thumb|Representantes da Organização Mundial da Saúde em reunião conjunta com administradores da cidade de Teerã, em março de 2020 A Organização Mundial da Saúde (OMS) é uma das principais organizações envolvidas na coordenação global para mitigar a pandemia de COVID-19, dentro do contexto mais amplo da .
Em 5 de janeiro de 2020, a OMS notificou o mundo sobre uma "pneumonia de causa desconhecida" na China e, posteriormente, iniciou a investigação da doença. Em 20 de janeiro, a OMS confirmou a transmissão da doença entre humanos. Em 30 de janeiro, a OMS declarou o surto uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional e alertou todos os países. Em 11 de março, a OMS declarou que o surto constituía uma pandemia. Até 5 de outubro do mesmo ano, a OMS estimava que um décimo da população mundial havia sido infectado pelo novo vírus.
A OMS liderou diversas iniciativas, como o Fundo de Resposta Solidária à COVID-19, destinado a levantar recursos para a resposta à pandemia, o Grupo de Trabalho da ONU para a Cadeia de Suprimentos da COVID-19, e o Solidarity Trial, para investigar possíveis opções de tratamento da doença. O programa COVAX, colideranda pela OMS, pela Gavi e pela Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI), tem como objetivo acelerar o desenvolvimento e a fabricação de vacinas contra a COVID-19 e garantir acesso justo e equitativo a todos os países do mundo.
A condução do surto inicial pela OMS exigiu um "equilíbrio diplomático delicado" entre os Estados-membros, em particular entre os Estados Unidos e a China. Em 27 de agosto de 2020, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou que um comitê independente de especialistas seria criado para examinar diversos aspectos do tratado internacional que rege a preparação e a resposta a emergências de saúde. Uma missão internacional liderada pela OMS chegou à China em janeiro de 2021 para investigar as origens da pandemia de COVID-19, divulgando conclusões preliminares no mês seguinte.
Antecedentes A Organização Mundial da Saúde tem oferecido orientações endossadas pelos Estados e estabelecido normas e padrões para a preparação e a resposta a surtos, no exercício de seu papel de orientar e auxiliar a coordenação no controle da disseminação internacional de doenças. No entanto, a OMS não tem poder para impor legalmente suas recomendações.
Cronologia
Dezembro de 2019 Em 30 de dezembro de 2019, a OMS obteve um relatório chinês sobre sete ou mais casos de pneumonia atípica. Em 31 de dezembro de 2019, autoridades chinesas relataram um agrupamento de casos de pneumonia de causa desconhecida. O CDC de Taiwan enviou um e-mail à OMS poucas horas depois, reiterando o relatório chinês anterior e solicitando mais informações.
Janeiro de 2020 Em 1º de janeiro de 2020, a OMS criou a Equipe de Apoio à Gestão de Incidentes para tratar do surto em regime de emergência. Em 5 de janeiro de 2020, a OMS notificou todos os Estados-membros sobre o novo surto de um vírus causador de pneumonia desconhecido na província de Hubei, na China. Em 10 de janeiro, a OMS emitiu um pacote abrangente de orientações aos países sobre como testar casos potenciais. Nessa data, a OMS já alertava sobre o risco de transmissão entre humanos. Em 12 de janeiro, cientistas chineses compartilharam a sequência genética do novo vírus, e a OMS solicitou a uma equipe alemã que desenvolvesse um teste. Em 13 de janeiro, a OMS confirmou o primeiro caso da doença fora da China, na Tailândia. Em 14 de janeiro, Maria Van Kerkhove, epidemiologista americana especializada em doenças infecciosas e integrante da OMS, afirmou, em uma entrevista coletiva, que era possível haver transmissão limitada entre humanos, potencialmente entre familiares, mas que ainda não havia evidências de transmissão sustentada entre pessoas. A OMS recomendou que os países tomassem precauções, com base no precedente de transmissão entre humanos observado em surtos anteriores de SARS e MERS. No mesmo dia, a conta da OMS no Twitter afirmou que investigações preliminares realizadas pelas autoridades chinesas não haviam encontrado evidências claras de transmissão entre humanos. Em 20 de janeiro, a OMS publicou no Twitter que já estava "muito claro, com base nas informações mais recentes, que há ao menos alguma transmissão" entre humanos, dado que profissionais de saúde haviam sido infectados. Em 22 de janeiro, a OMS emitiu um comunicado informando que os dados sugeriam que a transmissão entre humanos já estava ocorrendo em Wuhan, pedindo mais investigações. Em 22 de janeiro, um comitê de emergência foi convocado para avaliar se o surto constituía uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). O comitê não chegou a um consenso. Em 27 de janeiro, a OMS avaliou o risco do surto como "alto em nível global". Em 30 de janeiro, o comitê de emergência se reuniu novamente e concluiu que o surto constituía uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. A OMS alertou que todos os países deveriam se preparar para a contenção.
