"Birthright" é um episódio em duas partes, o décimo sexto e décimo sétimo, da sexta temporada da série de ficção científica estadunidense Star Trek: The Next Generation. São o 142º e 143º episódios gerais da série e foram exibidos pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão em 7 e 14 de março de 1993. The Next Generation se passa no século XXIV e acompanha as aventuras da tripulação da nave estelar USS Enterprise-D. Neste episódio, o tenente Worf é informado que seu pai talvez ainda esteja vivo, com ele se aventurando para um campo de prisioneiros romulano para descobrir a verdade.

A história surgiu a partir da fusão de duas premissas enviadas por roteiristas independentes e inicialmente foi tratada como um episódio único, mas acabou dividida em duas partes para que pudesse ser melhor desenvolvida. O subenredo dos sonhos de Data surgiu da necessidade de preencher o tempo no primeiro episódio. O diretor Winrich Kolbe trabalhou com o diretor de fotografia Jonathan West para a criação das sequências de sonho na primeira parte, enquanto na segunda parte o diretor Dan Curry usou seus conhecimentos sobre artes marciais e armas para a criação de elementos da cultura klingon.

As duas partes tiveram bons números de audiência quando foram exibidas pela primeira vez, ficando entre os episódios mais assistidos da temporada. A recepção da crítica especializada foi dividida, com vários elogios sendo direcionados para as sequências de sonho de Data e seu enredo na primeira parte, algo que proporcionava bom desenvolvimento para o personagem. Por outro lado, a segunda parte foi criticada por não proporcionar desenvolvimento de personagem para Worf e não explorar suficientemente os temas levantados. "Birthright" já foi lançado em vários formatos de mídia caseira.

Enredo Parte I Enquanto a está atracada na estação Deep Space Nine, o tenente-comandante Data sofre um acidente durante um experimento científico e tem uma experiência semelhante a um sonho envolvendo seu criador, o doutor Noonien Soong. Ele tenta entender esse sonho, com o tenente-comandante Geordi La Forge e o doutor Julian Bashir, o oficial médico chefe da Deep Space Nine, relutantemente concordando em ajudá-lo a recriar o experimento que causou a primeira experiência. Data tem o mesmo sonho e desta vez conversa com Soong, que o encoraja a continuar sonhando. Data acorda e conclui que Soong o pré-programou para ter a capacidade de sonhar, planejando assim passar algum tempo todo o dia sonhando.

Ao mesmo tempo, o tenente Worf é informado por um alienígena chamado Jaglom Shrek que seu pai, Mogh, não foi morto em um massacre romulano décadas antes e está na verdade sendo mantido em um campo de prisioneiros. Worf conversa com Data sobre as experiências deste com seu pai e decide descobrir a verdade. Ele viajam com Shrek até o planeta do suposto campo de prisioneiros, descobrindo um local onde klingons e romulanos convivem pacificamente. Worf conversa com um dos anciões klingon, L'Kor, que revela que Mogh realmente morreu no massacre. Worf insiste em libertar os klingons, mas L'Kor insiste em ficar. Worf acaba sendo feito prisioneiro tanto pelos romulanos quanto pelos klingons por saber da existência do campo.

Parte II Worf fica incrédulo que os klingons não desejam escapar, mas os anciões explicam que não estão vivendo em uma prisão convencional: já que retornar traria grande desonra para suas famílias de acordo com os costumes klingons, eles escolheram permanecer e fazer parecer que morreram em batalha. Eles agora vivem pacificamente com seus antigos captores romulanos e podem ir e vir livremente no planeta. Entretanto, Worf não pode sair para não revelar a verdade sobre o local. Ele também descobre, para seu grande desgosto, que alguns klingons e romulanos se casaram e tiveram filhos mestiços, incluindo Ba'el, uma jovem com quem ele desenvolveu sentimentos românticos.

Worf começa a inspirar os jovens klingons que não sabem nada sobre sua herança cultural, ensinando-lhes mitos, artes marciais, costumes e outros elementos de sua cultura. Isto enfurece os os anciões e os romulanos, que fazem um ultimato a Worf: morrer ou viver de acordo com suas regras. Ele escolhe morrer, mas os jovens klingons que ele inspirou decidem se juntar a ele. Tokath, o líder romulano do campo, permite que eles vão embora. Worf e os jovens klingons são entregues para a Enterprise, mas Worf mente sobre a verdadeira origem deles com o objetivo de proteger a honra daqueles que ficaram. O capitão Jean-Luc Picard suspeita dele, mas não faz nada.

Produção Roteiro

A história de "Birthright" foi criada a partir da fusão de duas premissas enviadas por roteiristas independentes: a primeira de George Brozak era sobre klingons capturados que não queriam voltar para casa, já a segunda de Daryl F. Mallett, Arthur Loy Holcomb e Barbara Wallace envolvia a possibilidade do pai do tenente Worf ainda estar vivo. A ideia foi inicialmente discutida como um episódio único, com Worf chegando no campo de prisioneiros ao final do segundo ato. A equipe achou que havia "história demais" e assim o produtor executivo Michael Piller, que tinha gostado da premissa, sugeriu que ela fosse dividida em um episódio em duas partes para que fosse melhor desenvolvida, além de ter esperanças de que isso levasse a uma economia no orçamento.

