A Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher (LEIM) foi uma organização feminista fundada no Rio de Janeiro, em 1919, por Bertha Lutz, juntamente com outras intelectuais e ativistas, entre elas Júlia Lopes de Almeida e Maria Lacerda de Moura. Considerada a primeira organização liderada por Bertha Lutz voltada especificamente à defesa dos direitos das mulheres. A Liga tinha como objetivo lutar por educação, qualificação profissional, igualdade civil e pela ampliação da participação das mulheres na vida pública. A organização é reconhecida como antecessora da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), criada em 1922.

miniaturadaimagem|201x201px|Maria Lacerda Moura, fundadora da Liga

miniaturadaimagem|Berta Lutz, fundadora da Liga|222x222px|esquerda História A Liga foi criada durante a Primeira República, momento em que os debates sobre cidadania, educação e participação política no Brasil se ampliaram. O retorno de Bertha Lutz ao país, após seus estudos na França e o contato com o movimento sufragista europeu, resultou na organização de um movimento feminista institucionalizado. A Liga foi fundada em 1919 por Bertha Lutz, com mulheres das classes médias urbanas e com elevado nível de escolaridade. Entre suas primeiras colaboradoras esteve Maria Lacerda de Moura, que posteriormente se afastou da organização por conta de divergências quanto às estratégias e objetivos do movimento feminista. Enquanto a Liga priorizava reformas legais e a conquista do sufrágio, Maria Lacerda se aproximou de posições anarquistas e passou a defender uma transformação mais ampla das relações sociais.miniaturadaimagem|198x198px|Júlia Lopes de Almeida, fundadora da LigaEm 1922, a Liga foi dissolvida e deu origem à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF). A nova organização passou a coordenar nacionalmente a campanha pelo sufrágio feminino, além de representar o Brasil em organizações feministas internacionais. A FBPF tornou-se a principal associação feminista brasileira das décadas de 1920 e 1930 e liderou as mobilizações que conquistaram o sufrágio feminino por meio do Código Eleitoral de 1932.

Reivindicações A Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher defendia a ampliação da instrução feminina como condição para a emancipação das mulheres. A organização visava ampliar o acesso das mulheres à educação, incentivar a formação profissional feminina, defender melhores condições de trabalho para as mulheres, promover a igualdade de direitos civis, apoiar a conquista do sufrágio feminino. A atuação buscava reformas por meios institucionais, aproximando-se do feminismo liberal.

Ver também Cronologia do direito feminino

SOUZA, Maria Izabel Siciliano de; ABDALA-MENDES, Marta Ferreira. A formação científica e profissional das mulheres no Brasil: a contribuição de Bertha Lutz. Cadernos de História da Ciência, São Paulo, v. 18, n. especial, p. 22–46, 2018. DOI: 10.23925/2178-2911.2018v18i1p22-46.

KARAWEJCZYK, Mônica. Bertha Lutz e Maria Lacerda de Moura – uma parceria inusitada. Gênero, Niterói, v. 14, n. 2, p. 105–124, 1. sem. 2014.

WANDERLEY, Andrea C. T. Série “1922 – Hoje, há 100 anos” VI e série “Feministas, graças a Deus!” XI – A fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Brasiliana Fotográfica, 9 ago. 2022. Disponível em:https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?tag=liga-para-a-emancipacao-intelectual-da-mulher

KARAWEJCZYK, Mônica. O feminismo em boa marcha no Brasil! Bertha Lutz e a Conferência pelo Progresso Feminino de 1922. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 26, n. 2, e49845, 2018.