A telogénese (do grego telos, que significa «fim», e genesis, que significa «origem») é a fase final de repouso e involução programada do ciclo de vida do folículo piloso, desempenhando um papel crítico na renovação e na homeostase do sistema tegumentar dos mamíferos. Durante este período, que dura cerca de 100 dias no couro cabeludo humano, a atividade mitótica nas células da matriz cessa por completo e o bulbo capilar desliga-se da papila dérmica (a sua fonte de nutrição vascular), queratinizando-se numa estrutura em forma de clava que permanece ancorada superficialmente no folículo. Sob condições fisiológicas normais, este processo ocorre de forma assíncrona e envolve entre 10 a 15% de toda a massa capilar, resultando na perda diária natural de 50 a 100 fios de cabelo. A transição e a estabilização nesta fase são rigorosamente coordenadas por sinalizações moleculares complexas, com destaque para a inibição da via Wnt/β-catenina e a ativação de proteínas da família BMP (proteínas morfogenéticas ósseas) e FGF (fatores de crescimento de fibroblastos), que mantêm as células estaminais do nicho do folículo (o bulge) num estado temporário de quiescência. No término deste período, o folículo inicia a exogénese (a queda física do fio velho) em concomitância com a reentrada na fase anagénica, onde novos estímulos químicos ativam as células estaminais para moldar um novo pelo. Contudo, desequilíbrios sistémicos agudos — como flutuações hormonais severas no pós-parto, stress psicológico extremo, carências nutricionais (particularmente de ferro e zinco) ou infeções febris — podem induzir uma sinalização molecular anómala que empurra prematuramente até 70% dos folículos ativos para o repouso, desencadeando o eflúvio telogénico, uma condição clínica caracterizada pela perda difusa e massiva de cabelo observável cerca de dois a três meses após o evento desencadeante.
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