Desde os início da era moderna, vários etnônimos bíblicos da Tábua das Nações em Gênesis 10 foram usados como base para classificar categorias "raciais" humanas (fenotípicas cosméticas) e identidades "nacionais" (etnolinguísticas culturais). A conexão entre Gênesis 10 e os grupos étnicos contemporâneos começou durante a antiguidade clássica, quando autores como Josefo, Hipólito e Jerônimo analisaram a lista bíblica.

A equação moderna dos Semitas, Hamitas e Jafetitas bíblicos com categorias "raciais" foi cunhada na escola histórica de Göttingen no final do século XVIII – em paralelo com outras terminologias mais seculares para raça, como o esquema de cinco cores de Blumenbach para raça.

Análises clássicas de Gênesis 10

As seguintes fontes tentaram igualar a Tábua das Nações bíblica com identidades contemporâneas:

Flavio Josefo

O historiador judeu-romano do século I Josefo, em Antiguidades Judaicas Livro 1, capítulo 6, foi o primeiro autor conhecido que atribuiu etnias conhecidas a alguns dos nomes listados no capítulo 10 de Gênesis. Suas atribuições tornaram-se a base para a maioria dos autores posteriores, e foram as seguintes:

Gomer: "aqueles que os gregos agora chamam de Gálatas([Galls], mas que então eram chamados de Gomeritas". Aschanax (Asquenaz): "Aschanaxianos, que agora são chamados pelos gregos de Reginianos". Riphath: "Rifeanos, agora chamados de Paflagônios". Thrugramma (Togarmá): "Thrugramanos, que, como os gregos resolveram, foram chamados de Frígios". Magog: "Magogitas, mas que pelos gregos são chamados de Citas". Madai: "os Madeanos, que são chamados de Medos, pelos gregos". Javan: "Jônia, e todos os Gregos". Elisa: "Eliseus... eles são agora os Eólios". Tharsus (Társis): "Tharsianos, pois assim era chamada a Cilícia antigamente". Ele também deriva o nome de sua cidade Tarso de Tharsus. Cethimus (Quitim): "A ilha Cethima: agora é chamada de Chipre". Ele também deriva o nome grego de sua cidade, que ele escreve Citius, de Cethimus. Thobel (Tubal): "Thobelitas, que agora são chamados de Iberes". Mosoch (Meseque): "Mosocheni... agora eles são Capadócios." Ele também deriva o nome de sua capital Mazaca de Mosoch. Thiras (Tiras): "Thirasianos; mas os gregos mudaram o nome para Trácios". Chus (Cuxe): "Etíopes... ainda hoje, tanto por si mesmos quanto por todos os homens na Ásia, chamados de Cuxitas". Sabas (Sebá): Sabeus Evilas (Havilá): "Evileanos, que são chamados de Getulos". Sabathes (Sabtá): "Sabathens, eles são agora chamados pelos gregos de Astaboranos". Sabactas (Sabtecá): Sabactens Ragmus (Raamá): Ragmanos Judadas (Dedã): "Judadeanos, uma nação dos etíopes ocidentais". Sabas (Sabá): Sabeus Mesraim (Misraim): Egito, que ele diz ser chamado de Mestre em seu país. "Agora, todos os filhos de Mesraim, sendo oito no total, possuíam o país de Gaza ao Egito, embora tenha mantido o nome de apenas um, os Filisteus; pois os gregos chamam parte daquele país de Palestina. Quanto ao resto, Ludieim, Enemim e Labim, que só habitavam na Líbia, e chamavam o país por si mesmos, Nedim, e Petrosim, e Cesloim, e Caftorim, não sabemos nada deles além de seus nomes; pois a guerra etíope que descreveremos depois, foi a causa da destruição daquelas cidades." Phut: Líbia Antiga. Ele afirma que um rio e região "no país dos mouros" ainda era chamado de Phut pelos gregos, mas que havia sido renomeado "a partir de um dos filhos de Mesraim, que se chamava Lybyos". Canaã: Judeia, que ele chamou "de seu próprio nome Canaã". Sidonius (Sidom): A cidade de Sidonius, "chamada pelos gregos de Sidom". Amathus (Hamateu): "Amatine, que ainda hoje é chamada de Amathe pelos habitantes, embora os macedônios a tenham nomeado Epifânia, a partir de um de seus descendentes." Arudeus (Arvadeu): "a ilha de Arado". Arucas (Arquita): "Arce, que está no Líbano". "Mas quanto aos outros sete [filhos de Canaã], Queteu, Jebuseu, Amoreu, Gergeseu, Eudeu, Sineu, Samareu, não temos nada nos livros sagrados além de seus nomes, pois os hebreus derrubaram suas cidades". Elam: "Elamitas, os ancestrais dos persas". Ashur: "Assírios, e sua cidade Nínive construída por Ashur". Arphaxad: "Arphaxaditas, que agora são chamados de Caldeus". Sala Heber (Éber): "de quem eles originalmente chamavam os judeus de Hebreus". Phaleg (Pelegue): Ele observa que ele foi assim nomeado "porque nasceu na dispersão das nações para seus vários países; pois Phaleg entre os hebreus significa divisão". Joctan "Elmodad, Saleph, Asermoth, Jera, Adoram, Aizel, Decla, Ebal, Abimael, Sabeus, Ofir, Euilat e Jobab. Estes habitaram desde Cophen, um rio indiano, e em parte da Ásia adjacente a ele." Aram: "Aramitas, que os gregos chamavam de Sírios". Uz: "Uz fundou Traconítide e Damasco: este país fica entre a Palestina e a Celesíria". Ul (Hul): Armênia Gather (Géter): Báctrianos Mesa (Meseque): "Meseanos; agora é chamado de Charax Spasinu". Laud (Lude): "Lauditas, que agora são chamados de Lídios".

