O (comercializado sob os nomes Wainua ou Wainzua) é um medicamento de última geração classificado como um oligonucleotídeo antissentido conjugado com ligante (LICA), especificamente desenvolvido para o tratamento da amiloidose hereditária mediada por transtirretina (ATTRv) em adultos que apresentam polineuropatia de estágio 1 ou 2. Esta patologia rara e progressiva é caracterizada pela produção de uma forma mutante da proteína transtirretina (TTR) no fígado, que se desdobra e forma depósitos amiloides fibrosos nos nervos periféricos, coração e outros órgãos, levando a danos neurológicos graves e perda de autonomia. O eplontersen representa uma evolução terapêutica significativa em relação a tratamentos anteriores, como a inotersen, devido à sua tecnologia de conjugação com a fração N-acetilgalactosamina (GalNAc), que permite uma entrega direta e altamente eficiente aos hepatócitos.
O mecanismo de ação do fármaco baseia-se no silenciamento genético, onde o oligonucleotídeo se liga seletivamente ao ARN mensageiro (ARNm) da transtirretina, tanto na sua forma selvagem quanto na mutante, promovendo a sua degradação antes que a proteína possa ser sintetizada. Ao reduzir drasticamente os níveis séricos de TTR — com estudos clínicos como o NEURO-TTRansform demonstrando reduções médias de até 81% — o medicamento consegue travar a acumulação de novos depósitos amiloides e, consequentemente, retardar a progressão da neuropatia, melhorando a qualidade de vida dos pacientes. Uma das maiores vantagens práticas do eplontersen é o seu regime posológico, sendo administrado mensalmente através de uma injeção subcutânea autoaplicável por caneta pré-carregada, o que elimina a necessidade de visitas frequentes ao hospital e de monitorização laboratorial quinzenal rigorosa exigida por gerações anteriores de inibidores.
Em termos de aprovações regulamentares, o eplontersen recebeu a sua primeira autorização de comercialização pela FDA nos Estados Unidos em dezembro de 2023. Seguiram-se outras agências globais, incluindo a ANVISA no Brasil em setembro de 2025 e a EMA na União Europeia, onde foi aprovado no início de 2025. No que diz respeito à segurança, os ensaios clínicos indicam que o medicamento é geralmente bem tolerado, embora o efeito adverso mais comum seja a redução dos níveis séricos de vitamina A (retinol), uma vez que a proteína TTR é responsável pelo seu transporte no sangue. Por este motivo, recomenda-se que os pacientes em tratamento façam uma suplementação diária de vitamina A para prevenir complicações oculares, como a cegueira noturna. Atualmente, o eplontersen continua a ser estudado em ensaios de fase III (como o CARDIOtransform) para avaliar a sua eficácia no tratamento da cardiomiopatia amiloide, o que poderá expandir significativamente a sua indicação terapêutica no futuro.
Referências
https://ir.ionis.com/news-releases/news-release-details/eplontersen-granted-us-fda-fast-track-designation-patients
https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/nda/2024/217388Orig1s000Approv.pdf https://www.maestrodatabase.com/blog/wainzua-eplontersen-approved-in-the-eu-for-the-treatment-of-hereditary-transthyretin-mediated-amyloidosis-in-adults-with-stage-1-or-stage-2-polyneuropathy
Categoria:Medicamentos Categoria:Doenças raras