Lucílio Manjate (Maputo, 13 de janeiro de 1981) é um escritor, ensaísta, crítico literário e professor universitário moçambicano. Considerado um dos representantes da nova geração da literatura moçambicana, é autor de romances, novelas, contos, literatura infantojuvenil e ensaios literários publicados em Moçambique, Portugal e Brasil. A sua obra caracteriza-se pela exploração da memória, oralidade, metaficção, identidade cultural e elementos associados ao realismo mágico. O género policial ocupa um lugar central na sua produção literária. Recebeu diversos prémios literários, entre os quais o Prémio Literário Telecomunicações de Moçambique, o Prémio Literário 10 de Novembro e o Prémio Eduardo Costley-White. Paralelamente à atividade literária, desenvolve carreira académica como docente universitário e investigador da literatura moçambicana contemporânea.
Biografia
Infância e formação Lucílio Manjate nasceu em 13 de janeiro de 1981, na cidade de Maputo, Moçambique. Frequentou o ensino primário na Escola Primária 3 de Fevereiro e realizou estudos secundários em diferentes instituições, incluindo a Escola Secundária da Maxaquene, Escola Secundária Estrela Vermelha, Escola Secundária da Matola e Escola Anglicana São Cipriano.Manjate, Lucílio. Dados biográficos fornecidos pelo próprio escritor.
Durante a infância e adolescência desenvolveu um interesse crescente pela leitura e pela escrita. O contacto com a biblioteca do seu pai desempenhou um papel importante na sua formação intelectual, permitindo-lhe descobrir diferentes autores e géneros literários. Entre as primeiras obras que influenciaram a sua formação encontram-se antologias da poesia de combate moçambicana, a coletânea No Reino de Caliban e a obra Maria, de José Craveirinha.
A professora Virgínia, docente de Língua Portuguesa na Escola Anglicana São Cipriano, teve igualmente influência no desenvolvimento da sua vocação literária, incentivando o seu interesse pela escrita.
Entre os autores que marcaram a sua formação literária destacam-se José Craveirinha, Mia Couto, Ungulani Ba Ka Khosa, Gabriel García Márquez, Julio Cortázar, Juan Rulfo, Alejo Carpentier e Jorge Luis Borges.
Licenciou-se em Linguística e Literatura pela Universidade Eduardo Mondlane, em 2007. Em 2019 concluiu o Mestrado em Filosofia pela mesma instituição. Em 2026 obteve o grau de Doutor em Ciências da Linguagem Aplicadas ao Ensino de Línguas: Literatura, Estudos Culturais e Ensino de Línguas, pela Universidade Pedagógica de Maputo (cuja tese de doutoramento logrou 20 valores), defendendo a tese intitulada: Estudo das representações discursivas das narrativas sobre magaíza: um contributo para a didáctica da língua portuguesa.
Carreira literária Lucílio Manjate iniciou a sua atividade literária em 1996, escrevendo inicialmente contos. A sua estreia editorial ocorreu em 2006, com a publicação de Manifesto, obra distinguida com o Prémio Literário Telecomunicações de Moçambique.
O reconhecimento alcançado com esta obra marcou o início da sua projeção no panorama literário moçambicano e abriu caminho para uma carreira diversificada, abrangendo romance, novela, conto, literatura infantojuvenil e ensaio.
Ao longo da sua carreira, publicou obras em editoras de Moçambique, Portugal e Brasil, contribuindo para a divulgação da literatura moçambicana no espaço lusófono. Alguns dos seus textos foram traduzidos para inglês e espanhol. Tem obra publicada em Moçambique, Portugal e Brasil.
Obras publicadas
Romance Rabhia (2017) - Rabhia (Edições Esgotadas, 2017; Alcance, 2019; Kapulana Editora, 2022), Prémio Literário Eduardo Costley-White. (Rabhia é um romance policial protagonizado, pela segunda vez, pelo investigador Sthoe, depois de o mesmo ter aparecido em A Legítima Dor da Dona Sebastião).
