O Partido Comunista dos Trabalhadores Egípcios (em árabe: ) foi um partido comunista no Egito, influenciado pelo maoísmo, ativo nos anos 70 (foi fundado em 1972, na sequência dos protestos ocorridos no país em 1968)., citado em

Linha ideológica O partido considerava um erro fatal a dissolução do partido comunista durante o regime nasserista (que qualificava, tal como o de Sadat, como "burguês burocrático"), e proclamava como objetivo o derrube da burguesia egípcia. No entanto, por outro lado, considerava que o Egito ainda não estava pronto para uma revolução socialista (devido ao fraco peso da classe operária), defendendo em vez disso uma "república democrática parlamentar". e , citados em

O PCTE foi criado a partir da Organização Comunista Egípcia, que se diferenciava-se da esquerda egípcia tradicional por negar que o nasserismo tivesse qualquer papel progressista, considerando-o apenas a expressão de uma "burguesia burocrática" que mais cedo ou mais tarde iria se reconcialiar com o imperialismo, e depois considerou a reformas de Sadat como a consequência lógica das políticas de Nasser (e não como uma traição ao nasserismo, como outras fações comunistas vieram a considerar). Também tinha uma atitude crítica face à União Soviética, que considerava ter uma "deformação estalinista"; em compensação tinha algumas influências do Partido Comunista da China, de Mao Tsé-Tung.

O PCTE tem sido apresentado como parte da chamada "Nova Esquerda" () árabe, surgida após a Guerra dos Seis Dias de 1967, em rotura tanto com os regimes do "socialismo árabe" nacionalista como com os partidos comunistas tradicionais.

História Origens Em 1965, as duas principais organização comunistas egípcias, o Partido Comunista do Egito e o PCE-HADITU-Movimento Democrático de Libertação Nacional, dissolveram-se ambas e integraram-se na União Socialista Árabe, o partido único do regime nasserista. Nesse mesmo ano, vários militantes que haviam recusado a integração no regime, e outros que a haviam aceite mas tinham continuando a sofrer perseguições, criaram a União dos Comunistas (). Em outubro de 1966, numa perseguição anti-marxista, os militantes da União dos Comunistas são presos, e o movimento descrito pelo regime a como um "organização clandestina pró-chinesa".

Após a Guerra dos Seis Dias um desses militantes, o critico literário Ibrahim Fathi, que havia sido libertado em 1967, criou o circulo marxista Khamis wa al-Baqri, um dos vários círculos de estudos marxistas (conhecidos como halaqat) clandestinos que surgiram no Egito no final dos anos 60 (o nome do grupo referia-se a Mustafa Khamis e Muhammad al-Baqri, dois trabalhadores executados em 1952 pelo regime dos Oficiais Livres após protestos operários em Kafr al-Dawwar) Na mesma altura Fathi procurava também criar um movimento literário independente do controlo do estado, colaborando na revista literária Galeria 68 e na associação "Escritores de Amanhã" (); através da sua participação na Galeria 68 e nos Escritores de Amanhã, Fathi levou vários jovens intelectuais para o grupo Khamis wa al-Baqri.

Em 1968, o Egito teve também a sua vaga de protestos estudantis, que abriram caminho a que surgissem e crescescem grupos politicos não alinhados com o regime. É nesse contexto que se desenvolveram os referidos halaqat.

Em dezembro de 1969, o Khamis wa al-Baqri deu origem à Organização Comunista Egípicia (, conhecida como TshM), que mais tarde veio a dar origem ao Partido Comunista dos Trabalhadores Egípcios.

A TshM tinha uma base essencialmente de intelectuais e estudantes (apesar de se proclamar como o verdadeiro partido da classe trabalhadora), tendo a sua maior expansão sido nas universidades. No final de 1971, parecia estar a ganhar bases operárias quando um grupo de trabalhadores de Alexandria aderiu à organização; no entanto, a policia secreta consegui infiltrar essa célula, e um dos membros, sob tortura, revelou os nomes dos membros do Comité Central, que foram presos. Esse evento levou a TshM a reforçar o seu secretismo e a secundarizar a busca de implementação entre a classe operária.

A TshM transformou-se no Partido Comunista dos Trabalhadores Egípcios em 1972 (outras fontes referem setembro de 1975).

Atividade Os estudantes da TshM e do Partido Comunista dos Trabalhadores Egípcios foram influentes no movimento de protesto estudantil que se desenvolveu entre 1971 e 1973, reclamando mais justiça social, o fim do regime autoritário e uma guerra contra Israel para recuperar o Sinai.

Nas eleições de 1976 (as primeiras que iriam ser minimamente abertas), o partido teve uma cisão, com um grupo de militantes que defendia a apresentação de candidatos (como independentes) a abandonar a organização, que seguia a linha de rejeitar qualquer participação nas estruturas do regime.

O partido teve alguma participação na "revolta do pão" em 1977, no entanto a sua influência (e dos comunistas egípcios em geral) nos acontecimentos foi reduzida. Todavia, o regime responsabilizou o PCTE pelos acontecimentos, divulgando assim o nome do partido no país e no mundo árabe. 84 pessoas foram na altura presas acusadas de pertencer ao PCTE (embora alguns pertencessem na verdade a outros partidos comunistas).

Após a revolta de 1977, foi desarticulado pela repressão; em 1992, as poucas estruturas ainda existentes do Partido Comunista dos Trabalhadores Egípcios e do Partido Comunista Egípcio - 8 de Janeiro fundiram-se no chamado Partido dos Trabalhadores Unificado, uma organização largamente sem existência real.

Bibliografia

C Categoria:Partidos políticos fundados em 1972 Categoria:Partidos políticos extintos em 1992