Maeda Jurozaemon (japonês: 前田 十郎左衛門, Kagoshima, Japão, 1849 – Bahia, Brasil, 1870) foi um samurai e tenente na Marinha Japonesa que foi enviado por seu daimiô, o príncipe Shimazu Hisamitsu, para aprender a língua inglesa e estudar as técnicas navais da Marinha Britânica a bordo da Esquadra Volante. Tenente Maeda praticou seppuku a bordo da nau capitânia HMS Liverpool e foi enterrado no Cemitério dos Ingleses (Salvador). Foi um dos primeiros oficiais da Marinha Japonesa a estudar no exterior e é descrito nas fontes de língua japonesa como o primeiro japonês a ser enterrado no Brasil.
História Após a Restauração Meiji, inciada em 1868, o Imperador Meiji decretou que a Marinha Real serviria como modelo para desenvolver as forças navais do Japão. Quando a segunda formação da Esquadra Volante aportou em Edo e Yokohama em 1870, Maeda e Ichiro Itsuki embarcaram com a missão de aprender técnicas navais que ajudariam a modernizar a Marinha Japonesa.
Biografia Maeda Jurozaemon nasceu em 1849 na cidade de Kagoshima, filho do pai, Maeda Shinnosuke, um samurai, e da mãe, Fudeko. Em 8 de junho de 1869, ingressou a Universidade de Keio, depois estudando em Kaiseijo e na Escola de Treinamento Naval.
Em abril de 1870, Maeda e Ichiro Itsuki foram enviados para integrar o esquadrão como estudantes por seus respectivos daimyos, o primeiro a bordo do HMS Liverpool e o segundo no HMS Phoebe. Os dois estudantes foram apresentados ao Contra-Almirante Geoffrey Hornby no Palácio de Verão do Imperador em 14 de abril.
Na madrugada de 7 de outubro de 1870, tendo sido avistado afiando sua espada curta enquanto se encontrava sob observação por risco de suicídio, Maeda apanhou a arma de cima da sua mala no refeitório dos oficiais do Liverpool e praticou o seppuku. Acredita-se que tenha entrado em depressão ao sentir que fracassava em sua missão de aprender inglês e dominar as técnicas da Marinha Britânica. Foi sepultado no mesmo dia, no Cemitério dos Ingleses, segundo os ritos anglicanos, celebrados pelo Rev. Caley, da Igreja Anglicana na Bahia.
Um estudo acadêmico do caso foi publicado posteriormente na revista japonesa "Estudos sobre a História da Aprendizagem do Inglês".
Homenagens Houve planos posteriores para enviar uma lápide do Japão, mas quando o cruzador Ikoma visitou o local em 1910, o túmulo de Maeda não foi localizado. Acreditava-se, na época, que ele havia sido sepultado em um cemitério judáico. Em 1922, um esquadrão de treinamento que incluía o Asama, o Iwate e o Izumo visitou a Bahia novamente, mas o túmulo mais uma vez não foi encontrado.
O sepultamento de Maeda está registrado nos arquivos do Cemitério dos Ingleses da Bahia, embora seu túmulo tenha desaparecido. Em 6 de julho de 2026, a Associação Cultural Brasil-Japão-BA e a Associação da Igreja de São Jorge e do Cemitério Britânico inauguraram uma placa em sua homenagem.
A história da morte do samurai e o desaparecimento de seu túmulo, relatados em um artigo da autoria da pesquisadora britânica Sabrina Gledhill, inspiraram a HQ brasileira Rocha navegável, escrita por Fábio Costa e ilustrada por Igor Souza (2020), que foi finalista do Prêmio Jabuti e tornou-se objeto de debate acadêmico.
Bibliografia
Costa, Fábio and Souza, Igor (2020). Rocha navegável. RV Cultura e Arte. Gledhill, Sabrina (2007). "Seppuku na Cidade do Salvador". Kobayashi, Luiz (2010). Os peregrinos do sol: a arte da espada samurai. São Paulo: Estação Liberdade. B., J. e Cavendish, Henry (1871). The Cruise Round the World of the Flying Squadron 1869-1870. Londres: Lake & Clench.
Referências
Categoria:Nascidos em 1849 Categoria:Mortos em 1870 Categoria:Samurais Categoria:Pessoas do período Edo Categoria:Pessoas do período Meiji Categoria:Restauração Meiji Categoria:Japoneses expatriados no Brasil Categoria:História de Salvador Categoria:Naturais de Kagoshima