Fevereiro de 2020 Em 3 de fevereiro, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou não haver necessidade de "interferir desnecessariamente com viagens e comércio internacionais" no combate à COVID-19, pedindo que todos os países implementassem decisões baseadas em evidências e coerentes entre si. Na época, a China enfrentava crescente isolamento internacional devido a restrições de voos de e para o país e à proibição de viajantes chineses. A política de longa data da OMS era a de que restrições de viagem são, em geral, ineficazes e podem ser contraproducentes. Em 12 de fevereiro, a OMS convocou um Fórum de Pesquisa e Inovação, reunindo pesquisadores e financiadores, para custear pesquisas prioritárias destinadas a deter o surto e prevenir surtos futuros. Entre 16 e 24 de fevereiro, a Missão Conjunta OMS-China viajou à China e elaborou um relatório sobre a evolução do surto no país.
Março de 2020 Em 2 de março, o diretor-geral da OMS, Tedros, anunciou que a contenção do vírus ainda deveria ser a prioridade internacional máxima. Em 3 de março, a OMS divulgou um Plano Estratégico de Preparação e Resposta para ajudar a proteger países com sistemas de saúde mais fragilizados. O diretor-geral da OMS declarou que a taxa de mortalidade global do novo surto de coronavírus, então em 3,4%, era muito superior à da gripe sazonal, cuja taxa é inferior a 1%. A OMS também anunciou uma grave escassez de equipamentos de proteção individual, causada pela compra em pânico e pela estocagem, o que colocava em risco profissionais de saúde. Em 6 de março, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que a agência estava trabalhando com o Fórum Econômico Mundial para engajar empresas privadas em todo o mundo no atendimento à demanda por produtos médicos. Em 7 de março, a OMS informou que o número global de casos confirmados da nova doença do coronavírus, a COVID-19, havia superado 100 000, classificando o momento como "sombrio". Em 9 de março, a OMS e a OACI publicaram uma declaração conjunta alertando contra a violação do Regulamento Sanitário Internacional de 2005. Em 11 de março, a OMS confirmou a doença do coronavírus 2019 como uma pandemia. O diretor-geral da OMS pediu que os governos mudassem de rumo, adotando "ações urgentes e agressivas". Em 12 de março, a OMS declarou que a pandemia de COVID-19 poderia ser controlada caso os países a tratassem com seriedade. A declaração veio após alguns países não adotarem medidas adequadas para reduzir a transmissão, e depois de a OMS ter afirmado que o surto ainda não havia atingido o status de pandemia. Em 13 de março, a OMS lançou o Fundo de Resposta Solidária à COVID-19 para apoiar seus trabalhos de contenção da pandemia de coronavírus de 2019–2020. Em 16 de março, a OMS divulgou orientações sobre "Cinco coisas que você deve saber agora sobre a pandemia de COVID-19" e sobre como proteger a saúde mental durante a pandemia, enquanto o diretor-geral da OMS criticou duramente a lentidão na testagem do vírus, reiterando que a mensagem da organização era "testar, testar, testar". Em 18 de março, a OMS lançou o Solidarity Trial, um estudo clínico internacional para encontrar um tratamento eficaz para a doença do coronavírus. Em 19 de março, o diretor-geral da OMS relatou que a China não havia registrado novos casos domésticos e afirmou que a organização estava trabalhando para garantir a cadeia de suprimentos de equipamentos de proteção e testes. Em 20 de março, o diretor-geral anunciou o "trágico marco" de 200 000 casos de COVID-19 registrados. Em 23 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o órgão dirigente do futebol internacional, a FIFA, lançaram uma campanha conjunta, "Passe a mensagem para expulsar o coronavírus". Em 30 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reiterou a recomendação de não usar máscaras faciais, salvo em caso de sintomas de COVID-19 ou de cuidado de alguém doente.