Com a decisão tomada de dividir a história, a captura de Worf foi colocada como clímax da primeira parte, porém os roteiristas ficaram com o desafio de encontrar um subenredo para preencher o restante do tempo do episódio. O roteirista Ronald D. Moore sugeriu que o tenente-comandante Data poderia ter alguma experiência religiosa e metafísica, perguntando-se se ele como um androide poderia ter algo assim, com o resto da equipe então desenvolvendo a ideia de que o personagem poderia ter alguma experiência de quase morte. Entretanto, a ideia da quase morte foi abandonada por ser muito similar ao episódio "Tapestry", enquanto os roteiristas também estavam relutantes em abordar uma temática religiosa em termos absolutos.

Foi o roteirista Brannon Braga quem criou a ideia de Data ter sonhos. Segundo os autores Edward Gross e Mark A. Altman, Braga desenvolveu as cenas dos sonhos depois de comer um bolo de aniversário, porém segundo o autor Larry Nemecek foi depois dele comer uma pizza. Segundo o roteirista, ele se inspirou em arquétipos junguianos para criar imagens incomuns; Braga também seguiu um conselho do ator Michael Dorn, o intérprete de Worf, e colocou um pedaço do sonho mais cedo na história. O subenredo do sonho de Data desde o princípio foi concebido como exclusivo da primeira parte, mas mesmo assim os roteiristas planejaram criar uma história posterior que continuaria esse desenvolvimento; foi inicialmente pensado abordar novamente esse enredo no final da sexta temporada, mas acabou só acontecendo no episódio "Phantasms" da sétima.

O desenvolvimento da segunda parte foi mais difícil, necessitando de longas discussões sobre as ações de Worf em relação ao campo de prisioneiros. O roteirista René Echevarria teve uma conexão especial com o roteiro por seus pais serem imigrantes de Cuba, comentando que "todas as questões que aparecem no episódio, sobre assimilação e como manter sua herança cultural, é algo com que eu cresci". Foi Piller quem defendeu que Worf deveria ser muito mais assertivo sobre ser klingon por achar que o personagem tinha sido retratado muito como um humano anteriormente. Piller também comparou a história com o filme The Bridge on the River Kwai, especialmente a relação de Worf com o líder do campo e com seu relacionamento romântico. Echevarria se esforçou para representar tanto klingons quanto romulanos de uma forma simpática, também existindo alguns debates sobre a profundidade do relacionamento de Worf com Ba'el. Cenas abordando as motivações do personagem Jaglom Shrek foram cortadas por questões de tempo.

Filmagens "Birthright, Part I" foi dirigido por Winrich Kolbe, que trabalhou junto com o diretor de fotografia Jonathan West para a criação das sequências de sonho. Kolbe se inspirou no filme 2001: A Space Odyssey para essas cenas, mas foi instruído pelos produtores a não superexpor ou suberexpor as imagens, mesmo isso não sendo o que o diretor tinha em mente. West utilizou uma lente de dez milímetros e uma Steadicam para filmar essas as sequências, com um pássaro de verdade também sendo usado. As pinturas que Data faz de seus sonhos foram criadas pelos artistas Alan Kobayashi, Jim Magdaleno e Michael Okuda, tendo sido a primeira vez que as imagens foram primeiro criadas digitalmente e depois impressas em telas, com exceção de uma tela de paisagem originalmente criada pelo supervisor de efeitos visuais Dan Curry para o episódio "Hero Worship". A pintura do corredor foi criada por Okuda, que tirou uma fotografia do cenário e depois expandiu o comprimento do corredor usando Adobe Photoshop.

"Birthright, Part II" foi dirigido por Curry, que além de seu trabalho como supervisor de efeitos visuais também há muito atuava como diretor de segunda unidade da série; este foi seu primeiro episódio como diretor e ele creditou West, Dorn e o sonoplasta Alan Bernard por o ajudarem na transição para essa nova função. O jogo de caça klingon tinha sido descrito de forma vaga no roteiro, assim Curry desenvolveu as especificidades usando seus conhecimentos sobre artes marciais e armas brancas; o jogo inicialmente seria algo semelhante a bocha ou boliche, mas o diretor mudou para os klingons tentarem acertar alvos através de aros. Toda vez que a lança do jogo precisava fazer algo específico, foi Curry quem a arremessou de trás das câmeras; foi ele também que projetou a lança, se inspirando na adaga kris de Bali e em armas chinesas. O conhecimento de Curry em tai chi chuan também foi usado para o desenvolvimento da disciplina klingon de movimento mok'bara, que já tinha aparecido brevemente em "Man of the People".

Curry trabalhou com West para usar iluminação a fim de marcar mudanças emocionais no episódio; por exemplo, eles usaram uma iluminação noturna romântica para Worf e Ba'el, mas quando Worf descobre que ela tem uma orelha romulana, ele recua para uma sombra. O cenário do campo de prisioneiros foi criado pelo diretor de arte Richard D. James, que se aproveitou do orçamento expandido possibilitado pela natureza em duas partes da história. As imagens de estabelecimento do campo eram uma miniatura feita de madeira de balsa, líquen e plástico; ela foi criada à pedido de Curry e construída por Kobayashi, com Rick Sternbach aplicando efeitos de envelhecimento. Computação gráfica foi usada para colocar pequenas pessoas caminhando pela miniatura, pássaros voando no céu e inseri-la em uma fotografia de uma floresta de Laos que Curry tinha tirado na década de 1960. A primeira parte foi filmada em dezembro de 1992 e a segunda depois do feriado de final de ano; durante esta pausa todas as plantas e árvores do cenário morreram por terem sido deixadas no escuro e sem cuidados, precisando ser substituídas. Cenas entre Worf e Ba'el e entre Worf e Gi'ral foram cortadas por questões de tempo.