Vajrolimudrá"vajrolimudrá". Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Academia Brasileira de Letras. (Sânscrito: वज्रोली मुद्रा, vajrolī mudrā), o Selo Vajroli, é uma prática no Haṭa ioga que exige que o iogue preserve seu sêmen, seja aprendendo a não liberá-lo, seja, se liberado, sugando-o pela uretra a partir da vagina de "uma mulher devotada à prática de ioga".

O mudrá foi descrita como "obscena" pelo tradutor Rai Bahadur Srisa Chandra Vasu, e como "obscura e repugnante" por outro tradutor, Hans-Ulrich Rieker.

O mudrá raramente é praticada nos tempos modernos. Ela foi tratada, no início do século XX, pela sexóloga americana Ida C. Craddock, e os processos legais resultantes levaram à sua prisão e suicídio. O explorador Theos Bernard aprendeu e ilustrou a postura associada ao mudrá. O pioneiro da ioga moderna, Krishnamacharya, fornece instruções impraticáveis para o mudrá, demonstrando, na opinião de Norman Sjoman, que ele nunca tentou a prática.

Contexto

O hataioga é um ramo da ioga que se desenvolveu por volta do século XI. Assim como formas anteriores como os Sūtra de Patañjali, seu objetivo final era a libertação, moksha, e seus métodos incluíam meditação. Acrescentou um conjunto de métodos físicos que contribuem para a libertação, incluindo técnicas de purificação (satkarmas), posturas não sentadas (asanas), elaborado controle da respiração (pranayama) e técnicas físicas para manipular a energia vital, os mudrás.

Mudrás são gestos do corpo, usados no hataioga para auxiliar na jornada espiritual rumo à libertação. Mudrás como Khechari mudra e Mula bandha são usadas para selar a energia vital, que pode assumir várias formas, como prana (relacionada à respiração) e bindu (relacionada ao sêmen). As fontes clássicas para os mudrás na ioga são dois textos medievais, o Gheranda Samhita e o Hatha Yoga Pradipika. Contudo, muitos textos de hataioga descrevem mudrás.

O Hatha Yoga Pradipika 3.5 declara a importância dos mudrás na prática de ioga:

Nos séculos XX e XXI, o professor de ioga Satyananda Saraswati, fundador da Bihar School of Yoga, continuou a enfatizar a importância dos mudrás em seu texto instrucional Asana, Pranayama, Mudrā, Bandha.

Mudrá

O vajrolimudrá, o Selo Vajroli, difere de outros mudrás por não consistir em selar fisicamente um fluido vital, mas em recuperá-lo. O mudrá exige que o iogue preserve seu sêmen, seja aprendendo a não liberá-lo, seja, se liberado, sugando-o pela uretra a partir da vagina de "uma mulher devotada à prática de ioga". Ela é descrita no Hatha Yoga Pradipika 3.82–89.Hatha Yoga Pradipika 3.82–89.

O Shiva Samhita 4.78–104 chama o vajrolimudrá de "o segredo de todos os segredos" e afirma que permite "mesmo a um chefe de família" (um homem casado, não um renunciante ióguico) alcançar a libertação. Exige que o homem sugue o rajas, o fluido sexual da mulher, de sua vagina. Explica que a perda de bindu, a força vital do sêmen, causa a morte, enquanto sua retenção causa a vida. O deus Shiva diz: "Eu sou o bindu, a deusa (Shakti) é o rajas."

O Shiva Samhita afirma, na mesma passagem, que Sahajoli e Amaroli são variações do mudrá. Instrui o iogue a praticar usando seu vento para segurar a urina enquanto urina e, então, liberá-la pouco a pouco. Após seis meses de prática, dessa forma, ele se tornará capaz de segurar seu bindu, "mesmo que desfrute de cem mulheres".

Propôs-se que a prática sirva para limpar a bexiga puxando líquidos em direção à uretra como um auto-enema, semelhante ao shatkarma intestinal de basti. Ela também pode ter se desenvolvido a partir de uma prática tântrica de retenção de sêmen do primeiro milênio chamada asidharavrata.

Lugar no hataioga medieval

Entre os primeiros textos xaivitas de hataioga, o celibato e a Vajroli são descritos apenas no Shiva Samhita; sua prática é omitida no Amaraugha, no Yogabīja e no Yogatārāvalī. O Amaraugha afirma que Vajroli é alcançada, presumivelmente com samadhi, quando a mente se torna pura e a sushumna nadi, o canal central, é desobstruída para permitir que a respiração flua livremente. O Vivekamārtaṇḍa e o Gorakṣaśataka, ambos descrevendo em detalhe técnicas de hataioga, não mencionam o vajrolimudrá.

