Pedro Pacheco, (Santa Maria do Castelo, 17 de abril de 1636 - Goa, setembro de 1714) foi um frade dominicano e prelado português da Igreja Católica. Foi bispo de Cochim entre 1694 e 1714, além de governador diocesano da Arquidiocese de Goa.
Biografia Nasceu na freguesia de Santa Maria do Castelo, em Almada, em data incerta, mas seguramente próximo do dia do seu batismo, 17 de abril de 1636, ato em que teve por padrinhos Luís de Sousa Castelo Branco e Maria de Sá. Os seus pais foram Jorge Pacheco de Mendonça e Beatriz Barbosa.
Pedro Pacheco teria estudado no colégio de São Tomé de Goa e foi vigário-geral dos dominicanos na Índia e nada mais se conhece da sua formação e carreira. Recebeu a ordenação presbiteral em Cochim, no ano de 1662.
Em 3 de outubro de 1693, o secretário de Estado Mendo de Fóios Pereira escreveu ao núncio Giorgio Cornaro, residente em Lisboa, solicitando que preparasse e remetesse o processo consistorial de Pedro Pacheco para Roma, a fim de que o dominicano fosse confirmado bispo de Cochim.
Por fim, no dia 4 de janeiro de 1694 Frei Pedro Pacheco foi confirmado na Sé de Cochim. Em dezembro deste ano encontrava-se em Lisboa. Desconhece-se quando recebeu a ordenação episcopal e quando partiu para a sua diocese. Em 7 de fevereiro de 1701, todavia, sabe-se que estava em Tanor, região situada nas fronteiras da sua diocese, e em maio desse ano em Coulão, onde publicou uma pastoral, a 18 de maio, permanecendo nessa cidade, pelo menos, até novembro.Catholic Hierarchy
Merece menção um projeto seu, redigido em 1694, no qual propunha ao monarca D. Pedro II de Portugal a ideia pioneira de juntar as duas costas africanas, moçambicana e angolana, para transporte de mercadorias vindas da Índia. Nos seus termos, o propósito era o de “se comunicarem por terra as duas Ehiopias sogeitas a sua Real Coroa”. Nesse texto, o bispo propunha ainda ao rei que se eliminasse a proibição de regresso de todos os portugueses que fossem para a Índia, “porquanto a razão natural ditava amarem todos a pátria”.
Cabe ressaltar que Dom Frei Pacheco foi nomeado numa altura que aquela região já não estava em mãos portuguesas, pelo que teve que a governar oculto, sujeito a perseguições pelas autoridades holandesas que detinham do território. O prelado de Cochim deixou um vasto caderno de documentação, no qual fica bem patente a forma como a Propaganda Fide aproveitou a apropriação holandesa da costa do Malabar, onde se localizava Cochim, para atingir uma posição de exclusividade missionária, eliminando definitivamente a presença portuguesa.
Dom Frei Pedro Pacheco foi para Goa em 1706, nunca mais regressando a Cochim. Ali teria assumido o cargo de governador do arcebispado no ano de 1713, falecendo em setembro do ano seguinte.
Bibliografia
Ligações externas
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