Hipólito

Hipólito de Roma, em seu Diamerismos (, existente em numerosas cópias latinas e gregas), fez outra tentativa de atribuir etnias aos nomes em Gênesis 10. Pensa-se que foi baseado no Livro dos Jubileus.

Suas diferenças em relação às de Josefo são mostradas abaixo:

Gomer – Capadócios Ashkenaz – Sarmatas Riphath – Sauromatas Togarmah – Armênios Magog – Gálatas, Celtas Javan Elishah – Sículos (Chron Pasc: Troianos e Frígios) Tarshish – Iberos, Tirrenos Kittim – Macedônios, Romanos, Latinos Tubal – "Hettali" (?) Meshech – Ilírios Misraim Ludim – Lídios Anamim – Pamfílios Pathrusim – Lícios (var.: Cretenses) Caphtorim – Cilícios Put – Trogloditas Canaã – PúnicosFranko, George Fredric. “The Use of Poenus and Carthaginiensis in Early Latin Literature.” Classical Philology 89, no. 2 (1994): 153–58. http://www.jstor.org/stable/270661. e fenícios Arkite – Tripolitanos Lud – Halizones Arpachshad Cainan – "aqueles a leste dos Sarmatas" (uma variante) Joktan Elmodad – Indianos Saleph – Báctrios Hazamaveth, Sheba – Árabes Adoram – Carmânios Uzal – Árias (var.: Partos) Abimael – Hircânianos Obal – Citas Ophir – Armênios Deklah – Gedrósianos Aram – "Etes" ? Hul – Lídios (var: Cólquios) Gether – "Gaspeni" ? Mash – Mossinecos (var: Mosocheni)

A Cronografia de 354, o Panarion de Epifânio de Salamina (), o Chronicon Paschale (), a História da Albânia pelo historiador georgiano Movses Kaghankatvatsi (século VII), e a Sinopse das Histórias de João Skylitzes () seguem as identificações de Hipólito.

Jerônimo Jerônimo, escrevendo , forneceu uma versão 'atualizada' das identificações de Josefo em suas Questões Hebraicas sobre Gênesis. Sua lista é substancialmente idêntica à de Josefo em quase todos os aspectos, mas com as seguintes diferenças notáveis:

Thubal, filho de Jafé: "Iberos, que são também os Espanhóis de quem derivam os Celtiberos, embora certas pessoas suponham que eles sejam os Italianos." Gether, filho de Aram: "Acarnânios ou Cários" Mash, filho de Aram: Meones

Isidoro O estudioso Isidoro de Sevilha, em suas Etymologiae (), repete todas as identificações de Jerônimo, mas com estas pequenas mudanças: page 192 page 193

Joktan, filho de Éber: Indianos Saleph, filho de Joktan: Báctrianos Magog, filho de Jafé: "Citas e Godos" Ashkenaz, filho de Gomer: "Sarmatas, que os gregos chamam de Reginianos".

As identificações de Isidoro para os filhos de Jafé foram repetidas na Historia Brittonum atribuída a Nênio. As identificações de Isidoro também se tornaram a base para numerosos estudiosos medievais posteriores, permanecendo assim até a Era dos Descobrimentos promover novas teorias, como a de Benito Arias Montano (1571), que propôs conectar Meseque com Moscou, e Ofir com o Peru.

