Reticências... (1986-1989) é un libro de poemas de Ricardo Carvalho Calero publicado en 1990.

Características

Reticencia no dicionario da RAG é omisión intencionada de algo que debía ou podía dicirse e que non se dixo, ou que non se di claramente. Reticências, en portugués, é o conjunto de três pontos seguidos que constituem um sinal de pontuação que indica suspensão do discurso ou do pensamento, como se ve no título da obra.

É un libro de poemas póstumo, que o autor entregara ao editor con ilusión de velos publicados. Nos cen poemas do libro (22 deles sonetos) están presentes moitos dos recursos e temas usados antes na súa poesía: a técnica dos interrogantes, o didactismo, o menosprezo do goce corporal, reflexións, enumeracións, anáforas, coñecemento e experiencia, odio á poesía morta, antisentimentalismo, certa tendencia ao sermón etc. E tamén aparecen elementos novos como a ironía e o fóra de xogo.

Segundo o Diccionario da literatura galega son poemas inusitados no noso panorama, froito da extraordinaria sensibilidade para os asuntos que lle son gratos... e o uso de referencias ó cotián na constante renovación da linguaxe poética.

Segundo Sindo Villamayor o sentido da morte e da vida, as categorías tempo-espacio, enfrontadas definitivamente polo poeta estoico coa súa única arma: a da racionalidade, un equilibrio mental .

Para Henrique Rabuñal: é un libro complexo, extenso, organizado en seis apartados que visitan temas moi recorrentes. A indentidade entre o ser o desexo, a muller, a "doce e pérfida amante", a "amiga fiel que me tortura sempre", a felicidade que non comporta o amor, a vellez, a soidade e os soños, os eus englobados no eu, a percepción de todos os días ser o mesmo día a a loita tornarse estéril.

Henrique Dacosta sinala: os temas da morte, do sentido da vida, do valor do pasado, do misterio do alén, están presentes nestas composicións. Carvalho Calero, quer poeta, quer home, intúese na soleira da morte.

Contido 1ª parte Névoa de sol 1. Nom lho perguntarei, nom, aos pardais

2. Se somos como somos, por que pujo 3. Ao ficar só, já posto o sol, espero-te 4. Mas se todo termina, que sentido 5. Luitar continuamente, para quê? 6. Mistério da minhoca 7. Que mais tem 8. Todo termina mal. Tés que ajeitar-te 9. Vinhem aqui para os visitar 10. Tanto se amavam que se atormentavam 11. Eu fum alguém? Tal vez ninguém? Anacos. 12. Pido talvez o que nom podes dar-me 13. Nós que vemos o mundo desde a altura 14. Uma alegria de tamanho mediano 15. Un bom dia a velhice 16. Como amei tam desenfreadamente 17. Ainda que vivim pouco, muito sonhei 18. Inesperadamente 19. Gosto da soledade cando espero

20. Só en soledade podes ser feliz 21. E agora som um velho patrom que 22. Um ser humano é uno 23. Pé do ninho dos anjos umha pena 24. Edem, jardim, paraíso 25. Cando o finito alcança a conhecer 26. Como sabe que cedo há de deixá-la 27. O finito é miséria, e o infinito 28. Era a felicidade 29. O espertelho voa 30. Nom acores se na árvore deixaste 31. Douscentos mil quilómetros 32. É natural que areles a perfeita 33. Quantos antroidos 34. Verdadeiro poeta foi. Nom escreveu 35. As palavras nom devem profanar-se. É o logos 36. Aqui me tés, querida

2ª parte Ponte de ar 1. Chuva primaveral lavou o dia 2. Núpcias da pita do monte 3. München-Madrid 4. De Combarro a Arca 5. Cruzando a ria 6. Nom queiras barbear-te enxabroando-te 7. Aquel anjo coas pontas das suas asas 8. Hai um longo caminho entre a terra e o céu 9. Aqueles pés que tam formosos eram 10. Às sete da manhá soa um timbre no sanatório 11. Halley: 1910-1987

12. Director de orquestra 13. A troca dos sonhos 14. Jardim de infância 15. Se vivesse mil anos, qual seria

3ª parte As pétalas da rosa 1. A rosa, embaixadora de fragância 2. A magnólia, camélia, dália ou rosa 3. Deixa-me que me alague na doçura 4. Mulher de doce sal e neve mole 5. Uma boca violeta é fácil de topar 6. Uma coroa de violetas 7. Dormiste no meu leito, e á manhá 8. Nom me interessa a tua roupa interior 9. Se tu tamém te consideras pó 10. O senhor concedeu-che audiência 11. Tu que rompeste a minha soledade 12. Se pudesse separar as tuas dores das minhas

13. Como quem sabe que há de despedir-se 14. E terei de mirar-te 15. Dixo el: Proponho-che que nos amemos 16. Vinte anos esperei a tua visita

4ª parte Cantigas de mulher 1. Tal vez nom voltes a ter entre as tuas maos 2. Nos teus sonhos o meu brancor é de cristal 3. Cando estou bêbada do teu vinho 4. Contempla e agarima a minha trança 5. O teu alento sobre a minha nuca 6. Acepilhando o meu cabelo, sentada

7. O meu cabelo é absolutamente negro 8. Perdoa-lhe, Senhor 9. Lembro o que me figeste sofrer. Lembro 10. Tomava-me umha mao coas duas suas

5ª parte Arredor de si 1. Minha querida mai, mui mal me tratas 2. Todos os meus filhos tenhem o cabelo branco 3. Somos os pacifistas 4. A maior parte desta poesia 5. Figemos a revoluçom burguesa 6. O ódio nom é judeu nem árabe

7. Na China 8. Como pudemos

6ª parte Ilha de luz 1. No Líbano nom hai cedros do Líbano 2. A alopecia em progressom socrática 3. A bela Isolda, filha de Agwisance

4. A fiel Bragane que infielmente pujo 5. Elaine no castelo de Caso 6. Sir Lacelot e as catro rainhas 7. A rainha, orgulhosos seios de ouro 8. Genevra e o Graal nom som incompatíveis 9. Depois de realizarmos muitas cavalarias 10. E dixem eu: Le Roi 11. Carlota cortando fatias de pam 12. Que feliz seria em Elba este home se pudesse 13. Comprendo que quigesses ser Vadim 14. O Orquestra Filarmónica de Osaka 15. Treze monges budistas

Notas

Véxase tamén

Ligazóns externas

20x20pxLuís G. Soto recita un poema de Reticências AELG.

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