Dia ibne Califa Alcalbi (; m. c. ) foi um companheiro de Maomé, membro dos calbitas. Convertido ao islão antes da Batalha de Badre, participou de diversas campanhas militares desde Uude e destacou-se sobretudo por atuar como emissário diplomático de Maomé junto ao imperador bizantino Heráclio após o Tratado de Hudaibia. A tradição islâmica também o identifica como o companheiro cuja aparência era frequentemente assumida pelo anjo Gabriel ao transmitir revelações ao profeta.
Vida
Dia pertencia aos calbitas, importante tribo do norte da Arábia. Pouco se conhece sobre sua vida antes da Hégira, mas as fontes indicam que se converteu ao islão ainda jovem, antes da Batalha de Badre. Embora não tenha participado desse confronto, integrou o exército muçulmano desde a Batalha de Uude e tomou parte em outras campanhas importantes, chegando posteriormente a comandar uma expedição militar. Após o Tratado de Hudaibia, Maomé organizou uma série de missões diplomáticas destinadas aos governantes dos Estados vizinhos. No início de 628, Dia foi encarregado de levar a carta dirigida ao imperador bizantino Heráclio . Sua missão consistia originalmente em entregar a mensagem ao governador de Bostra, que deveria encaminhá-la ao imperador. Como Heráclio encontrava-se então na Palestina, Dia foi conduzido diretamente à sua presença. Segundo as fontes islâmicas, participou da audiência imperial na qual também esteve presente Abu Sufiane ibne Harbe, convocado por Heráclio para prestar informações sobre Maomé. As fontes bizantinas, entretanto, não registram esse encontro.
Após a audiência, Heráclio confiou a Dia uma carta destinada ao erudito cristão Dagatir, pedindo-lhe que discutisse com ele a mensagem de Maomé. Segundo a tradição islâmica, Dagatir aceitou imediatamente o islão e procurou convencer outros cristãos a fazer o mesmo, sendo morto por seus correligionários. O retorno da missão também foi marcado por dificuldades: ao atravessar a região de Hisma, a caravana de Dia foi atacada por membros da tribo dos judamitas, que a saquearam. Após receber auxílio de muçulmanos da região e recuperar seus bens, Dia comunicou o ocorrido a Maomé, que enviou uma expedição comandada por Zaíde ibne Harita contra os agressores. Dia também se dedicava ao comércio. Algumas tradições afirmam que o versículo 11 da sura al-Jumu'ah foi revelado por ocasião da chegada de uma de suas caravanas a Medina. Ibrahim Yardım observa, porém, que essa interpretação é rejeitada por outros comentaristas, que atribuem a revelação à caravana de Jabir ibne Abedalá.
Segundo numerosos hádices, o anjo Gabriel costumava aparecer a Maomé assumindo a aparência de Dia, circunstância que levava muitos companheiros a acreditar que se tratava realmente dele. Conforme um relato transmitido por Anas ibne Maleque, Dia era considerado um dos homens mais belos entre os companheiros, distinguindo-se pela elevada estatura e pela pele clara. As informações sobre sua vida após a morte de Maomé são escassas. Algumas tradições afirmam que participou da Batalha do Jarmuque como comandante. Depois da conquista da Síria, teria fixado residência no bairro de Almaza, em Damasco, embora outra tradição o situe no Egito. As fontes apenas indicam que permaneceu vivo até o califado de , permitindo estimar sua morte por volta de 670. Dia transmitiu cerca de cinco hádices atribuídos a Maomé, preservados nas principais coleções da tradição islâmica.
Bibliografia
Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Calbitas Categoria:Árabes do século VII