Elvira Komel (Barão de Cocais, 24 de junho de 1906 - Belo Horizonte, 25 de julho de 1932) foi uma advogada, sufragista e líder feminista brasileira. Concluiu o curso de direito na Universidade do Rio de Janeiro em novembro de 1929. Foi a primeira advogada mulher a exercer a profissão no Fórum de Belo Horizonte, em 1928. No mesmo ano, tornou-se a segunda eleitora mineira. E foi a primeira mulher a se candidatar ao Senado estadual de Minas Gerais.
Durante a Revolução de 1930, Elvira Komel encabeçou o Batalhão Feminino João Pessoa, criado para enfrentar as injustiças do governo, sendo criado para auxiliar o Batalhão Masculino João Pessoa.
Elvira Komel faleceu aos 26 anos de idade e durante sua vida lutou em defesa dos direitos das mulheres e pela educação formal das mulheres.
Biografia Elvira Komel nasceu no então distrito de São João do Morro Grande (atual município de Barão de Cocais) em 1906. Ela era filha do engenheiro austríaco Ernest Komel (atuante na área de usinas elétricas) e da brasileira Marieta Correia Guedes, dona de casa mineira. Começou seus estudos em São João do Morro Grande, se mudando posteriormente com a família para o município de Viçosa.
Em janeiro de 1925 prestou vestibular para cursar direito na Universidade do Rio de Janeiro. A graduação ocorre em novembro de 1929.
Voltando a seu estado natal, passou a residir com os pais no bairro belorizontino de Floresta. Trabalhou como advogada em defesa dos direitos das mulheres.
Casou-se em 1932 com o engenheiro Clarkson de Mello Menezes. Era amiga de escritores como Carlos Drummond de Andrade, Cyro dos Anjos, Pedro Nava e da primeira-dama Alzira Vargas.
Elvira Komel faleceu em 25 de julho de 1932, com apenas 26 anos de idade, e está sepultada no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte. A causa da morte foi oficialmente identificada como decorrente de uma meningite, embora sua família tenha questionado essa informação, defendendo ser um aneurisma cerebral a verdadeira causa mortis.
Atuação política Em 1928, tornou-se a segunda mulher a exercer o direito do voto em Minas Gerais, precedida pela advogada Mietta Santiago (1903 – 1995).
Foi a primeira advogada mulher a exercer a profissão no Fórum de Belo Horizonte. Atou em júris em oposição ao promotor Afonso Arinos de Mello Franco, futuro Ministro de Relações Exteriores e figura notória no meio jurídico brasileiro. A respeito dessa relação combativa com Afonso Arinos, o amigo de Elvira Komel, advogado Alberto Deodato, relata que “ela teve grande atividade forense, enfrentando em vários júris o promotor Afonso Arinos de Mello Franco, que levou dela sempre a pior [...] Acredito que a formação feminista de Elvira teve o seu forjamento no âmbito universitário, pois naquele tempo já se discutia o voto feminino no Rio de Janeiro. Já a mulher mineira era mais do lar, recatada e não participava dos movimentos organizados em prol de seus direitos”.Ingressou em organizações como a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), principal organização sufragista do país, fundada pela zoóloga Bertha Lutz. Em 1929, participou de uma confraternização acadêmica no Paraná representando a FBPF e a União Universitária Feminina de Minas.
Pronunciou conferências e deu entrevistas a favor de causas como a educação das mulheres e o sufrágio feminino. Foi apontada pelo jornal A Noite como líder do movimento feminista em Minas Gerais. Na campanha pelo direito ao voto feminino (sufrágio feminino), Elvira Komel atuou ao lado das advogadas Myrthes Gomes de Campos; Natércia Silveira e Almerinda Farias Gama. Nessa campanha, destaca-se o papel de Elvira Komel e Natércia da Cunha Silveira, a primeira mulher advogada do Rio Grande do Sul, ao pressionarem a comissão elaboradora da segunda versão do Código Eleitoral, que estendeu o direito de voto à mulher, que não era obrigatório.
Em 5 de outubro de 1930, funda o Batalhão Feminino João Pessoa, organização de apoio ao movimento revolucionário de 1930. Batizado em homenagem ao político paraibano assassinado, o Batalhão chegou a contar com oito mil seguidoras no estado de Minas Gerais, mil e duzentas delas na capital. O grupo, que participava de cerimônias cívicas e desfiles militares, citava nominalmente Elvira em seu hino oficial.
