Poeta da Cidade é o nome artístico de Pedro Freitas (Lisboa, 31 de Março, 1998), poeta, produtor cultural e um dos dizedores de poesia mais reconhecidos em Portugal. Tornou-se conhecido do grande público através da partilha de leituras de poesia nas redes sociais ao mesmo tempo que desenvolvia uma carreira literária e performativa com os seus espectáculos de poesia. Em 2025, venceu o Prémio Livro do Ano Bertrand 2024, na categoria Poesia, com o seu segundo livro de poesia Vim Sem Tempo.
Início de vida Pedro Freitas nasceu em 1998, em Lisboa, filho de pai angolano (Egas Freitas) e mãe portuguesa (Elsa Freitas). Cresceu na periferia, em Loures, cidade onde ainda reside e desde muito jovem demonstrou interesse pela literatura e pelas palavras, influenciado sobretudo por experiências pessoais de leitura e pela exposição a diferentes formas de expressão artística.
O seu interesse pela poesia começou na infância, em parte motivado pelo presente da sua prima Mariana — o álbum Pratica(mente), do rapper Sam The Kid, cujo uso virtuoso da palavra e da rima impressionou o jovem Freitas e o levou a explorar o universo e a escrita poética, bem como as faixas em que Viriato Ventura, pseudónimo de Napoleão Mira, pai de Sam the Kid, entra. Pedro lembra que “esse álbum foi o ponto de viragem para aquilo que hoje se passa na minha vida, e principalmente o facto de eu ter seguido o ‘dizer poesia’. As faixas que o Napoleão Mira tem nesse álbum influenciaram-me e motivaram-me muito. A partir daí comecei a colocar mais esforço e dedicação na escrita e no dizer poesia”
Ainda na adolescência participou em eventos culturais e concursos de leitura em voz alta, incluindo o concurso “Dá Voz à Letra” (2015), promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, onde recebeu pela primeira vez formação em dicção, colocação da voz e respiração. Este contacto com a declamação orientou o seu desenvolvimento e o seu empenho para com a arte de dizer poesia.
Pedro participou também em vários “Poetry Slams”, nomeadamente o de Lisboa, com presença na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e na Faculdade de Letras, onde teve a oportunidade de declamar poemas da sua autoria pela primeira vez.
Educação Freitas cresceu em Loures, onde frequentou a Escola EB 2/3 Luís Sttau Monteiro e, posteriormente, a Escola Secundária António Carvalho Figueiredo. Nesse período, refere a influência de vários professores no despertar do seu interesse pelas palavras e pela literatura, que descreve como “fulcrais na minha incessante busca de mais”.
Após concluir o ensino secundário, ingressou no curso de Estudos Gerais da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que frequentou durante o primeiro semestre. Em 2019, regressou à mesma instituição para frequentar o curso de Ciências da Linguagem.
Poeta da Cidade O projecto Poeta da Cidade surgiu, numa primeira instância, como um projecto independente e anónimo e só mais tarde, com a participação no Got Talent, se tornou numa extensão da prática performativa de Pedro Freitas. A designação foi adotada como forma de sublinhar uma relação entre a poesia e a cidade, entendida como espaço de circulação, escuta e encontro.
Nos primeiros anos do projecto, ele desenvolveu leituras e intervenções poéticas em espaços urbanos de Lisboa, incluindo ruas, praças e zonas de grande circulação. Entre essas práticas destacou-se a escrita e venda de poemas em locais como o Cais do Sodré, produzindo textos na sua máquina de escrever em resposta a pedidos de transeuntes, numa tentativa de aproximar a poesia do quotidiano e de provocar momentos de estranheza e atenção no espaço público.
Criou também o seu canal de Youtube onde partilhava leituras, de forma anónima, pela cidade com pequenas encenações plásticas.
O projecto consolidou-se posteriormente no meio digital só em 2020, com a partilha regular de leituras de poesia em vídeo nas redes sociais, em particular na plataforma TikTok. Esta vertente permitiu ampliar o alcance do Poeta da Cidade, levando a palavra dita a públicos mais jovens e diversificados, e foi analisada por vários órgãos de comunicação social como um exemplo da adaptação da poesia aos novos meios de difusão cultural.
Com o crescimento da sua visibilidade, o Poeta da Cidade passou a existir também em contexto editorial e performativo, dando origem à publicação de livros de poesia e à criação de espectáculos que cruzam palavra dita e música, apresentados em salas de espectáculo, teatros e equipamentos culturais por todo o país.
Ela, Metafisicamente doutro Mundo (2022) Ela, Metafisicamente doutro Mundo é o primeiro livro de poesia de Pedro Freitas, publicado em edição de autor em janeiro de 2022. miniaturadaimagem|Capa do livro Ela, Metafisicamente doutro Mundo O livro começou a ser escrito quando o autor tinha cerca de 17 anos, como cumprimento de uma promessa pessoal, e foi desenvolvido ao longo de vários anos antes de ser concluído. Segundo entrevistas, Freitas não tinha inicialmente a intenção de o publicar para venda, mas percebeu que os temas explorados — visão do mundo, do amor e do feminino — podiam ressoar com um público mais amplo.
A obra reúne 192 páginas de poemas e inclui ilustrações da artista argentina Ana Yael, escolhida pelo autor após este ter acompanhado o seu trabalho nas redes sociais durante a quarentena na Covid-19. Seis das ilustrações foram criadas a partir de poemas específicos da obra, numa tentativa de acrescentar uma dimensão visual ao conteúdo poético.
O título foi descrito como de génese pós-romântica, procurando articular o sentimento do amor enquanto compasso profundo das experiências humanas, abordando-o como entidade imaterial e fundamental para a existência e para a compreensão do mundo.
A primeira edição do livro esgotou cerca de 600 exemplares em pouco mais de um mês, apesar de não ter sido distribuído em lojas físicas, sendo disponibilizado sobretudo através de canais próprios do autor. Freitas afirmou que a escolha de publicar em edição independente lhe permitiu manter controlo criativo sobre o processo editorial e comunicacional, incluindo a forma como o livro seria apresentado e divulgado.
Para complementar a obra literária, Freitas desenvolveu um espetáculo musical inspirado no livro — chamado Metafisicamente doutro Mundo — e produziu videoclips para alguns dos poemas, como “Aqueronte” e “Quando se descobre um amor pt.2”, destacando a intenção de explorar o livro em múltiplas formas de expressão artística.
Ela, Metafisicamente doutro Mundo foi noticiado pelos órgãos de comunicação social portugueses no contexto do seu uso das redes sociais para popularizar a poesia entre públicos mais jovens, sendo frequentemente citado como um exemplo de sucesso de edição independente no meio literário contemporâneo.
Bibliografia Poesia Ela, Metafisicamente d'outro Mundo, edição independente (2022) Vim Sem Tempo, Cultura Editora (2024) Ela, Metafisicamente doutro Mundo, Cultura Editora (2026)
Reconhecimento Em 2024 foi o vencedor do Prémio Bertrand Livro do Ano na categoria poesia com o seu segundo livro Vim Sem Tempo, que reuniu o consenso entre leitores e livreiros como o Melhor Livro de Poesia do Ano.
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