José Teixeira Coelho Netto (São Paulo, 1944 - São Paulo, 2022), ou simplesmente conhecido por Teixeira Coelho, foi professor universitário, crítico de arte, curador, pesquisador e escritor. Teve uma longa trajetória acadêmica, especializando-se em políticas culturais, área na qual desenvolveu pesquisa em perspectiva comparada. Foi professor titular aposentado, livre-docente, professor adjunto e professor emérito em 2015 pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) e professor sênior do Instituto de Estudos Avançados (IEA USP), onde coordenava o Grupo de Estudos Culturas e Humanidades Computacionais.

Foi diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC-USP) de 1998 a 2002. E atuou como curador-coordenador do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) entre os anos de 2006 a 2014.

Biografia

Formação acadêmica Teixeira se formou em Direito em 1971, pela Faculdade de Direito da Universidade de Guarulhos, em São Paulo. Mestre em Ciências da Comunicação (1976) pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada (1981) pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Pós-doutor (2002) pela Universidade de Maryland, EUA.

Carreira Em 1971, concluiu a graduação em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Guarulhos, em São Paulo. Em 1972, Teixeira ingressou como docente na Faculdade de Arquitetura e Artes da Universidade Mackenzie. Em 1974 foi contratado como professor auxiliar do então chamado Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), hoje denominado Departamento de Informação e Cultura. No mesmo ano o professor deu inicio ao seu mestrado em Ciências da Comunicação na USP, momento em que também realiza um intercâmbio na Universidade de Paris lll, na França. Lá, Teixeira teve como orientador o professor Bernard Dort, crítico de teatro francês e especialista nas obras de Bertolt Brecht (1898-1956). Em 1976 concluiu o mestrado, cuja dissertação foi Em Cena, o Sentido (1976), que foi publicada em livro em 1980. Em 1978, se tornou professor em tempo integral na Universidade de São Paulo. Participou de órgãos colegiados com a intenção de conceber, estruturar e implementar centros e núcleos de ensino e pesquisa, tendo participado da reestruturação do curso noturno da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e facilitado o aspecto profissionalizante do ensino.

Nos anos 1980, Teixeira fundou e coordenou o Observatório de Políticas Culturais da ECA-USP, o primeiro núcleo que pensava a concepção de políticas culturais no Brasil. Os estudos conduzidos levaram ao desenvolvimento do Dicionário Crítico de Políticas Culturais (1997), que teve traduções no México e na Espanha.

Em 1981, obteve o título de doutor em Letras pela Universidade de São Paulo, com a tese Uma Outra Cena, na área de Teoria Literária e Literatura Comparada. No ano seguinte publicou a obra Terra em Transe e Os Herdeiros: Espaços e Poderes (1982) que possui coautoria com Jean-Claude Bernardet (1936). A partir de 1986, a convite do Ministério da Cultura, Teixeira passou a atuar como consultor da Secretaria de Apoio à Produção Cultural, destacando sua tese de livre-docência Usos da Cultura: Políticas de Ação Cultural (1986). O trabalho se baseou em pesquisa realizada em Havana, Cuba, sobre o sistema de Casas de Cultura, com comparações às políticas culturais da Cidade do México (México), Londres (Inglaterra), Le Havre (França) Créteil (França) e São Paulo (Brasil).

Em razão da apreciação positiva do seu trabalho, Teixeira recebeu financiamento da Fundação Fulbright a fim de desenvolver estudos mais detalhados sobre as modalidades de ação cultural implantadas pelo Departamento de Educação do Estado de Connecticut, Estados Unidos. Resultante dessa pesquisa, propôs e implementou, no ano de 1987, o Curso de Especialização em Ação Cultural na ECA-USP, voltado para graduados de diversas áreas e que visava à formação de agentes culturais. Em 1989 tornou-se professor titular da ECA.

Entre os anos 1993 e 1996, o professor dirigiu o Departamento de Informação e Documentação Artística (Idart) da Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo.

Em 2013 foi curador geral da Bienal de Curitiba e também curador chefe da edição de 2015. Foi o criador e coordenador do curso de Especialização em Gestão e Política Cultural do Observatório Itaú Cultural em colaboração com a Universidade de Girona desde 2008.

Foi escolhido para coordenar, junto com Martin Grossmann, também professor titular da ECA-USP, e ex-diretor do IEA-USP, o eixo Cultura e Artes do Programa Eixos Temáticos da USP, instituído pela Assessoria do Gabinete do Reitor da USP.

Em 2015 foi criado o Grupo de Estudos Culturas e Humanidades Computacionais do IEA, o qual tinha o professor Teixeira Coelho como coordenador. O grupo discute a realidade contemporânea das culturas computacionais e digitais e da produção cultural, mediada ou autoproduzida, considerando um cenário em que as máquinas assumiram as funções manuais realizadas pelos seres humanos e avançam, por meio da inteligência artificial, para ocupar também as atividades intelectuais. Teixeira participou pela última vez no IEA como debatedor, no seminário organizado sobre o grupo de estudos em março de 2022, acerca do Futuro das Humanidades na Era Digital. O seminário contou com a participação de Nicolas Shumway, da Universidade Rice, EUA.

Em 2021, tornou-se professor sênior na ECA, dedicando-se à pesquisa em cultura eletrônica no âmbito do Grupo de Estudos Culturais e Humanidades Computacionais.

