miniaturadaimagem|Capa do jornal de nº 00, publicado em 09 de out. de 1975Brasil Mulher foi um jornal feminista de publicação alternativa, publicado entre os anos de 1975 e 1980, inserido no contexto da ditadura militar brasileira. O jornal surgiu a partir de um coletivo de mulheres que tinha como principal objetivo realizar a campanha pela anistia política no Brasil. O jornal surgiu a partir das figuras de Therezinha Zerbini (1928-2015), militante brasileira ligada ao Movimento Feminino pela Anistia, e de Joana Lopes, jornalista brasileira, que em conjunto ao seu coletivo, fundaram o jornal em 1975 na cidade de Londrina. Posteriormente, houve duas cisões internas no jornal: a de Therezinha, que a levou a criar o periódico Maria Quitéria — em homenagem à Maria Quitéria, militar da Guerra da Independência do Brasil —, e a de Joana Lopes, acompanhada pelo restante grupo fundador.
Foram publicados 16 edições regulares e quatro edições "extras" entre os anos de 1975 a 1980. O jornal era publicado e editado pela Sociedade Brasil Mulher. O jornal foi publicado pela primeira vez no ano de 1975, denominado como o Ano Internacional da Mulher, e distribuido pela primeira vez com uma tiragem de 5.000 exemplares, vendidos no "Encontro para Diagnóstico da Mulher Paulista". Sua tiragem variava entre 5.000 a 10.000 a depender da edição, divulgadas na ficha técnica dos jornais.
Principais temáticas e abordagens Inicialmente, o jornal surge junto ao Movimento Feminino pela Anistia, cuja ideia principal era vincular as discussões a respeito do papel das mulheres dentro de tal processo. A estrtura fixa dos cadernos do jornal são mantidas até a sua sexta edição, e, a partir dali, mudam em relação ao movimento de rompimento de Joana Lopes e seu grupo. Suas estruturas são: Editorial, Anistia, Emancipação, Os Fatos Estão Aí, Educação no Brasil, Trabalho, Direito, Rosa dos Ventos, Arte e Comunicação, Brasil Correio.
O jornal abordava temáticas em torno da produção e ação feminina em relação ao cenário político do Brasil e da América Latina, levando em consideração, principalmente, a discussão em torno da emancipação feminina, explicando e debatendo relações de violência pautadas pelo patriarcado. É definido por Rosalina de Santa Cruz como as principais temáticas as eleições (entre 1976/1978), a Anistia, as campanhas contra a caristia e por creches, os direitos femininos em relação a reprodução (como aborto, pílulas anticoncepcionais, sexualidade), o trabalho feminino e violência doméstica.
Colaboradoras O jornal contou com diversas colaboradoras e coloboradores. Em sua maioria, foram mulheres as responsáveis pelas edições, redações e pesquisas do jornal. É possível verificar a autoria dos jornais em todas as edições em suas fichas técnicas.
Therezinha Zerbini (entre 1975); Joana Lopes Rosane de Lourdes Silva Edezina de Lima Oliveira Rose Mary Souza Serra Neusa Cordoni Ethle V. Kasminski Lais Oreb (diretora responsável) Lila Figueiredo Beatriz do Valie Bargieri Magaly Abdo Clementina de Lurdes Teixeira Martins Amelinha de Almeida Teles Maria Masue Hanazaki Marcelo de Hollanda Maria de Lurdes Leite Regina Toledo Maria Cecilia Pires de Sã Maria José de Azevedo Tania Branca Therezinha Ferrari Marina D'Andréa Setsuko Hanazaki Elizabeth Lorenzolti Giulia Di Vizia Setsuko Hanazaki Vassiliki Constantinidofl
Acesso ao acervo Atualmente, o acesso aos períodicos é possível a partir de três instituições: ASMOB, CEMAP e no Centro Sérgio Buarque de Holanda – CSBH/FPA. Os arquivos denominados "ASMOB" e "CEMAP" se referem, respectivamente, ao Archivio Storico Del Movimento Operaio Brasiliano e ao Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa, hoje pertencentes a UNESP (Universidade Estadual Paulista).
É possível consultar os perídicos de forma gratuita e online a partir do site do Centro Sérgio Buarque. A consulta física dos jornais é possível a partir do agendamento no arquivo da UNESP, localizado na Praça da Sé em São Paulo.
Referências
Categoria:Mulheres Categoria:Jornais Categoria:Imprensa do Brasil Categoria:Imprensa feminista Categoria:Ditadura militar no Brasil (1964–1985)