A Comunidade Quilombola de Itamatatiua é uma comunidade remanescente de quilombo, população tradicional brasileira, localizada no município brasileiro de Alcântara, Maranhão, Brasil.https://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/cadastro_unico/levantamento-de-comunidades-quilombolas.pdfhttps://www.ipatrimonio.org/wp-content/uploads/2021/01/ipatrimonio-Quilombos-certificados-2020-Fonte-Fundacao-Palmares.pdf A comunidade foi certificada como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares através da Portaria nº 08/2006, de 12 de maio de 2006.https://www.gov.br/palmares/pt-br/midias/arquivos-menu-departamentos/dpa/comunidades-certificadas/tabela-crq-completa-certificadas-04-07-2023.pdf

Certificação A comunidade foi certificada como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares por meio da Portaria nº 08, de 12 de maio de 2006, publicada no Diário Oficial da União. Essa certificação garante o reconhecimento da identidade étnica e cultural da comunidade, além de possibilitar o acesso a políticas públicas específicas, como educação, saúde e programas de fomento à produção tradicional.A certificação também é um passo essencial para o processo de regularização fundiária do território tradicional quilombola. No entanto, embora a comunidade possua processo aberto no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), a titulação definitiva das terras ainda não foi concluída.https://cpisp.org.br/itamatatiua/

Em 2005 as comunidades quilombolas de Alcântara apresentaram denúncias à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA por discriminação racial e violações de direitos territoriais decorrentes da instalação do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). O caso evoluiu para a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH)  e em abril de 2023 o Estado brasileiro foi julgado culpado por sistemáticas violações de Direitos Humanos das comunidades quilombolas em torno do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no município de Alcântara. Foi a primeira vez que o Estado brasileiro foi julgado em caso envolvendo comunidades quilombolas e a primeira vez que as Forças Armadas Brasileiras são confrontadas num tribunal internacional. Durante este julgamento, o Estado brasileiro reconheceu formalmente a violação dos direitos das comunidades quilombolas, pediu desculpas públicas e comprometeu-se a reparar os danos causados, incluindo a titulação das terras. Em setembro de 2024, o governo federal entregou títulos de domínio de terras a essas comunidades, como parte do cumprimento desse acordo.

A falta do título da terra (regularização fundiária) cria para as comunidades quilombolas uma dificuldade de solicitar políticas sociais e urbanas para melhorias de condições de vida, como infraestrutura urbana de redes de energia, água e esgoto.

Tradição e história miniaturadaimagem|Fornos usados na queima da cerâmica A comunidade está localizada a cerca de 60 km da sede do município de Alcântara. Reconhecida por sua rica herança afro-indígena, a comunidade preserva tradições ancestrais, com destaque para a produção artesanal de cerâmica, praticada há mais de três séculos. Essa atividade representa não apenas uma importante fonte de sustento econômico, mas também um elemento central da identidade cultural local, funcionando como elo entre as gerações e expressão da resistência histórica do quilombo.

Um estudo de caráter fenomenológico destaca a importância dos elementos naturais, especialmente a argila, no processo ceramista local. Esses componentes da geodiversidade são apropriados pelas artesãs, incorporando-se à cultura material, à identidade comunitária e à resistência histórica.

A cerâmica de Itamatatiua tem sido destaque em iniciativas culturais locais. Em 14 de agosto de 2024, foi anunciado que o Museu de Alcântara, por meio do projeto "Alcântara: Dos Dinossauros à Era Espacial" , desenvolvido pela Universidade Federal do Maranhão em parceria com o Museu de Alcântara e a Fundação Sousândrade, passaria a exibir objetos produzidos pela comunidade. A ação visa ilustrar o desenvolvimento de Alcântara por meio de seu artesanato, cultura, tradição e inovação.

O artesanato praticado em Itamatatiua é fruto do acúmulo de saberes transmitidos por gerações. Os artesãos da comunidade são detentores de conhecimentos tácitos sobre técnicas de extração, preparação e modelagem de matérias-primas naturais, transformando-as em artefatos que expressam valores, visões de mundo e identidades culturais próprias. Em função desse valor cultural e econômico, instituições de fomento e pesquisa têm promovido ações para garantir a continuidade dessas práticas tradicionais. Nesse contexto, o design tem atuado como ferramenta de apoio ao desenvolvimento de produtos e à valorização do artesanato brasileiro. No entanto, tais intervenções requerem abordagens sensíveis e respeitosas, pois há riscos concretos de descaracterização dos produtos e desconfiguração da cultura local, caso não se leve em conta a autonomia, os saberes e os contextos socioculturais das comunidades envolvidas.

Os Filhos de Santa Tereza Itamatatiua, destaca-se na luta pela preservação cultural  e sendo uma região distante da sede de Alcântara tem costumes e crenças muito próprias da comunidade , como a  devoção a Santa Tereza D’Ávila, assim as pessoas intitulam-se filhos de Santa Tereza.

A crença e a devoção a Santa Tereza D’Ávila faz parte da vida dessa comunidade, essas terras pertenciam à Ordem das Carmelitas. Santa Teresa de Ávila é uma santa de devoção da Ordem das Carmelitas, conhecida como Santa Teresa de Jesus.

Conta a história que um casal de negros teriam recebido as terras em  doação e tudo se confirma por meio do registro de posse da terra, que está entalhado em uma pedra sob a guarda dos antigos moradores.

Em relato oral, contam que a  devoção a Santa Tereza d’Ávila está presente desde os antigos. Contam que a  imagem da Santa foi encontrada no Poço do Chora e a partir disso  passou a se manifestar por meio de sonhos, indicando onde e como queria que sua igreja fosse construída. A comunidade atribui à Santa muitos milagres e a considera protetora do território onde fica a comunidade.

Museu Quilombola de Itamatatiua

Em outubro de 2025 foi inaugurado o Museu Quilombola de Itamatatiua, em Alcântara. Fruto de um trabalho conjunto da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) com a Associação de Mulheres de Itamatatiua, o espaço enaltece o trabalho tradicional realizado pelas ceramistas da comunidade no Centro de Produção de Cerâmica de Itamatatiua, conta a história da forma secular de produção de cerâmica e traz informações sobre a história da comunidade quilombola. Ver também Escravidão no Brasil Movimento negro no Brasil Quilombo Titulação de Comunidades Quilombolas no Brasil

Referências Categoria:Alcântara (Maranhão) Categoria:Comunidades quilombolas do Maranhão

Categoria:Cerâmica do Brasil