Frovida (ou Frouida) é uma divindade local da religião indígena do noroeste da Hispânia, conhecida apenas através de uma inscrição votiva encontrada em Braga, no contexto da antiga Gallaecia romana.
A interpretação da divindade é incerta, tendo sido frequentemente associada a uma possível entidade aquática ou ninfa fluvial, embora esta hipótese não seja consensual na investigação atual.
Epigrafia A única inscrição conhecida foi encontrada em Braga, num contexto arqueológico urbano, e apresenta uma dedicação votiva feita em cumprimento de uma visão religiosa.
A leitura epigráfica estabelecida é a seguinte:FROVIDAE SACRVM MATERNVS FLACCI F(ILIUS) EX VISV V(otum) S(olvit) L(ibens) M(erito)Tradução: “Sagrado a Frovida. Materno, filho de Flacco, em cumprimento de uma visão, cumpriu de bom grado e com merecimento o voto.”
A inscrição foi publicada em estudos epigráficos de Braga e analisada em trabalhos posteriores sobre religião indígena do noroeste peninsular.
Interpretação A natureza de Frovida permanece discutida. Algumas propostas iniciais sugeriram uma possível divindade fluvial, devido a paralelos com outras entidades aquáticas da Gallaecia romana.
No entanto, esta interpretação é debatida. Estudos mais recentes sublinham que a evidência epigráfica é insuficiente para confirmar uma função aquática específica, podendo tratar-se de uma divindade local de carácter tutelar ou revelatório, associada ao contexto visionário da inscrição (ex visu).
A própria forma do teónimo tem sido objeto de discussão filológica, tendo sido proposta a leitura alternativa Frouida, eventualmente relacionada com raízes pré-romanas locais, embora sem consenso académico.
Ver também Mitologia galaica
Alarcão, Jorge de (2009). “A religião de lusitanos e calaicos”, Conimbriga, 48. Encarnação, José d’ (2015). Estudos de epigrafia religiosa do noroeste peninsular. Inscrição de Braga (S. João do Souto), publicada em epigrafia portuguesa do século XIX e reanalisada em corpora modernos.
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