Romance policial distinguido com o Prémio Eduardo Costley-White. A obra explora temas relacionados com memória, identidade, cultura e experiência humana, através de uma narrativa marcada pela complexidade estrutural e simbólica.
Última Memória: Entrevista com Sthoe (Alcance, 2025)
Novela A Triste História de Barcolino, o Homem que Não Sabia Morrer (2018)
Novela que combina elementos do fantástico, humor e reflexão existencial, utilizando a relação entre vida e morte como ponto de partida para questionar a condição humana.
Conto Manifesto (2006) Obra de estreia editorial do autor, distinguida com o Prémio Literário Telecomunicações de Moçambique. O livro marcou a afirmação inicial de Lucílio Manjate como escritor e revelou uma escrita centrada na reflexão sobre o indivíduo, a sociedade e a condição humana.
Outras obras de ficção Os Silêncios do Narrador (2010) Obra centrada na relação entre memória, história e identidade, explorando narrativas individuais e coletivas.
A Legítima Dor da Dona Sebastião (2013)
A Legítima dor da Dona Sebastião é uma novela policial, onde o investigador policial Sthoe aparece pela primeira vez. Narrativa que evidencia a maturidade literária do autor através da exploração dos conflitos humanos e das dimensões psicológicas das personagens.
Literatura infantojuvenil O Jovem Caçador e a Velha Dentuça (2016)
Obra destinada ao público jovem que combina elementos da tradição oral africana, fantasia e valores humanos.
Ensaio, crítica literária e investigação Além da produção ficcional, Lucílio Manjate desenvolve atividade como ensaísta e crítico literário, dedicando-se ao estudo da literatura moçambicana, da língua portuguesa e dos estudos culturais. A sua investigação académica aborda as relações entre literatura, linguagem, memória e ensino, contribuindo para a reflexão sobre a produção literária contemporânea em Moçambique.
Como investigador e docente universitário, participa em debates académicos, conferências e encontros literários relacionados com a literatura africana de língua portuguesa.
Estilo literário A escrita de Lucílio Manjate caracteriza-se pela conjugação entre memória, oralidade, intertextualidade e elementos do realismo mágico. A sua obra estabelece diálogo entre tradição e modernidade, articulando experiências individuais com questões históricas e culturais de Moçambique. O género policial ocupa um lugar central na sua produção literária.
Influenciado pela literatura africana e latino-americana, o autor desenvolve narrativas onde o real e o imaginário se cruzam, explorando temas como identidade, pertencimento, história e condição humana.
Atividade académica Lucílio Manjate exerce atividade docente no ensino superior, contribuindo para a formação de estudantes nas áreas da literatura, língua portuguesa e estudos culturais.
A sua carreira académica está ligada à investigação da literatura moçambicana contemporânea e às metodologias de ensino da língua portuguesa.
Prémios e distinções Prémio Literário Telecomunicações de Moçambique — atribuído à obra Manifesto (2006). Prémio Literário 10 de Novembro. Prémio Eduardo Costley-White — atribuído ao romance Rabhia (2017).
Participação internacional o 2017 – FliPoços 2017 – 12a. Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas. Participante da comitiva de Moçambique, país homenageado na festa literária e lançamento de seu livro A triste história de Barcolino, o homem que não sabia morrer.[L1]
o 2017 – “II Jornada de Teoria Literária e Literaturas Africanas”, Unicamp /GELCA 2017 . Campinas – SP. Participação em mesa de debates sobre literaturas africanas de língua portuguesa, com sessão de autógrafos da edição brasileira de A triste história de Barcolino, o homem que não sabia morrer.
o 2019 – Participação na “Travessia das Letras – 1ª Festa Infantojuvenil da Língua Portuguesa”. Oeiras, Portugal, 30 e 31/03/2019.
o 2020 – Participação na FLISS, Festa Internacional de São Sebastião. Palestra “Literaturas Africanas”. Online, 27/08/2020.
o 2020 – Participação no TEMPLO DE ESCRITAS, I Festa Literária Internacional da Língua Portuguesa. Mesa redonda “Diálogos sobre o espaço da CPLP: Circulação, silenciamentos e institucionalização de uma literatura de língua(s) portuguesa(s)”. Online, 7/10/20.