Abril de 2020 Em 1º de abril, a OMS informou que as mortes por COVID-19 haviam mais do que dobrado na semana anterior e em breve chegariam a 50 000 em todo o mundo, com o total global de casos se aproximando de um milhão. Em 3 de abril, a OMS anunciou que trabalharia em conjunto com o UNICEF na resposta à COVID-19 por meio do Fundo de Resposta Solidária. Em uma declaração conjunta, a agência da ONU para refugiados (ACNUR), a Organização Internacional para as Migrações, o escritório de direitos humanos da ONU (ACNUDH) e a Organização Mundial da Saúde destacaram que refugiados, migrantes e deslocados corriam maior risco de contrair a nova doença do coronavírus, à medida que os sistemas de saúde ameaçavam ficar sobrecarregados. Até 7 de abril, a OMS havia aceitado dois testes diagnósticos para aquisição sob o procedimento de Listagem de Uso Emergencial (EUL), a fim de ampliar o acesso a testes precisos e com qualidade garantida durante a pandemia de COVID-19. No Dia Mundial da Saúde, a OMS e o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacaram o trabalho dos profissionais de saúde de todo o mundo e pediram maior apoio a enfermeiros e outros trabalhadores da linha de frente, além de expressarem preocupação com a falta de equipamentos de proteção individual e com casos de intimidação e ameaças. Em 8 de abril, a OMS alertou que o número de casos de COVID-19 na África havia superado 10 000, com mais de 500 mortes. Em resposta a críticas, o diretor-geral da OMS alertou contra a politização da COVID-19, afirmando que a unidade era a "única opção" para vencer a pandemia. Ele apresentou cinco motivos principais pelos quais os países precisam da OMS. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu apoio global à OMS, descrevendo a agência de saúde da ONU, que liderava a resposta multilateral desde o início, como "absolutamente essencial" para superar a COVID-19. Em 9 de abril, marcaram-se 100 dias desde que a OMS foi notificada dos primeiros casos de "pneumonia de causa desconhecida" na China. O diretor-geral informou que a OMS divulgaria uma estratégia atualizada para o combate à pandemia. A OMS lançou o Grupo de Trabalho da ONU para a Cadeia de Suprimentos da COVID-19 para ampliar o fornecimento de produtos essenciais no combate à COVID-19. Em 10 de abril, o diretor-geral da OMS apresentou seis fatores a serem considerados no levantamento dos confinamentos, incluindo o controle da transmissão e a disponibilidade de serviços médicos e de saúde pública suficientes. Em 13 de abril, o diretor-geral da OMS detalhou as orientações mais recentes da agência, enfatizando uma combinação de distanciamento social, testagem, rastreamento de contatos e isolamento. A OMS, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e outros parceiros de saúde que apoiam a Iniciativa Sarampo e Rubéola (M&RI) alertaram que mais de 117 milhões de crianças em 37 países corriam o risco de não receber a vacina contra o sarampo.