Felipe Wellington da Silva Cruz, conhecido pelo seu nome artístico MC Felipe Boladão (Santos, 25 de fevereiro de 1989 – Praia Grande, 10 de abril de 2010) foi um cantor e compositor brasileiro de funk paulista. Cria da Vila de São Jorge, na Zona Noroeste de Santos, é amplamente reconhecido pela crítica especializada, produtores e artistas do gênero como uma das vozes mais importantes, influentes e geniais da história do funk brasileiro, sendo apontado como o principal pilar e consolidador do chamado "funk consciente" no estado de São Paulo.
Carreira e impacto cultural Felipe iniciou sua trajetória no circuito de bailes da Baixada Santista em meados de 2005. Diferenciando-se das vertentes focadas em temáticas sexuais ou puramente comerciais, Boladão destacou-se pela profundidade poética de suas composições. Suas letras apresentavam crônicas sociais sofisticadas sobre a vida nas favelas, mensagens de paz, espiritualidade, superação e o impacto psicológico da desigualdade socioeconômica na juventude periférica.
Entre as suas obras mais célebres, que se tornaram hinos atemporais da cultura urbana paulista, destacam-se as canções "A Viagem" — considerada uma obra-prima lírica do gênero —, "Tony Country", "Como num Filme de Ação", "Minha Trajetória" e "Fita Lançada". O impacto de suas métricas e de sua voz grave revolucionou a estética do funk de rua, estabelecendo o padrão rítmico e poético que pavimentou o caminho e serviu de inspiração direta para o surgimento do funk ostentação e a subsequente projeção do funk paulista no mercado fonográfico nacional.
Assassinato e repercussão nacional Na noite de 10 de abril de 2010, aos 21 anos de idade, MC Felipe Boladão e seu produtor musical, o DJ Felipe da Silva Gomes (conhecido como DJ Felipe), foram assassinados a tiros no bairro Canto do Forte, na cidade de Praia Grande, enquanto aguardavam uma carona para se deslocarem até um show na capital paulista.
O crime iniciou um dos episódios mais sombrios da história da música brasileira recente. A execução de Felipe Boladão foi o primeiro de uma série de assassinatos contra cantores de funk proibidão e consciente na região da Baixada Santista em um curto intervalo de tempo, que posteriormente vitimou MC Careca, MC Duda do Marapé e MC Primo. As mortes geraram forte comoção social, manifestações públicas e intensa cobertura pela imprensa nacional, motivando reaberturas de investigações criminais pela Polícia Civil e a produção de documentários independentes e de grandes portais jornalísticos denunciando o preconceito institucional e a impunidade nos casos.
Homenagens e legado O legado de Felipe Boladão na cultura de São Paulo é permanente. Em reconhecimento ao seu impacto artístico e à sua relevância sociocultural, a Câmara Municipal de Santos instituiu oficialmente, por meio de legislação municipal, o Dia do Funk na cidade. A data é celebrada anualmente em 25 de fevereiro, dia do aniversário de nascimento de Felipe, servindo como um marco de valorização do funk como patrimônio cultural imaterial das periferias e como homenagem à memória do artista.
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