Ernest Levi Tsoloane Cole (21 de março de 1940 – 19 de fevereiro de 1990) foi um fotógrafo sul-africano. No início da década de 1960, ele começou a trabalhar como freelancer para clientes como a revista Drum, o Rand Daily Mail e o Sunday Express. Ele foi o primeiro fotógrafo freelancer negro da África do Sul. Vida pregressa Cole era um sul-africano negro, nascido em Eersterust, Pretória, em 1940. Seu sobrenome de família original era Kole e ele mais tarde adotou o nome Cole. Ele deixou a escola quando a Lei de Educação Bantu foi implementada em 1953, e concluiu seu diploma por meio de um curso por correspondência com a instituição Wolsey Hall, Oxford. Ele começou a tirar fotografias muito jovem, aos oito anos de idade e, na década de 1950, ganhou uma câmera de um padre católico romano, com a qual Cole ampliou seu portfólio. Ele diz: "Abandonei a escola em 1957 em vez de seguir a educação 'bantu' para servidão, que havia se tornado mais rigorosa do que antes."

Carreira miniaturadaimagem|Fotografia de placas segregacionistas em uma estação ferroviária sul-africana, por Ernest Cole. Em 1958, ele se candidatou a um emprego na revista Drum. Ele foi contratado como assistente pelo editor de fotografia Jürgen Schadeberg. Na mesma época, Cole iniciou um curso por correspondência com o Instituto de Fotografia de Nova York.

Enquanto trabalhava para a revista Drum, Cole começou a conviver com outros jovens negros sul-africanos talentosos — jornalistas, fotógrafos, músicos de jazz e líderes políticos do crescente movimento antiapartheid — e suas convicções políticas se tornaram mais radicalizadas. A partir disso, Cole decidiu desenvolver um projeto que consistia em registrar os males e os efeitos sociais cotidianos do apartheid .

Em seguida, trabalhou no jornal Bantu World (posteriormente renomeado The World e agora The Sowetan), onde seguiu sua carreira como fotógrafo.

Buscando sair da África do Sul, ele foi reclassificado como "coloured" (mestiço), e não negro, porque conseguiu enganar as autoridades. Com isso, ele conseguiu ir para Nova York, nos Estados Unidos, em 1966. Cole secretamente levou as impressões de seu projeto sobre o apartheid com ele. Ele mostrou seu trabalho para a Magnum Photos, o que resultou em um contrato de publicação com os direitos autorais pertencentes à Random House. House of Bondage (1967), o livro resultante, foi proibido na África do Sul.

No livro, Cole escreve: “Trezentos anos de supremacia branca na África do Sul nos colocaram em cativeiro, nos despojaram de nossa dignidade, nos roubaram de nossa autoestima e nos cercaram de ódio.”

Cole recebeu uma bolsa da Fundação Ford para outro livro, A study of the Negro family in the rural South and the Negro family in the urban ghetto (Um estudo da família negra no sul rural e da família negra no gueto urbano). Embora tenha tirado um grande número de fotografias, este projeto nunca foi concluído e nem foram publicados livros adicionais. A partir de 2020, as fotografias desta série começaram a ser digitalizadas e publicadas.

Posteriormente Cole mudou-se para a Suécia, onde se dedicou à produção cinematográfica. As fotos do apartheid que ele havia tirado anteriormente foram amplamente utilizadas pelo ANC em suas diversas publicações.

Morte Cole morreu de câncer pancreático na cidade de Nova York em 18 de fevereiro de 1990, aos 49 anos.

Legado fotográfico Os negativos de Cole foram considerados perdidos por muito tempo, mas uma coleção de 60.000 negativos foi encontrada no cofre de um banco em Estocolmo, Suécia. Em abril de 2018, esse material foi entregue a seus herdeiros, que fundaram o The Ernest Cole Family Trust. Ainda existem 504 fotografias na Fundação Hasselblad, com um valor estimado em mais de um milhão de euros, e a propriedade destas está em disputa judicial. Em 2020, a disputa judicial entre o espólio de Cole e a Fundação Hasselblad ainda estava em andamento.

Com um conjunto de trabalhos de Cole ressurgindo em 2017, seu livro House of Bondage foi relançado em 2022 pela Aperture em Nova York, incluindo um novo prefácio de Mongane Wally Serote e “uma seleção de fotografias inéditas de expressão criativa e atividade cultural em comunidades negras; um corretivo útil para a visão uniforme de opressão e a subjugação que havia sido seu foco.”