Em 1931, como representante do Batalhão Feminino João Pessoa, encontra-se com autoridades como o ministro do trabalho Lindolpho Collor em 1931 para pleitear o direito ao voto e as honras militares (reinvindicação essa que provocou crítica e chacota na imprensa). No mesmo ano recebeu o título de sócia honorária da Cruz Vermelha Internacional.
Ainda em 1931, Elvira Komel presidiu o I Congresso Feminino Mineiro, em Belo Horizonte, composto por representantes de 51 municípios de Minas Gerais. Além disso participaram também mulheres dos estados de Espírito Santo, Goiás, Paraíba e Rio Grande do Sul. O Congresso contou com a participação da primeira-dama, Alzira Vargas, como presidente de honra. Além de discutir pautas feministas, o congresso aprovou por unanimidade uma moção de apoio ao governo revolucionário.
A essa altura chamado de Associação Feminina João Pessoa, o grupo fundado por Elvira se juntou à Legião Feminina em 1931 para dar origem ao Partido Liberal Feminino Mineiro. Nesse mesmo ano é divulgado o anteprojeto da lei eleitoral, que concedia às mulheres o direito ao voto. Elvira celebra a conquista em artigos, mas também critica o texto por considerar que esse põe a mulher casada em situação de inferioridade frente ao homem.
Em 1932, divulga manifesto a favor da pacificação do Brasil e prepara sua candidatura ao senado estadual, tendo no entanto a carreira política interrompida por sua morte prematura.
Em 1932, Elvira foi para Juiz de Fora, onde proferiu diversas palestras sobre a Revolução de 30 e seu caráter político. Ela estava preparando para a sua candidatura ao senado estadual para concorrer como deputada estadual.
Legado e reconhecimento
Colar do Mérito da Justiça Eleitoral de Minas Gerais Elvira Komel Em 2023, foi instituído o "Colar do Mérito da Justiça Eleitoral de Minas Gerais Elvira Komel" por meio da Resolução Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) nº 1.267, de 15 de dezembro de 2023. A insígnia foi criada para homenagear membros da Corte Eleitoral e poderá ser concedida também a personalidades que tenham realizado atividades em prol da Justiça Eleitoral.
Em 2025, a Resolução nº 1.316, de 17/12/2025 do TRE-MG, define novas regras para a outorga do Colar, mantendo a homenagem à Elvira Komel. Essa resolução, no seu artigo 24, diz que serão agraciadas com o Colar do Mérito pessoas físicas ou pessoas jurídicas que tenham prestado relevantes serviços de apoio técnico, institucional ou colaborativo ao TRE-MG e que a "homenagem tem por finalidade fortalecer os laços de parceria e reafirmar o compromisso com a democracia e com a realização de eleições transparentes, legítimas e seguras em Minas Gerais".
Outras homenagens Na década de 30 atuou em Belo Horizonte o Grêmio Literário Elvira Komel.
No ano de 2022, foi inaugurada na Praça da Lagoa em Barão de Cocais uma estátua em sua homenagem, produzida pelo escultor Fernando Poletti. A cerimônia contou com a participação do prefeito Décio dos Santos e da presidente da seção local da OAB, Aline Félix.
Em 2025 foi aprovado o projeto de lei da deputada estadual Ana Paula Siqueira que instituiu a Comenda Elvira Komel, a ser entregue anualmente pelo governador a mulheres que se notabilizarem na defesa dos direitos humanos e da equidade de gênero. Bibliografia CARMO, Dinorah. Elvira Komel, a 1ª feminista revolucionária do Brasil. In: DUARTE, Constância Lima; CARMO, Dinorah; LUZ, Jalmelice. Mulheres de Minas: Lutas e Conquistas. Conselho Estadual da Mulher de Minas Gerais. Belo Horizonte: Imprensa Oficial. 2008, p 270. ISBN 9788562144004.
GAMA, Lélia Vidal Gomes de. Elvira Komel: uma estrela riscou o céu. Edição Imprensa Oficial de Belo Horizonte, 1987.
WANDERLEY, Andrea. «Série "Feministas, graças a Deus!" I – Elvira Komel (1906 – 1932), a feminista mineira que passou como um meteoro». Brasiliana Fotográfica, 25 de julho de 2020. Contém artigo de Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes titulado "Elvira Komel (1906 – 1932), a feminista mineira que passou como um meteoro" e cronobiografia elaborada pela editora do portal, Andrea C. T. Wanderley. Consultado em 17 de junho de 2026.
Referências
Ligações externas
Elvira Komel (1906-1932) - biografia no sítio 500 anos atrás dos panos
Categoria:Advogados de Minas Gerais Categoria:Naturais de Barão de Cocais Categoria:Feministas_do_Brasil