A Área de Proteção Ambiental (APA) do Alto do Mucuri é uma área protegida de uso sustentável localizada nos municípios de Caraí, Catuji, Itaipé, Ladainha, Malacacheta, Novo Cruzeiro, Poté e Teófilo Otoni, estado de Minas Gerais, Brasil. A unidade foi criada pelo Decreto Estadual Nº 45.877 de 30 de dezembro de 2011, e é administrada pelo IEF-MG.
Características A APA foi criada em dezembro de 2011, tendo por objetivos "proteger e recuperar a qualidade das águas superficiais e subterrâneas", "proteger os solos, a fauna e a flora e promover a recuperação das áreas degradadas e a conectividade entre fragmentos florestais" e "promover atividades econômicas compatíveis com a qualidade ambiental desejável para a região".
Alto do Mucuri está situado numa das regiões mais pobres de Minas Gerais, os vales do Jequitinhonha e Mucuri, com baixos índices de desenvolvimento humano (IDH). A implantação da APA provocou conflitos com os pequenos produtores locais, muitos dos quais praticam agricultura de subsistência.
Ressalte-se que o município de Itaipé, com uma população de 12.489 habitantes em 2014, está totalmente inserido no território da APA (48.168,00 ha). Em 2010, seu IDH era de 0,552, um dos dez piores de Minas Gerais. Por conta das restrições à exploração de áreas de Mata Atlântica, que proibiam até mesmo a retirada de madeira da APA por agricultores locais, foi criada em 2011 pelo Ministério do Meio Ambiente a chamada "Bolsa Verde", um auxílio de R$ 300,00 destinado às famílias em situação de extrema pobreza residentes em áreas de preservação ambiental; contudo, mesmo na época, o valor foi considerado irrisório.
Na época da criação da APA, o governo de Minas Gerais anunciou ter superado em 333% a meta de criação de 80 mil hectares de áreas protegidas em 2011.
Plano de manejo Zoneamento O zoneamento foi definido no plano de manejo da unidade de conservação, com o estabelecimento de três macrozonas:
Macrozona 1: áreas de recarga hídrica, com risco geológico, baixa ocupação populacional, fragilidade ambiental, possibilidade de endemismo, monumentos geológicos e inselbergues, complexos rupestres e floresta estacional semidecidual com baixa interferência humana, e áreas com ocorrência de espécies "guarda-chuva". Macrozona 2: áreas com florestas em estágio inicial de regeneração e baixa densidade populacional, e remanescentes florestais passíveis de conectividade (corredores ecológicos). Macrozona 3: áreas com uso e ocupação do solo para agricultura e pecuária, média e alta densidade populacional.
Biodiversidade A APA tem 325.148,8883 hectares inseridos no bioma Mata Atlântica, com fitofisionomia composta por floresta estacional semidecidual e é uma das principais responsáveis pela recarga hídrica da bacia do rio Mucuri.
Dentre as espécies vegetais encontradas na região, encontram-se jacarandá, braúna, ipê, pau d'arco, sucupira, jatobá, jequitibá, angico, cedro e peroba.
No tocante à fauna, foram registradas as presenças de felinos como Puma concolor (puma, onça-parda) e Leopardus tigrinus (macarajaí), peixes como o piau-beiçudo (Leporinus thayeri), anfíbios como o Hypsiboas beckeri, aves como o jacuguaçu (Penelope obscura), e roedores como paca (Cuniculus paca) e cutia (Dasyprocta azarae).
Visitação As áreas de proteção ambiental incluem terras públicas e privadas. As áreas públicas normalmente são de livre acesso; para as privadas, depende da autorização do proprietário. É recomendável consultar o órgão gestor antes da visita (neste caso, o IEF-MG).
Ligações externas
Alto do Mucuri Categoria:Teófilo Otoni Categoria:Fundações no Brasil em 2011