O trabalho de Cole foi incluído na exposição de 2025 Photography and the Black Arts Movement (Fotografia e o Movimento das Artes Negras), 1955–1985 na Galeria Nacional de Arte em Washington, D.C.

Prêmio Ernest Cole O prémio anual Ernest Cole foi criado em 2011 sob os auspícios da Universidade da Cidade do Cabo.

Publicações

House of Bondage: A South African Black Man Exposes in His Own Pictures and Words the Bitter Life of His Homeland Today. Nova York: Random House, 1967. Com introdução de Joseph Lelyveld e texto de Thomas Flaherty. The truth about black people in South Africa. Hong Kong: Wide Angle Mirror Press, dezembro de 1977. Muito provavelmente uma publicação pirateada. The Photographer. Gotinga, Alemanha: Steidl, 2010. Editado por Gunilla Knape. Com ensaios de Struan Robertson e Ivor Powel. House of Bondage. Nova Iorque, EUA: Aperture, 2023. The True America. Nova Iorque, EUA: Aperture, 2024.

Documentários

Ernest Cole (2006) – Dirigido por Jürgen Schadeberg, 52 minutos. "Esta é a história do primeiro fotojornalista negro a desafiar o sistema do apartheid na África do Sul. Arriscando-se à prisão, Ernest Cole dedicou sua vida a mostrar ao mundo as injustiças e a exploração da segregação. Mas ele pagou um preço alto por seu trabalho e acabou morrendo no exílio." Ernest Cole: Lost and Found (2024) – Dirigido por Raoul Peck, 105 minutos. O longa foi consagrado com o prêmio L’Oeil d’Or de Melhor Documentário no Festival de Cannes em 2024. No Brasil, foi lançado nos cinemas em maio de 2025 e distribuído pela Imovision sob o título "Ernest Cole: Achados e Perdidos." O documentário, além de apresentar os trabalhos de Cole e refletir sobre sua trajetória profissional e pessoal, também conta como, em 2017, 60.000 negativos "perdidos" de seu trabalho foram descobertos no cofre de um banco sueco.

Coleções As obras de Cole constam no acervo das seguintes instituições públicas:

Instituto de Arte de Chicago, Chicago, Illinois: 12 itens Museu de Arte Moderna, Nova Iorque, Nova Iorque: 41 itens Tate Modern, Londres: 19 itens

Exposições

Exibição de fotojornalismo no Victoria and Albert Museum, em Londres. Life Under Apartheid no Apartheid Museum, em Joanesburgo. eye Africa (1960 a 1998) na Coleção William Fehr do Castelo, Cidade do Cabo. Colour this Whites Only no Museu Tate em Londres Soweto: A South African Myth (2001) – Fotografias dos anos 50 (por Alf Khumalo, Ernest Cole emJürgen Schadeberg). O principal assunto dessa exposição foi levante estudantil de 1976. Ela também incluiu trabalhos de Peter Magubane. Ernest Cole: Photographer (2010) – Embora não tenha sido a primeira, esta foi a maior retrospectiva de seu trabalho exposta em Joanesburgo na Galeria de Arte de Joanesburgo. A exposição foi uma espécie de retorno ao legado de Cole, já que muitas de suas fotografias foram banidas na África do Sul durante o apartheid. Everything Was Moving: Photography from the 60s and 70s (2012) – Realizada no The Barbican Centre em Londres, consistiu em um conjunto de impressões originais de Cole consideradas perdidas há muito tempo, mas que foram redescobertas na Suécia. . A exposição também continha um importante conjunto de trabalhos sobre a África do Sul de David Goldblatt Ernest Cole: Photographer (2014) – Ocorreu na Grey Art Gallery da Universidade de Nova York, na cidade de Nova York. A exposição apresentou mais de 100 cópias raras em gelatina de prata em preto e branco, provenientes do arquivo de Cole. Esta foi a primeira grande exposição individual em museu dedicada às imagens de Cole. Ela foi organizada pela Hasselblad Foundation de Gothenburg, Suécia. House of Bondage (2023) – Realizada no museu de fotografia Foam em Amsterdão, na Holanda, com fotografias provenientes de um arquivo até então inédito de Cole.

No Brasil

As fotografias que compõem o livro House of Bondage (Casa da servidão), de 1967, foram expostas em painel na itinerância de 36ª Bienal de São Paulo no Museu de Arte Contemporânea de Goiás, em Goiânia. Referências

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