Museu de Arte Contemporânea da USP Em 1998, assumiu a direção do Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC-USP). Um dos seus objetivos como gestor era integrar o museu com o contexto artístico e cultural da cidade de São Paulo, devido sua relação com a Universidade de São Paulo. Para Teixeira, o MAC e a USP, mesmo estando institucionalmente vinculados, não possuíam os mesmos objetivos e funções sociais, pois para ele, o Museu era um espaço de ação cultural, de radicalidade e de cultura viva. Pretendia tornar o museu um ambiente apropriado para receber exposições, propiciar visibilidade e inserir o museu no circuito internacional da arte.

Desde o início da sua gestão no Museu, o professor priorizou a reestruturação dos três espaços ocupados pelo museu: Ibirapuera, Sede e Anexo, os dois últimos situados na Cidade Universitária. Obtendo recursos por meio de órgãos como a Fapesp e a Fundação Vitae, que, na época, financiavam projetos de adequação de bibliotecas e instituições museológicas brasileiras. Durante sua gestão, o Museu fez uma parceria com o Sesi e expôs, na Avenida Paulista, o acervo em curadorias que abordavam múltiplas dimensões da arte na contemporaneidade, aproximando o público das pesquisas das artes visuais que eram produzidas pela universidade.

Teixeira permaneceu no Museu de Arte Contemporânea até 2002.

Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand Entre 2006 e 2014, atuou como curador-coordenador do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), encarregado do setor artístico da instituição. Teve como objetivo inicial a revisão e reestruturação do plano cultural do museu, tendo em vista o seu fortalecimento e concepção estratégica. Teixeira impôs a criação de um novo conselho técnico-consultivo com representantes da área artística, para que o Museu dialogasse de forma ampla com a sociedade. Outra condição estabelecida foi a ampliação da presença da arte contemporânea tanto na programação expositiva do museu quanto em seu acervo.

Literatura Sua relação com a escrita começou cedo. Desde jovem tinha vontade de escrever. Como contou durante o encontro Ampliação da Esfera de Presença do Ser: Reflexões sobre a Obra de Teixeira Coelho, seminário realizado pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP com apoio do IEA antecedeu a solenidade de titulação de Teixeira como professor emérito pela ECA e aconteceu na antiga sala do Conselho Universitário (CO) da USP:

Mas contou que se torna doloroso escrever em um país em que prevalece o alto índice de analfabetos e pessoas que leem pouco:

Com 44 livros publicados ao longo de sua carreira acadêmica, Teixeira é pioneiro no estudo critico e poético da cultura, entendendo a importância da função da cultura na sociedade contemporânea, bem como das políticas culturais no contexto contemporâneo. Seus livros "Usos da Cultura; políticas de ação cultural" (1986), "O que é Ação Cultural" (1989) e "Dicionário Crítico de Política Cultural" (1997) são de grande importância no aprendizado dos sistemas de produção cultural, no papel do Estado e da atuação da sociedade civil frente à cultura e entendimento dessa relação no mundo contemporâneo.

Destaca-se também como ficcionista. Foi vencedor do Prêmio Portugal Telecom 2007 por seu livro Historia Natural da Ditadura. Outro títulos fictícios que Teixeira publicou são: Niemeyer: um romance (2003), As Fúrias da Mente (1998), O homem que vive (2011). Destaca-se ainda: Moderno Pós Moderno (1995); O que é Utopia (1980); Arte e Utopia (1987); O intelectual brasileiro: dogmatismos e outras confusões (1978); Dicionário do Brasileiro de Bolso (2003).

Prêmios e homenagens

2007 - Prêmio Portugal Telecom pelo livro História Natural da Ditadura, publicado em 2006 pela Editora Iluminuras.

Obras publicadas

Autoria própria 2021: Sinais e Maravilhas: da Arte e Cultura na Era Digital. Iluminuras 2019: eCultura: a Utopia Final: Inteligência Artificial e Humanidades. Iluminuras 2016: Colosso: romance. Iluminuras 2012: O homem que vive – Uma jornada sentimental. 2008: A Cultura e Seu Contrário. Iluminuras 2007: Semiótica, informação e comunicação: diagrama da teoria do signo. Perspectiva 2007: Coleção Itaú Moderno: Arte no Brasil 1911-1980. Itaú Cultural 2006: História Natural da Ditadura. Iluminuras 2006: Coleção Itaú Contemporâneo: Arte no Brasil 1981-2006. Itaú Cultural 2003: Dicionário do Brasileiro de Bolso. Siciliano 2000: Niemeyer: Um Romance. Iluminuras 2000: Guerras culturais: arte e política no novecentos tardio. Iluminuras 1998: As Fúrias da Mente. Iluminuras 1997: Dicionário Crítico de Política Cultural. Iluminuras 1989: O Que é Ação Cultural. Brasiliense 1989: Usos da cultura: políticas de ação cultural 1987: Arte e Utopia – Arte de Nenhuma Parte. Brasiliense 1986: Moderno Pós Moderno. Iluminuras 1984: Fliperama Sem Creme. Brasiliense 1980: Em Cena, o Sentido. Duas Cidades 1980: O que é Utopia. Brasiliense 1980: O Que é Indústria Cultural. Brasiliense 1979: A Construção do Sentido na Arquitetura. Perspectiva 1978: O intelectual brasileiro: dogmatismos e outras confusões. 1973: Introdução a Teoria da Informação Estética. Vozes.

Coautoria

2021: A Tragédia da Cultura. Observatório Itaú Cultural 1996: Céus Derretidos. Ateliê Editorial 1993: Os histéricos. Companhia das Letras

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