A elastose actínica, também denominada elastose solar, é uma condição dermatológica degenerativa e cumulativa provocada pela exposição crónica e prolongada à radiação ultravioleta (UV), seja de origem solar ou de fontes artificiais como as câmaras de bronzeamento. Do ponto de vista histológico, a radiação UV induz o stress oxidativo e a ativação de metaloproteinases da matriz (MMPs), enzimas responsáveis pela degradação do colagénio e da elastina; este processo resulta na desorganização, espessamento e acumulação anormal de massas amorfas de material elástico degradado na derme papilar e reticular superior. Clinicamente, a patologia manifesta-se em áreas do corpo cronicamente expostas — como a face, a região cervical, o decote e o dorso das mãos —, revelando uma pele visivelmente fotoenvelhecida, caracterizada por xerose (secura), perda acentuada de elasticidade, rugas profundas e uma tonalidade amarelada (cutis rhomboidalis nuchae, quando localizada na nuca). Esta condição afeta predominantemente indivíduos de fotótipos claros (I e II na escala de Fitzpatrick), idosos e profissionais que exercem atividades ao ar livre (como agricultores e marinheiros), sendo o género masculino estatisticamente mais afetado devido a menores hábitos de fotoproteção. Embora a elastose actínica seja uma alteração benigna do tecido conjuntivo, a sua presença é um marcador biológico de dano actínico severo e correlaciona-se diretamente com o aparecimento de lesões pré-malignas e malignas, como a ceratose actínica, o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. A prevenção primária, através do uso diário de protetores solares de amplo espetro (FPS ≥ 30) e barreiras físicas, continua a ser a estratégia mais eficaz, enquanto o tratamento das lesões instaladas envolve o uso de retinoides tópicos, antioxidantes (como a vitamina C), peelings químicos e leiserterapia fracionada para estimular a neocolagénese e a remodelação dérmica.

Categoria:Patologia