Cabo da Vela (em espanhol, Cabo de la Vela; em wayuunaiki, Jepira) é um cabo e uma localidade costeira da península de La Guajira, no município de Uribia, departamento de La Guajira, no norte da Colômbia. O topónimo também designa o corregimento turístico situado na área do cabo.
Nome
A designação espanhola Cabo de la Vela ocorre em documentação cartográfica e historiográfica desde o início da colonização europeia da costa norte da América do Sul. A forma portuguesa "Cabo da Vela" é usada, entre outras fontes, numa obra de história diplomática publicada pela Fundação Alexandre de Gusmão, do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Na cultura wayuu, o local é identificado como Jepira, um lugar sagrado associado ao destino das almas após a morte. Uma caracterização do Ministério da Cultura da Colômbia identifica Jepira com o Cabo de la Vela e refere-o como o lugar onde repousam as almas dos wayuu mortos.
Geografia e ambiente
O cabo situa-se na Alta Guajira, região de clima árido a seco, caracterizada por precipitação reduzida e défice hídrico. A caracterização oficial do povo wayuu descreve a península como território ancestral deste povo e insere o Cabo da Vela entre os seus lugares sagrados.
A área inclui o Complexo Máfico-Ultramáfico do Cabo de la Vela, formação composta por rochas máficas e ultramáficas interpretada por investigação geológica como um fragmento de litosfera oceânica acrescido à margem continental. O estudo também assinala a presença de rochas ígneas, metamórficas e sedimentares, bem como de estruturas tectónicas e mineralizações de magnesita.
A costa do cabo inclui ecossistemas coralíneos. Um estudo da Universidade de La Guajira salientou a necessidade de melhorar o conhecimento sobre a distribuição e o estado das comunidades de corais locais, como base para o seu acompanhamento e conservação.
História
Navegação castelhana de 1499
Em 1499, a expedição castelhana comandada por Alonso de Ojeda, de que participaram Juan de la Cosa e Américo Vespúcio, percorreu a costa continental das Caraíbas desde a região de Paria até ao Cabo da Vela, antes de rumar para Hispaniola.
A mesma obra reproduz um testemunho de 1512 segundo o qual Juan de la Cosa e Alonso de Ojeda atribuíram ao promontório o nome de Cabo de la Vela.
Pesca de pérolas e povoamento colonial
A costa do Cabo da Vela tornou-se um dos centros de extracção de pérolas na Terra Firme durante o século XVI. A investigação de Eduardo Barrera Monroy refere que os espanhóis tiveram notícia da existência de pérolas na região desde a viagem de Ojeda, em 1499; a primeira exploração de grande escala, porém, desenvolveu-se inicialmente em Cubagua, cujos bancos de ostras entraram em declínio na década de 1530.
No final de 1538, comerciantes e habitantes de Cubagua transferiram-se para a península de La Guajira, onde se estabeleceram em torno dos bancos de ostras do Cabo da Vela. A investigação de Tatiana González trata esta fase como a da pesca de pérolas de Nuestra Señora de los Remedios, entre o Cabo da Vela e o rio de la Hacha, no período de 1538 a 1545.
Segundo a síntese histórica da prefeitura de Riohacha, em 1539 havia dois núcleos relacionados com a actividade: a povoação de Nuestra Señora de los Remedios del Cabo de la Vela, onde se encontravam as autoridades e o cabildo, e as rancherías ou acampamentos de pesca situados perto da actual Musichi.
A exploração assentava em formas de trabalho coercivo. A mesma fonte municipal refere a presença de centenas de mergulhadores indígenas escravizados, provenientes de várias áreas das Caraíbas e do norte da América do Sul. Um estudo recente sobre a pesca de pérolas no Caribe verificou que algumas rancherías do Cabo da Vela empregavam mais trabalhadores indígenas do que as maiores instalações de Cubagua: a de Bartolomé Carreño registava 108 homens e seis mulheres, enquanto outra, pertencente a Diego Núñez de Beltrán, tinha 96 homens e seis mulheres.
A povoação colonial foi transferida para a foz do rio Ranchería entre outubro de 1544 e os primeiros meses de 1545. A fonte municipal relaciona essa deslocação com as dificuldades de abastecimento no meio semi-desértico, confrontos com grupos indígenas da área e ataques de corsários franceses; no novo local, o assentamento passou a chamar-se Nuestra Señora de los Remedios del Río de la Hacha, núcleo histórico de Riohacha.
Actualidade
O Cabo da Vela continua a ser habitado por comunidades wayuu e é procurado pelo turismo. Em 2021, o Instituto de Investigações Marinhas e Costeiras da Colômbia iniciou, com autoridades tradicionais, pescadores, artesãos e instituições locais, um projecto de valorização do conhecimento wayuu e de conservação dos recursos marinhos e costeiros da Média e Alta Guajira.
Em 2025, o Departamento Nacional de Planeamento informou que o projecto, executado pelo INVEMAR com entidades públicas e organizações wayuu, abrangera o corregimento de Cabo da Vela e promovera a articulação entre conhecimento científico e saberes ancestrais no tratamento dos recursos hídricos e costeiros.
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