eleito membro da Academia Brasileira de Ciências.
2014 - Prêmio Sérgio Mezzalira - Sociedade Brasileira de Paleontologia.
Ver também
Formação Santa Maria Vespersaurus Saturnalia tupiniquim Rhynchosauria Archosauria
Referências Categoria:Paleontólogos do Brasil Categoria:Geólogos do Brasil Categoria:Professores da Universidade de São Paulo Categoria:Pesquisadores do Brasil