Samuel Bochart

Publicado em 1646, o Geographia Sacra seu Phaleg et Canaan de Samuel Bochart foi a primeira análise detalhada das Gerações de Noé desde os tempos clássicos, tornando-se – e permanecendo – o locus classicus para tal erudição.

Uso moderno da terminologia racial Escola histórica de Göttingen Estudiosos da escola histórica de Göttingen, que desempenhou um papel importante na criação de uma base "científica" para a pesquisa histórica, cunharam as definições raciais modernas dos termos Semítico, Hamítico e Jafético. Os principais estudiosos foram Johann Christoph Gatterer, August Ludwig von Schlözer e Johann Gottfried Eichhorn.

O Einleitung in die Synchronistische Universalhistorie ("Introdução à História Universal Sincronística") de Gatterer de 1771 foi a primeira publicação a usar esses termos em um sentido étnico. A descrição de Gatterer foi a seguinte: Alemão original Tradução em inglêsAllgemeine Gränzlinien der Mosaischen Bevölkerungskunde.

Die Familien und Stämme, aus denen hernach kleine und grössere Nationen erwachsen sind, haben sich nach gewissen Directionslinien ausgebreitet. Der Mittel punct der Ausbreitung ist in der Gegend des Gebirges Ararat oder Paropamisus, das ist, im Nordwesten von Indien oder um Bactra herum.

Hiebey ist nicht zu vergessen, was Gen. IX, 25-27 steht, daß nämlich den Japhetiten, wie schon ihr Name anzeigt, vom Noach eine vorzüglich grose Ausbreitung als ein eigener Siegen verheisen worden, daß sie auch in Semitischen Ländern Size bekommen, und daß die Canaaniter ihnen, wie den Semiten, dienen sollten. Wie wörtlich dieses erfüllet worden sey, lehrt die alte und neue Geschichte ganz augenscheinlich.

I) Die Japhetiten wohnten zu Mosis Zeiten von Bactria und Sogdiana an rings um das Caspische Meer herum, im Süden bis an die Küsten von Kleinasien, im Norden von dem Uraltag oder den Riphäisschen Gebirgen an bis in Europen hinüber, woselbst die westliche Gränzlinie vom Tyras oder Dnjester an längst den Küsten des schwarzen Meers über Thracien hinweg, bis an die abendländische Küste Griechenlandes, mit Einschliesung der südöstlichen Küste Italiens, fortlief. Die sogenannten Indo-Scythen haben allem Ansehen nach damals schon an dem Ober-Indus hin gewohnt; aber den Persern getraue ich mir zu Mosis-Zeiten noch niche die südlichen Wohnungen, die sie in der Folge inne hatten, einzuräumen.

II) Die Semiten wohnten zu Mosis Zeiten theils in Indien, gegen den Ganges hin, theils an den Küsten des Südmeers bis an den Persischen Meerbusen, in Elymais, Assyrien, Chaldäa, und im südlischen Mesopotamien, und bey weiterer Ausbreitung in einigen Gegenden von Palästina, im Norden und Süden von Arabien, endlich auch, aber vielleicht noch nicht zu Mosis Zeiten, in Abyssinien oder Ethiopien.

III) Die Chamiten wohnten zu Mosis Zeiten in Schinear, das ist in Mesopotamien und Babylonien, sodann im südwestlichen Arabien (aber ungewiß, ob damals schon, wie hernach, in Ethiopien): von da aber durch ganz Egypten, die nächsten Westfänder Lybiens vielleicht mir eingeschlossen, über einen nördlichen Strich von Arabien, und längst der Küste von Palästina und Syrien, Cypern mit eingeschlossen, bis nach Colchis. Mit der Zeit, und zum Theil schon vor Mose wurden die Chamiten, vornämlich durch Semitische Stämme, denen sie in Arabien, Abyssinien und zulezt auch in Canaan weichen musten, sehr eingeschränkt, und hier und da zum Abzug aus Asien, wo ihnen keine Länder zustunden, gezwungen, oder ausgerottet.Esboço Geral dos Estudos Populacionais Mosaicos.

As famílias e tribos, das quais pequenas e maiores nações subsequentemente cresceram, espalharam-se em várias direções. O ponto médio da dispersão está na área das montanhas de Ararate ou Paropamiso, isto é, no noroeste da Índia ou ao redor de Bactra.

Não se deve esquecer o que afirma: que os Jafetitas, como seu nome indica, foram espalhados com sucesso por Noé como resultado de suas vitórias, que também têm tamanho em países semitas, e que os cananeus, como os semitas, deveriam ser subservientes. As histórias antigas e modernas mostram claramente como isso foi literalmente cumprido.