A Batalha da Serra do Doutor foi um confronto armado ocorrido no final da tarde de 25 de novembro de 1935, na zona rural do município de Campo Redondo, Rio Grande do Norte. O episódio ocorreu durante a fase final da Intentona Comunista, quando forças comunistas em retirada de Natal tentaram atravessar a região rumo ao Seridó potiguar, sendo repelidas por civis armados, entre os quais se destacava um grupo de militantes integralistas liderados pelo padre Walfredo Gurgel.

Contexto Em 23 de novembro de 1935, militares do 21.º Batalhão de Caçadores (21.º BC), liderados por sargentos e cabos ligados ao Partido Comunista do Brasil (PCB) e à Aliança Nacional Libertadora (ANL), tomaram o controle de Natal, instalando um "Governo Popular Revolucionário" que durou até a manhã de 27 de novembro. Com o colapso do levante em outras capitais (Recife e Rio de Janeiro), os insurretos iniciaram a fuga para o interior, com o objetivo de rearticular forças e expandir a insurreição pelo Seridó potiguar. A batalha No dia 25 de novembro, por volta do fim da tarde, o grupo de comunistas — entre militares do 21.º BC e militantes civis — foi interceptado na Serra do Doutor por uma força local sob liderança do padre Walfredo Gurgel, então vigário de Acari e um dos líderes da Ação Integralista Brasileira (AIB) no Rio Grande do Norte. Antes de rumar para a Serra do Doutor, a força pediu a bênção de Deus e a proteção de Nossa Senhora da Guia na Igreja Matriz de Acari.MELO, Gleiber Dantas. Análise discursiva do Governo do Monsenhor Walfredo Gurgel (1966-1971). Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Pau dos Ferros, 2019.

A linha de defesa foi montada com barreiras de pedra, trincheiras e explosivos improvisados. Conforme relatado por José Pacheco, Walfredo foi o primeiro a chegar e a carregar pedras para a trincheira, coordenando também a distribuição de alimentos e munição para os combatentes. Logo após a chegada do padre, chegaram os "camisas-verdes" que haviam sido organizados por ele, principalmente provenientes de Acari e de Carnaúba dos Dantas, e o ajudaram a montar a defesa. A eles ainda se juntaram sertanejos do Tiro de Guerra de Parelhas, que haviam recuado de Panelas (hoje Bom Jesus) até Currais Novos antes de se dirigirem a Serra.

Os insurretos chegaram ao local em cerca de dez caminhões e automóveis, usando lenços vermelhos no pescoço como símbolo do movimento. A batalha começou com a explosão da cerca de pedras com explosivos que foram colocados pelos integralistas de Carnaúba dos Dantas, que destruiu três veículos. Os comunistas reagiram, tiraram uma metralhadora pesada, operada pelo sargento Abel e pelo sargento Cantídio, de um caminhão, e começaram a atirar. Deu-se início a um intenso tiroteio. Os legalistas estavam em cima, e os comunistas, embaixo.

A reação comunista provocou a fuga de muitos membrosdo Tiro de Guerra de Parelhas, composto principalmente por sertanejos sem experiência militar que haviam se voluntariado para combater a intentona.

Apesar do armamento superior, a força rebelde acabou não resistindo ao contra-ataque articulado pelos "camisas-verdes" e foi forçada a recuar em desordem. Os irmãos integralistas Lúcio, Joel, Manoel e Felinto se destacaram no combate.

Segundo testemunhos de participantes e moradores, a batalha durou cerca de uma hora, terminando com a dispersão dos comunistas ao anoitecer. Diversos combatentes foram feridos, entre três e quatro soldados insurretos do 21.º BC foram mortos, e três veículos foram destruídos. Consequências A Batalha da Serra do Doutor marcou o colapso militar do levante comunista no interior do estado. Os insurretos, derrotados, se dispersaram e, posteriormente, muitos foram presos. Sargento Cantídio, um dos combatentes da batalha, ficou perturbado depois do fracasso da revolta comunista, vindo a matar, tempos depois, a sogra e a esposa em Natal.

A vitória da resistência local, com destaque para a mobilização de integralistas e sertanejos armados, foi explorada politicamente por líderes como Dinarte Mariz, embora ele não tenha participado diretamente dos combates. O episódio se tornou símbolo da rejeição popular ao comunismo.

Bibliografia

Categoria:1935 no Rio Grande do Norte Categoria:Integralismo no Brasil Categoria:Intentona Comunista Serra do Doutor