Recepção

Descrição moderna

O vajrolimudrá não é frequentemente descrita em relatos modernos, e menos ainda praticada. A primeira ocidental a escrever sobre ela foi a estudiosa de ioga e sexóloga americana Ida C. Craddock. Opondo-se à cultura religiosa predominante de sua nação na época, o cristianismo protestante fundamentalista, Craddock ficou impressionada com o relato do Shiva Samhita sobre o vajrolimudrá, com "a ideia de que a união sexual poderia facilitar a realização divina". Ela tomou o conceito hindu tantra de que o corpo masculino seria capaz de transformar os fluidos sexuais sugados em um "corpo de diamante" imortal, e o retrabalhou em um sistema envolvendo ejaculação retardada para aumentar o prazer sexual no casamento. Além disso, afirmou que Deus era o terceiro parceiro em tal casamento, "no que equivalia a um sagrado ménage à trois". A ênfase de Craddock na ioga e sua nova "religião místico-erótica" enfureceram as autoridades; ela foi julgada em Nova Iorque por obscenidade e blasfêmia e presa por três meses. Enfrentando acusações federais após sua libertação, em 1902 ela se matou. A estudiosa de ioga Andrea Jain observa que a "sacralização do ato sexual" por Craddock está longe de ser radical pelos padrões modernos, mas foi uma "heterodoxia antissocial" nos anos 1900, levando de fato ao seu "martírio".

O orientalista britânico John Woodroffe descreve a capacidade de um iogue de puxar ar e fluido para dentro da uretra e para fora e diz: "À parte o seu sugerido valor médico como lavagem da bexiga, é um mudrá (técnica física) usado na conexão sexual pela qual o hataiogui suga para si as forças da mulher sem ejetar qualquer de sua força ou substância — prática que deve ser condenada por ser nociva à mulher, que 'murcha' sob tal tratamento".Woodoroffe 1919, p. 210.

O explorador e autor Theos Bernard se ilustra em uma postura denominada vajrolimudrá em seu livro de 1943, como observador participante, Hatha Yoga: The Report of a Personal Experience. A postura, algo semelhante à Navasana, é sentada, as pernas elevadas a cerca de 45 graus e estendidas, o corpo inclinado para trás e as costas arredondadas de modo que as palmas possam ser colocadas no chão abaixo das coxas elevadas, com os braços estendidos. Bernard afirma que foi instruído a aprender isso quando já fosse capaz de fazer a posição de lótus (Padmasana), para que estivesse forte o bastante para usá-la "nas fases mais avançadas" de seu treinamento em hataioga; não há sugestão no livro de que ele tenha seguido a prática completa.

O estudioso de ioga Norman Sjoman critica Krishnamacharya, conhecido como o pai da ioga moderna, por incluir "material sobre práticas ióguicas provenientes dessas fontes acadêmicas em seu texto sem conhecer uma tradição real de ensino ligada à prática". Sjoman explica que Krishnamacharya recomendou, para o vajrolimudrá, "uma haste de vidro a ser inserida na uretra uma polegada por vez". Na visão de Sjoman, isso mostrou "que ele certamente não experimentou isso por si mesmo da maneira que recomenda".

A revista da Bihar School of Yoga de Satyananda Saraswati, observando a crítica ao vajrolimudrá, defende a prática em um artigo de 1985. Afirma que o Shatkarma Sangraha descreve sete práticas de Vajroli, começando com "a simples contração dos músculos urogenitais e, mais tarde, a sucção de líquidos". Acrescenta que só quando as seis primeiras práticas são concluídas é que a última, o "intercurso ióguico", pode ter sucesso. Observa também que o clímax sexual é o único momento na vida comum em que "a mente se torna completamente vazia por si só", mas o momento é breve, pois os chakras inferiores (centros de energia no corpo sutil) estão envolvidos. Reter o sêmen permite que a energia desperte a kundalini, a energia supostamente enrodilhada na base da coluna, em vez disso.

Colin Hall e Sarah Garden, escrevendo na Yoga International, observam que, assim como acontece com "práticas ióguicas" como Khechari mudra, Mula bandha e os vários shatkarmas, como Dhauti (limpeza do trato gastrointestinal por meio de engolir e puxar tiras de pano), o vajrolimudrá é "raramente praticada por alguém". Afirmam que a questão não é se essas práticas são certas ou erradas, mas se são apropriadas em um contexto moderno. A prática está associada ao brahmacharya, desapego em relação ao desejo sexual.

Omissão moderna

A falta de discussão sobre o vajrolimudrá está relacionada à desvalorização histórica mais geral do hataioga como não científico e perigoso. O tradutor Rai Bahadur Srisa Chandra Vasu verteu textos como o Gheranda Samhita e o Shiva Samhita, a partir de 1884, emitindo "severos alertas contra os perigos inerentes ao envolvimento nessas práticas". Vasu intencionalmente omitiu o vajrolimudrá de suas traduções, descrevendo-a como "uma prática obscena, adotada por tantristas de baixa classe". O estudioso de ioga Mark Singleton observou em 2010 que "a prática de vajroli continuou a ser censurada em edições modernas dos textos de haṭha ioga", dando como exemplo a omissão feita por Vishnudevananda em seu Hatha Yoga Pradipika com a explicação de que "está fora dos limites de uma prática salutar", "sáttvica sādhanā", juntamente com sahajoli e amaroli. Similarmente, observa Singleton, o líder da Arya Maitreya Mandala na Europa, Hans-Ulrich Rieker chamou essas três práticas de "obscuras e repugnantes" e as omitiu de sua tradução de 1957 do Hatha Yoga Pradipika.

Fontes

Woodroffe, John (1919), The serpent power: being the Ṣaṭ-cakra-nirūpana and Pādukā-pañcaka: two works on Laya-yoga, reprint Dover Publications (1974).

Categoria:Mudras