Haquime ibne Hizame Alaçadi (; c. 556/8 – c. ) foi um companheiro de Maomé, comerciante e genealogista pertencente aos açaditas. Sobrinho de Cadija e primo de Azobair ibne Alauame, destacou-se inicialmente como um dos nobres de Meca, participando da vida política e comercial da cidade antes de converter-se ao islão durante a Conquista de Meca, em 630. Antes de sua conversão, manteve estreita amizade com Maomé e ficou conhecido por haver adquirido Zaíde ibne Harita ainda criança e presenteado o escravo à sua tia Cadija, que posteriormente o entregou ao futuro profeta. Apesar de participar de algumas iniciativas dos coraixitas contra os muçulmanos, também auxiliou os membros dos haxemitas durante o boicote imposto ao clã. Após converter-se, participou das campanhas de Hunaine e Taife, notabilizando-se pela generosidade, pela atividade comercial e pela transmissão de hádices. Reconhecido como um dos companheiros mais longevos de Maomé, viveu até o califado de , transmitiu cerca de quarenta hádices e era considerado conhecedor das genealogias das tribos árabes.

Vida

Haquime nasceu alguns anos antes do Ano do Elefante, provavelmente entre 556 e 558, pertencendo ao ramo dos açaditas da tribo dos coraixitas. Era filho de e sobrinho de Cadija, além de primo de Azobair ibne Alauame. Participou ainda jovem das Guerras Sacrílegas, conflito no qual seu pai morreu. Segundo a tradição, recordava-se vividamente do Ano do Elefante, o que levou alguns autores a utilizarem esse episódio como referência para estimar sua idade. Antes da missão profética, Haquime era amigo próximo de Maomé. Ainda nesse período adquiriu Zaíde ibne Harita quando este era criança e o presenteou à sua tia Cadija, que posteriormente o entregou a Maomé. Durante o boicote econômico imposto aos haxemitas, levava secretamente alimentos aos parentes do profeta sitiados no vale de Abu Talibe. Em uma dessas ocasiões foi interceptado por Abu Jal, iniciando-se uma violenta discussão que terminou em confronto físico após a intervenção de em seu favor. Apesar desses gestos, Haquime também participou de algumas deliberações dos coraixitas contra os muçulmanos e esteve entre os nobres reunidos na Dar Anadua na noite em que se planejou o assassinato de Maomé antes da Hégira.

A tradição atribui-lhe, por vezes, o exercício da rifada, encargo de fornecer alimentos aos peregrinos, durante o início da missão profética. Entretanto, Ibrahim Sarıçam considera essa informação improvável, observando que a função era então desempenhada por Abu Talibe. O mesmo autor rejeita igualmente a tradição segundo a qual Haquime teria sido proprietário da Dar Anadua, explicando que sua administração permaneceu hereditariamente nas mãos dos abedadaritas. Embora tenha ingressado excepcionalmente na assembleia da Dar Anadua ainda muito jovem, em razão de sua reputação e capacidade, não há fundamento para lhe atribuir a posse do edifício. Na Batalha de Badre, Haquime integrou o exército dos coraixitas, embora demonstrasse pouca disposição para combater. Acusado de covardia por Uqueba ibne Abi Muaite, Abu Jal e , assumiu o abastecimento das tropas. Ao chegar a Badre, procurou convencer os líderes coraixitas a evitar o confronto e conseguiu obter o apoio de Oteba ibne Rabia, sem, contudo, persuadir Abu Jal. Segundo a tradição, não chegou a participar efetivamente dos combates e regressou a Meca com os sobreviventes, afirmando posteriormente que já pressentia a derrota dos coraixitas e costumando jurar: "Por Deus, que me salvou da morte no dia de Badre".

Haquime converteu-se ao islão durante a Conquista de Meca, juntamente com seus filhos Calide, Hixame e Abedalá. Antes da entrada do exército muçulmano na cidade, saiu de Meca acompanhado de Abu Sufiane ibne Harbe e Budail ibne Uarca para obter informações sobre as tropas, sendo capturado pelas patrulhas avançadas e conduzido à presença de Maomé, perante quem abraçou o islão. Em seguida, foi enviado de volta a Meca ao lado de Abu Sufiane e Budail para conclamar os habitantes a não resistirem e anunciar que aqueles que se refugiassem em suas casas estariam em segurança. Após sua conversão, participou das campanhas de Hunaine e Taife. Considerado um dos mu'allafat al-qulub, recebeu de Maomé cem camelos provenientes do espólio de Hunaine. Já antes do islão era conhecido pela riqueza e pela generosidade, tendo alforriado cem escravos e distribuído cem camelos aos necessitados. Manteve essas práticas após converter-se, sendo relatado que, em determinada peregrinação, libertou outros cem escravos e sacrificou cem camelos. Beneficiado, segundo a tradição, por uma bênção de Maomé para seus negócios, recusou posteriormente a pensão que Omar lhe destinara e assumiu metade das dívidas deixadas por seu primo Azobair ibne Alauame após a Batalha do Camelo. Durante o cerco à residência do califa Otomão , integrou a comitiva enviada por Ali para negociar com os rebeldes egípcios e participou do funeral de Otomão. Morreu em Medina por volta de 674, com idade tradicionalmente estimada entre 115 e 120 anos.

Legado

Haquime transmitiu cerca de 40 hádices atribuídos a Maomé, dos quais quatro foram incluídos simultaneamente no Sahih de Albucari e no Sahih de Muslim ibne Alhajaje. Além de transmissor de tradições proféticas, era reconhecido entre seus contemporâneos como profundo conhecedor da genealogia das tribos árabes.

Bibliografia

Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Açaditas (coraixitas) Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Pessoas envolvidas nas Guerras Sacrílegas