María Teresa de Santa Cruz Figueras (Matanzas, 9 de outubro de 1843 — 1923) , mais conhecida como María de Santa Cruz, foi uma poetisa cubana. Suas obras são reconhecidas pelo tom pessoal e intimista, frequentemente associadas ao retrato da vida rural que marcou sua infância. A obra da autora se insere no movimento romântico, revelado pela exaltação da natureza e do caráter sentimentalista de suas produções. Sua atividade literária se desenvolveu ao mesmo tempo que outras vozes femininas com influência na literatura cubana.

Vida María de Santa Cruz, filha de Francisco Javier de Santa Cruz e María del Carmen Figueras, condes de Mompox e Jaruco. Nasceu em uma área cercada por natureza na cidade de Matanzas em 1843. Recebeu educação domiciliar e seus pais, que já eram professores de carreira, foram seus tutores. Teve três irmãs, entre elas Elena e Manuela. Se mudou ainda criança para um vale conhecido como Macagua, onde viveu “feliz e tranquila”GARCÍA DE CORONADO, Domitila. María de Santa Cruz. In: GARCÍA DE CORONADO, Domitila. Álbum poético fotográfico de escritoras y poetisas cubanas. 3. ed. La Habana: Imprenta de "El Fígaro", 1926. p. 102-116. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/bd/Album_po%C3%A9tico-fotogr%C3%A1fico_de_las_escritoras_cubanas.pdf

Acesso em 17 de maio de 2026.. Inicialmente, a família de María preocupou-se com sua dedicação à poesia, temendo que atrasasse sua formação: “mas sua constância pôde vencer esse poderoso obstáculo (...) logo que compreenderam que era algo espontâneo, um impulso secreto de sua alma, a deixaram em completa liberdade para que seguisse o curso de suas boas ideias”, o que demonstra o talento e compromisso com o ofício da escrita. Não há informações sobre matrimônio ou descendência. María não quis publicar seus versos, mas vários amigos mais próximos difundiram seus versos em diferentes obras, como Nicolás Azcárate, que compilou as recitações da poetisa.

Legado miniaturadaimagem|Coleção de poesias de autores cubanos, primeira edição de Antonio Lopéz Pietro, 1881. As obras de María Santa Cruz fazem parte do movimento romântico. Suas obras são caracterizadas pela sensibilidade de sua “alma pura”, com influência da religiosidade cristã, descrita como “amor para a virtude”. O cenário rural e campestre é representado com recorrência em suas produções, evocando a rotina da vida no campo e sentimentos como o amor. Também apresentam um tom pessoal e intimista, considerando que muitas de suas composições dedicaram-se ao âmbito da família e do cotidiano, a exemplo de seu poema: A mi padre (Para Meu Pai) de 1906. A mi padre pode ser encontrado na coletânea El Parnaso Cubano. A obra é uma homenagem a seu pai, envolvendo sentimentos de amor e perdaSanta Cruz, María. A mi padre. In: VALLE, Adrián del (ed.). El parnaso cubano. Barcelona: Maucci, 1906. p. 185-187. Disponível em: http://simurg.csic.es/view/990002317130204201 Acesso em 26 de maio de 2026.

O poema “!Adios a la Macagua!” ( Adeus para Macagua) foi ambientado no contexto rural em que María viveu, foi publicado inicialmente no jornal literário La Prensa e depois incorporado no Libro de los amores (1862) do escritor cubano José Fornaris (1827-1890). O poema Adios a la Macagua foi dedicado à sua irmã Elena. O poema expressa a saudade do lugar onde a autora cresceu, no qual a exaltação da natureza aparece como elemento central. Conforme se observa no trecho:   "E o campo, com que tristeza,

Dava-me sua despedida!

A suave brisa amorosa

Beijava as verdes canas

E acariciava minha fronte". No século XIX a jurisdição municipal de Managua esteve profundamente ligada à divisão territorial colonial e à expansão agrícola da indústria açucareira. "Managua" também se refere a uma árvore silvestre cubana com madeira dura e fibrosa, comum nas florestas da ilha durante esse período. No século XXI, corresponde ao município Jesús Menéndez, na província Las TunasCAÑIZARES CÁRDENAS, José Luis. Los arabos: “a tres quilo el cubo la tinaja a medio, aguador. Congreso Internacional “Universidad 2026”. 2026 Disponível em: https://rein.umcc.cu/bitstream/handle/123456789/4429/ca%C3%B1izares.pdf?sequence=1&isAllowed=y.

De outro lado, no poema A Fornaris, María de Santa Cruz responde a José Fornaris, recusando o pedido do escritor para que ela renunciasse à escrita e reivindicando seu direito a “singela harpa”, metáfora para a criação poética: "Não temas se me criticam que toco a lira

Louros nem glórias aspiro alcançar

Basta-me que venham os pais de Amira

Com ternos ósculos minha fronte adornar

Mas já te arrependas: sabes, poeta,

Que a singela harpa não posso romper". miniaturadaimagem|Album poético-fotográfico de las escritoras cubanas, por Domitila García de Coronado. Imprenta Militar de Viuda e Hs. de Soler, 1868. Sua obra mais conhecida foi publicada em 1906, intitulada Histórias Campesinas, o livro relata a experiência cotidiana de ser uma mulher em seu contexto social, a vida rural, costumes e desafios, tudo isso de uma maneira íntima e sensível. Em 1913, foi incluída na antologia Florilegio de Escritoas cubanas, com intuito de visibilizar vozes femininas. Em 1926 foi incluída no Álbum poético-fotográfico de escritoras poetisas cubanas, obra que aborda poesia e fotografia.  

Morte María faleceu em 1923, porém não foram encontradas mais informações sobre sua morte.

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