O tiroteio de 1995 na Universidade de São Paulo foi um tiroteio escolar ocorrido em 11 de dezembro de 1995. O estudante Christian Hartmann, de 21 anos, atirou em dois colegas, matando um deles, antes de se suicidar com um tiro autoinfligido na boca.
Fundo
A Universidade de São Paulo, abreviada como "USP", é uma universidade pública localizada na capital paulista, São Paulo, Brasil. Ela é uma universidade que foi fundada em agosto de 1827 como Academia de Direito, mas depois, em janeiro de 1934, foi trocada por universidade.
A Universidade de São Paulo é a maior universidade do território de São Paulo e do Brasil. Ocupando, em dados recentes, mais 97 mil estudantes, 5,3 mil professores e 12,6 mil funcionários da instituição.
Antes do ataque de 1995 ocorrer, a Universidade de São Paulo já foi palco de outros incidentes e crimes, incluindo outro tiroteio na universidade semelhante. Entre os crimes ocorridos, estão:
Em setembro de 1979, Dan Martin Blun, um estudante de veterinária, atingiu a prostituta Maria Regina Rezende com uma injeção de veneno, o curare, antes que Martin ateasse fogo na vítima que morreu. Em março de 1993, a estudante do segundo ano, Rosemary Harue Bonk, se arremessou do terceiro andar da universidade, cometendo suicídio e morrendo na hora, após cair nas grades de um monumento, fraturando diversos membros do corpo. Em 18 de maio de 1993, um ataque a tiros semelhante ocorreu na universidade. O estudante Mauro Carvalho Mota, 25, armado com um revólver, disparou tiros contra sua ex-namorada e o atual dela, Marcia Maria de Moura, 20, e Alexandre Alarcon do Passo Suaide, 21. Ambos foram baleados no rosto e sobreviveram.
Ataque Por volta das 9h, o estudante do terceiro ano de engenharia, Christian Hartmann, de 21 anos, estava no laboratório CIS-Poli, abreviado como "Centro de Integração de Sistemas". Cinco minutos depois, chegaram os dois estudantes, Eric Hernandez Monteiro, 25, principal testemunha do ataque, e seu colega, Winston Hooki Goldoni, 23.
De acordo com Hernandez, Hartmann estava sentado e jogando xadrez em um dos computadores da sala de aula. Pouco tempo depois, às 9h30, Renata Cristina Francisco Alves, 20, namorada de Hooki, chegou à sala de aula também.
Hernandez e Hooki saíram da sala para imprimir uma cópia de trabalho, deixando Hartmann e Cristina sozinhos.
Foi nesse momento, que às 10h, Hartmann, armado com uma pistola calibre 380, disparou tiros contra Renata, atingindo-a várias vezes. No meio dos tiros, Hooki foi verificar o que estava acontecendo, quando foi entrar na sala, foi atingido por diversos disparos de Hartmann. Depois de atingir ambas as vítimas, Hartmann disparou um tiro contra si mesmo.
Hernandez, que presenciou o ataque, comentou à imprensa: "Em seguida, vi a Renata cambaleando e o Christian com a arma na mão. Pedi calma e fui atrás de ajuda. Quando eu voltei para a sala, já o achei morto." Hernandez havia implorado para Hartmann se acalmar e correu para buscar ajuda.
Com as duas vítimas e o atirador com ferimentos de disparo de arma de fogo, uma faxineira correu para uma sala próxima para alertar sobre os baleados. O ex-estudante de medicina, André Bandeira, 24, junto com alguns funcionários da universidade, correram para socorrer os três e os levaram para uma ambulância no campus da universidade. Bandeira comentou que: "A Renata gemia muito, mas, antes de entrar na ambulância, silenciou."
Onze disparos ocorreram dentro da universidade. Duas vítimas e o atirador foram atingidos por disparos de arma de fogo, seis em Cristina, três em Hooki, um na parede e o décimo e primeiro disparo suicida por Hartman. Hartmann tinha mais 15 balas não utilizadas.
Perpetrador O atirador mais tarde foi identificado como Christian Hartmann, de 21 anos. De acordo com seu tio, Antônio Sérgio Ferrer, 37, ele era um aluno "brilhante". Hartmann cursava o terceiro ano de engenharia mecatrônica com Cristina, uma das vítimas do ataque. Ele foi aprovado no vestibular de engenharia da universidade.
No ano anterior, ele havia sido integrado em um grupo de estudantes de robótica que foi a um concurso no Japão, onde Hartmann ficou em segundo lugar, nunca tendo problemas em seu comportamento que pudesse se comparar ou prever o ataque.
O tio de Cristina, Antonio Francisco Alves, 38, comentou que Hartmann não aceitava o fim do relacionamento, que durou até o ano anterior ao ataque. Hartmann ligava para Cristina em diversas ocasiões, mesmo ela estando na faculdade ou em casa, tentando recuperar o namoro.
A família de Cristina havia denunciado Hartmann à polícia por causa das ameaças, sem registrar um boletim de ocorrência. Sem conseguir provas, a polícia não seguiu a investigação.
Hooki comentou em entrevista no hospital que Hartmann mandava muitas cartas a Cristina e que não aguentava ver a situação do namoro. E afirmou que o casal "ia ver", e que ia tomar uma decisão drástica, já que as duas vítimas estavam namorando há dois meses.
Thiago Santos, um dos colegas de Hartmann, comentou que o atirador era "sombrio" e calado. Uma funcionária afirmou que Hartmann gaguejava quando se sentia acuado.