o 2020 – Participação na mesa “Literatura de língua portuguesa pós-covid: desafios e perspectivas”. Feira do Livro de Maputo. Online, 24/10/2020.
o 2020 – Participação no Painel de Literatura Moçambicana. Transmissão pela TV UNEB SEABRA, 31/10/2020.
o 2020 – Participação no Simpósio de Literaturas Africanas e Afro-brasileiras: Encruzilhadas Epistemológicas, Intersseccionalidade e culturas de fronteira. Mesa “Literatura Moçambicana Contemporânea”. Online, 27/11/2020.
o 2021 – Participação na mesa “Será que a literatura ajuda a criar uma zona de intervenção cívica?”, Feira do Livro de Maputo em homenagem ao escritor Ungulani Ba Ka Khosa. Online, 21/10/21.
o 2021 – Participação na série “Áfricas”, TV 247. Entrevista à Profa. Rita Chaves. Mediação de Victor Castanho. Online, Brasil, 15/07/2021.
o 2021 – Participação na “Confraria da Palavra”. Mediação de Edson Cruz. Online, Brasil, 18/12/2021.[L2]
o 2026 – Participação no UPCAST, podcast da Universidade Pedagógica de Maputo, sobre o doutoramento e a investigação «Estudo das representações discursivas das narrativas sobre Magaíza: um contributo para a didáctica da língua portuguesa». YouTube, 31/07/2026.
Obras publicadas
Romance: - Rabhia (Edições Esgotadas, 2017; Alcance, 2019; Kapulana Editora, 2022), Prémio Literário Eduardo Costley-White. (Rabhia é uma novela policial, onde o investigador policial Sthoe aparece pela segunda vez).
- Última Memória: Entrevista com Sthoe (Alcance, 2025).
Novela: - Os silêncios do narrador (AEMO, 2010), Prémio 10 de Novembro.
- A legítima dor da Dona Sebastião (Alcance, 2013).
- A triste história de Barcolino, o homem que não sabia morrer (Kapulana Editora, 2017; Cavalo do Mar, 2018, 2022).
- O alfaiate de Lisboa (Instituto Internacional da Língua Portuguesa, 2024).
Conto: - Manifesto (TDM, 2006), Prémio Revelação Telecomunicações de Moçambique.
- O contador de palavras (Alcance, 2012).
- O jovem caçador e a velha dentuça (Kapulana Editora, 2016).
- Zua e Mwêdzi Vão à Caça das Palavras (Alcance, 2018).
Antologias: - Antologia Inédita – Outras vozes de Moçambique (Alcance, 2014), coorganizada com o poeta Sangare Okapi, e
- O Rosto e o Tempo: antologia poética comemorativa dos 35 anos de vida literária de Armando Artur (Alcance, 2021).
Ensaios: - Literatura Moçambicana – da ameaça do esquecimento à urgência do resgate (Alcance, 2015), em co-autoria com Albino Macuácua e Osvaldo das Neves, e
- Geração XXI – Notas sobre a nova geração de escritores moçambicanos (Alcance, 2018).
Contributo para a literatura moçambicana Lucílio Manjate integra uma geração de escritores moçambicanos contemporâneos que procuram renovar as formas de representação literária do país. A sua obra estabelece diálogo com a tradição literária nacional, a oralidade africana e influências da literatura universal. Manjate é Professor universitário; Escritor e Secretário-Geral Adjunto da Associação dos Escritores Moçambicanos.
Através da escrita, investigação e ensino, tem contribuído para a valorização da literatura moçambicana e para a promoção da leitura e dos estudos literários.
Referências
Categoria:Nascidos em 1981 Categoria:Pessoas vivas Categoria:Escritores de Moçambique Categoria:Romancistas de Moçambique Categoria:Contistas de Moçambique Categoria:Dramaturgos de Moçambique Categoria:Poetas de Moçambique Categoria:Naturais de Maputo Categoria:Escritores de Moçambique