Esper Georges Kallás (Itajubá, 1965) é um médico infectologista, pesquisador e professor universitário brasileiro, reconhecido por sua atuação nas áreas de HIV/AIDS, imunologia clínica, vacinologia e doenças infecciosas emergentes.

É professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e diretor do Instituto Butantan desde 2023.

Formação acadêmica Natural de Itajubá, em Minas Gerais, Kallás graduou-se em medicina pela Faculdade de Medicina de Itajubá em 1989. Posteriormente, realizou residência médica em infectologia no Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo e concluiu o mestrado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Sua dissertação, defendida em 1996, analisou fatores de risco para a infecção pelo HIV entre detentos da Casa de Detenção de São Paulo, conhecida como Carandiru.

Em 1999, obteve o doutorado pela Unifesp em regime de cotutela com a Universidade de Rochester, nos Estados Unidos. Sua pesquisa concentrou-se na produção de citocinas por linfócitos T após infecção e vacinação, contribuindo para o entendimento das respostas imunológicas em doenças infecciosas.

Carreira Kallás construiu sua carreira na Universidade de São Paulo, tornando-se livre-docente em 2009 e posteriormente professor titular do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da FMUSP. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu pesquisas em medicina translacional, buscando aplicar descobertas da ciência básica à prática clínica. Suas principais áreas de investigação incluem a infecção pelo HIV, imunologia clínica, vacinas, interação hospedeiro-parasita e mecanismos imunológicos envolvidos em doenças infecciosas. Também atuou como diretor do Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, coordenando estudos clínicos em larga escala relacionados a doenças infecciosas e imunização.

Combate ao HIV/AIDS Desde o início da década de 1990, Kallás esteve envolvido no atendimento de pacientes com HIV/AIDS, período em que a doença ainda apresentava elevada mortalidade e opções terapêuticas limitadas.

Sua produção científica concentrou-se no estudo da imunopatogênese da infecção pelo HIV, no desenvolvimento de estratégias de prevenção e na pesquisa de vacinas contra o vírus. Em entrevistas posteriores, relatou ter dedicado grande parte de sua carreira à busca de uma vacina eficaz contra o HIV, um dos maiores desafios da medicina contemporânea devido à elevada capacidade de mutação do vírus.

Kallás também participou da discussão e implementação de estratégias preventivas modernas, incluindo a profilaxia pré-exposição (PrEP), considerada uma das principais ferramentas para a redução da transmissão do HIV.

Pandemia de COVID-19 Durante a pandemia de COVID-19, Kallás esteve entre os principais especialistas brasileiros envolvidos no enfrentamento da emergência sanitária. Atuou na linha de frente do atendimento clínico e integrou o Centro de Contingência do Estado de São Paulo, responsável por assessorar as autoridades estaduais na formulação de políticas de combate à disseminação do SARS-CoV-2.

Além disso, participou como investigador principal de importantes ensaios clínicos de vacinas, incluindo estudos da CoronaVac no Brasil e pesquisas relacionadas a vacinas contra a dengue desenvolvidas pelo Instituto Butantan.

Instituto Butantan Em janeiro de 2023, Kallás assumiu a direção do Instituto Butantan, sucedendo o médico hematologista Dimas Covas. Sua escolha foi atribuída à ampla experiência em pesquisa clínica, desenvolvimento de vacinas e gestão científica.

À frente da instituição, passou a coordenar iniciativas voltadas ao desenvolvimento de vacinas, biofármacos e projetos estratégicos para a saúde pública brasileira.

Reconhecimento Kallás é considerado uma das principais referências brasileiras em infectologia, imunologia clínica e pesquisa em HIV/AIDS. Sua atuação contribuiu para o avanço do conhecimento científico sobre doenças infecciosas e para o desenvolvimento de vacinas e estratégias de prevenção utilizadas no Brasil e internacionalmente.

Premiações Em 2023, foi laureado na categoria Ciência e Saúde do Prêmio Faz Diferença, organizado pelo jornal O Globo. Em 2024, recebeu a Medalha Oswaldo Cruz por suas contribuições em prol da vacinação no Brasil.

Categoria:Cientistas do Brasil Categoria:Infectologistas do Brasil Categoria:Naturais de Itajubá Categoria:Professores da Universidade de São Paulo