As famílias de Hartmann e Cristina contestaram a versão do namoro de ambos um ao outro. Paulo Rodolpho Hartmann contestou a versão dos pais de Cristina de que ela e Hartmann nunca namoraram. Já os professores Paulo Miyagi e Antônio Carlos de Lima afirmaram que ambos eram reservados e que não tinham contato algum entre si.
Hartmann teve um comportamento estranho, de acordo com seu pai, pois Rodolpho revelou que Hartmann tem uma paixão por videogames e falta de interesse no futebol.
O motivo de seu ataque foi que Hartmann estava com ciúmes de Cristina com Hooki. De acordo com o psiquiatra, Guido Palomba, Hartmann teve uma manifestação de protestos em relação ao relacionamento das vítimas e que o ciúme havia o cegado.
Além disso, havia boatos de que Hartmann iria ser transferido para o curso de matemática, de acordo com Hooki.
Hartmann havia adquirido a pistola em uma loja de fabricação em São João Clímaco, zona sul de São Paulo, 11 dias antes do ataque. Na loja do Center Fire, Hartmann pagou 630 reais pelas balas e pela pistola, registrando a arma em seu nome.
Vítimas Três estudantes foram atingidos pelos disparos, dois homens de 23 e 21 anos e uma mulher de 20 anos. O atirador, de 21 anos, e a mulher morreram no ataque, e o terceiro estudante atingido ficou gravemente ferido e sobreviveu.
Winston Hooki Goldoni, 23, levou tiros nas regiões do tórax, no braço direito e na cabeça. Ele foi o primeiro a ser socorrido e levado ao Hospital Universitário, mais tarde, transferido para o Hospital das Clínicas, consciente e falando, mas os médicos consideravam seu estado grave.
Hooki foi operado na noite do ataque e confirmaram que três tiros atingiram Hooki, sendo que dois deles não foram graves. Ele foi submetido a craniotomia. Hooki, apesar de ser baleado na cabeça, não ficou em coma. O que foi uma boa notícia aos paramédicos do hospital local.
Diante das graves lesões de Hooki, o estudante conseguiu sobreviver após ficar 56 dias internado. Ele sofreu uma sequela pelo disparo na cabeça, que ao atingir seu maxilar, saiu pelo lado direito da testa, fazendo a vítima perder um olfato. Ele perdoou Hartmann pelo ataque.
Christian Hartmann, 21, disparou um único tiro na própria boca, morrendo depois, antes de chegar ao hospital.
Renata Cristina Francisco Alves, 20, levou seis tiros no tórax e cabeça. Apesar de ser socorrida pelo colega e os funcionários, ela morreu ao dar entrada na ambulância.
Consequências Após o ataque, a polícia abriu um inquérito. O delegado Bento da Cunha Jr., de 35 anos, havia dito que a arma de fogo usada no ataque era uma pistola calibre 380, semelhante ao calibre 9mm. Os policiais apreenderam a arma de fogo.
No campus, estudantes locais conversaram sobre o ataque e não acreditavam que Hartmann tinha capacidade de matar Cristina, apesar de sua obsessividade.
O diretor da Poli, Célio Taniguchi, divulgou duas notas à imprensa, lamentando as mortes e o ferido, sendo elas:
"É com imenso pesar que a direção da Escola Politécnica registra o trágico episódio ocorrido hoje pela manhã em dependência do nosso Departamento de Engenharia Mecânica, envolvendo os nossos alunos Christian Hartmann, de 21 anos, Renata Francisco Alves, de 20 anos, e Winston Hooki Goldoni, de 23 anos."
"Lamentavelmente, informamos que Renata e Christian vieram a falecer poucas horas depois do incidente, no Hospital Universitário da USP, enquanto Winston foi transferido para o Hospital das Clínicas, onde permanece internado em estado grave."
Dias depois, Cristina foi enterrada às 10h, no Cemitério da Quarta Parada,em Belém, zona leste de São Paulo, sob forte comoção. Sua mãe chorava e repetia a palavra "crueldade", acompanhada por cerca de 200 pessoas. Já Hartmann foi enterrado, às 8h, no cemitério da Paz, zona oeste, em Morumbi. Os pais do atirador não quiseram dar entrevista e o irmão ameaçou os cinegrafistas e jornalistas locais.
Ver também Universidade de São Paulo - Universidade onde ocorreu o ataque Tiroteio de 2025 na Universidade Estadual da Paraíba - Outro tiroteio em universidade brasileira
Massacre da Vida Nova - Outro ataque a tiros em escola na mesma década Ataque à Escola Estadual Thomazia Montoro - Outro ataque em escola na capital, em 2023 Ataque na Escola Estadual Sapopemba - Outro ataque em escola na capital, em 2023 Tiroteio na escola de Taiúva - Outro ataque a tiros em escola, que terminou com o suicídio do atirador Massacre de Suzano - Maior tiroteio escolar de São Paulo Lista de ataques e invasões escolares no Brasil Lista de massacres escolares no Brasil por número de mortos
Referências Mendes, R. (1996). Crimes passionais no Brasil urbano. Editora Sulamérica. Almeida, T. (1997). "Dinámicas de violencia íntima en jóvenes universitarios". Revista Paulista de Sociología, 12(3). Correio de São Paulo. (12 diciembre 1995). "Tragédia em laboratório de informática". Folha Metropolitana. (13 diciembre 1995). "Estudante mata ex-namorada e se suicida". Pereira, J. (1998). Estudos sobre violência em instituições educativas. Universidade Estadual Paulista. Santos, L. (1996). "Reações sociais ao crime passional". Jornal do Interior, 4(11).
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