Leon Herzog (1919 – Janeiro de 2013), nascido לײַסאַר הערציק (Iídiche) ou Lajsar Hercyk (Polonês), foi um industrial judeu brasileiro de origem polonesa, sobrevivente do Holocausto e pioneiro da indústria de motocicletas no Brasil. Após sobreviver à perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial, emigrou para o Brasil, onde fundou a marca Leonette de motocicletas leves e ciclomotores, notáveis pelo uso de motores licenciados da Europa Central.

Vida precoce e o Holocausto Ele utilizou o nome falso de Jan Grabowsky e voluntariou-se para trabalhar na Alemanha, onde os nazistas teriam menos probabilidade de procurar por judeus.

Emigração para o Brasil Após a guerra, Herzog emigrou para o Brasil, juntando-se à crescente comunidade de sobreviventes e imigrantes judeus do pós-guerra. Estabeleceu-se na cidade do Rio de Janeiro, onde tinha família, e envolveu-se na pequena indústria e fabricação mecânica. Herzog reuniu-se com parentes já estabelecidos no país, incluindo seu irmão mais velho Bernardo (Berl), que emigrara em 1921.

Em 1948, obteve sua carteira de motorista no Brasil. Sua familiaridade com motocicletas e ciclomotores europeus, combinada com a emergente demanda brasileira por transporte pessoal de baixo custo, posicionou-o como um dos primeiros fabricantes locais do setor.

Início da Carreira no Brasil Baseando-se em sua experiência anterior à guerra na fábrica de bicicletas de seu irmão Saul na Polônia, Herzog começou a trabalhar em pequenas oficinas mecânicas no Rio de Janeiro. Reparava e fabricava peças, migrando gradualmente para a montagem de motocicletas. No final dos anos 1940, já experimentava protótipos que levariam à marca Leonette.

Motocicletas Leonette Fundação e desenvolvimento Nas décadas de 1950 e 1960, Herzog fundou a marca brasileira Leonette, que produzia motocicletas leves e ciclomotores destinados ao mercado interno. A empresa operou antes da chegada dos fabricantes japoneses ao Brasil e é frequentemente citada como parte da geração pioneira de produtores de veículos de duas rodas no país.

De acordo com o jornal O Globo, as motocicletas Leonette preencheram uma lacuna no mercado brasileiro em uma época em que modelos importados eram escassos e caros, oferecendo alternativas produzidas localmente que se tornaram populares entre os jovens motociclistas. Os modelos Leonette combinavam quadros fabricados no Brasil com motores importados ou licenciados da Europa Central (linhagem tcheco-eslovaca Pionier/Stadion).

Design e modelos Os veículos Leonette foram projetados como máquinas simples e robustas para uso urbano. Propagandas da época os retratam como veículos acessíveis para trabalhadores e jovens em um momento em que a motorização privada no Brasil ainda era limitada. Exemplares remanescentes são preservados por colecionadores e museus especializados, como o Moto Museum Hostalek na República Tcheca.

Atividade industrial posterior Após o fim da produção das motocicletas Leonette, Herzog fundou a empresa L. Herzog S.A. Indústria e Comércio, aplicando sua experiência em fabricação mecânica ao emergente mercado brasileiro de "corte e dobra" de aço. Estudos acadêmicos identificam Herzog como um dos inovadores que reconheceram as vantagens centrais do processamento de aço para construtoras.

A empresa tornou-se associada à marca Armafer. Na década de 1990, tanto a L. Herzog quanto a Armafer foram listadas como afiliadas da Companhia Siderúrgica da Guanabara (COSIGUA), parte do Grupo Gerdau. A aquisição da empresa de Herzog foi estratégica para a expansão do Grupo Gerdau no setor de serviços de construção.

Família Herzog foi casado com Yvonne Herzog (nascida Schaack), filha do músico luxemburguês Nikolaus Schaack. O casal teve uma filha, a musicista Myrna Herzog, e dois filhos, Alex e Arthur Herzog. Através do casamento de Myrna com Eliahu Feldman, os Herzogs ligaram-se à família Feldman do Rio de Janeiro. Leon e Yvonne doaram um conjunto de hanukiot produzidas e colecionadas por Joseph Feldman ao Museu Judaico do Rio de Janeiro, formando a chamada Coleção Feldman.

Filantropia Em 1992, Herzog presidia o conselho dos Amigos Brasileiros da Universidade Hebraica de Jerusalém. Ele serviu como presidente da entidade por 11 anos.

Ver também História dos judeus no Brasil Museu Judaico do Rio de Janeiro Joseph Feldman

Referências

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