Alex  Malheiros (Niterói, 19 de agosto de 1946) é um baixista, compositor e multi‑instrumentista brasileiro, conhecido internacionalmente como membro fundador do Azymuth e por fundir jazz, funk e ritmos brasileiros.

Biografia Malheiros começou a tocar profissionalmente nos anos 60, trabalhou como músico de baile no Rio de Janeiro, colaborando em apresentações comandadas por Ed Lincoln, pianista e compositor conhecido como o "rei do swing brasileiro". Essa vivência ao lado de Lincoln e seus parceiros musicais teve papel fundamental na formação do estilo grooveado e dançante que Malheiros desenvolveu posteriormente. e também como musico de estúdio para nomes como Cauby Peixoto e Raul Seixas. Em 1973, fundou o Azymuth ao lado de José Roberto Bertrami e Ivan Conti “Mamão”, grupo que se tornou referência mundial em jazz fusion. Em 2010, em entrevista ao Miami New Times, Malheiros comentou sobre o futuro da música instrumental brasileira e o legado do Azymuth.

Formação e primeiros anos

Nascido em uma família de músicos, Alex Malheiros iniciou-se na música tocando bateria e, ainda criança, estudou piano por dois anos. É filho do baixista Zezinho, conhecido por ter construído o primeiro baixo elétrico brasileiro utilizando cordas de piano, e sobrinho do guitarrista e Luthier Geraldo Malheiros. Influenciado por ambos, decidiu seguir os passos do pai e do tio, especializando-se no contrabaixo. No entanto, também é possível ouvir sua atuação no violão e na guitarra em diversas faixas de sua discografia.

Sua formação musical começou em casa, sob orientação do pai, e se aprofundou com a convivência com artistas da cena de Niterói que frequentavam sua residência, como o pianista Sergio Mendes e o baixista Tião Neto. Demonstrando grande interesse por música e instrumentos desde cedo, Malheiros conquistou seu primeiro emprego como músico aos 13 anos de idade.

A Turma da Pilantragem

No final dos anos 1960, Alex Malheiros integrou o grupo A Turma da Pilantragem, ao lado de músicos como José Roberto Bertrami, Fredera, Victor Manga, Márcio Montarroyos, Ion Muniz e Raul de Souza, além das cantoras Regininha, Dorinha Tapajós, Málu Ballona e do cantor Nonato Buzar. O grupo lançou três LPs: A Turma da Pilantragem (1968), A Turma da Pilantragem (1969) e A Turma da Pilantragem Internacional (1969).

Essa fase foi importante na carreira de Malheiros, marcando sua inserção no cenário profissional e colaborando para a difusão do movimento cultural conhecido como “pilantragem”, que mesclava samba, jazz e soul em arranjos dançantes

Início do Azymuth

Alex Malheiros iniciou sua carreira com o Azymuth, banda que fundou em 1973 no Rio de Janeiro ao lado de seus parceiros José Roberto Bertrami e Ivan Conti. Com sólida experiência como músico de estúdio e influências da cena musical brasileira do final dos anos 1960, Malheiros trouxe ao grupo seu estilo único no contrabaixo, que se tornaria uma marca registrada da sonoridade da banda.

Desde os primeiros trabalhos, Malheiros contribuiu para o desenvolvimento do som inovador do Azymuth, que mesclava jazz, funk, samba e música eletrônica. O trio rapidamente ganhou destaque no Brasil com músicas que integraram trilhas sonoras de novelas populares, como "Pela Cidade" em O Espigão, “Melô da Cuíca” em Pecado Capital, "Linha do Horizonte" em As Locomotivas.

O reconhecimento nacional abriu caminho para a estreia internacional do grupo no Montreux Jazz Festival em 1977 , onde o Azymuth foi o primeiro ato brasileiro a se apresentar. Ao longo dos anos, Alex Malheiros permanece como baixista e curador principal, mantendo a identidade musical que ajudou a construir e expandindo a carreira da banda até os dias atuais.

Estilo e reconhecimento

Alex Malheiros é reconhecido internacionalmente como um dos maiores mestres do groove, tendo desenvolvido um estilo característico no baixo, frequentemente utilizando a técnica de slap com seu instrumento Rickenbacker. Uma de suas performances foi incluída na coletânea Basse Électrique – Les Plus Grands Artistes, lançada pela gravadora Warner Jazz, que reúne nomes considerados entre os maiores baixistas da história, como Jaco Pastorius, Stanley Clarke, Marcus Miller e Abraham Laboriel.

Discografia Solo Atlantic Forest (Milestone, 1985) Zenith (Niterói Discos, 1992) Floresta Urbana (Studio 888, 1996) The Wave – Alex Malheiros & Banda Utopia feat. Sabrina Malheiros (Far Out, 2009) Teatro dos Sons (Mangomusik, 2020) Tempos Futuros (Far Out, 2021)

Discografia com o Azymuth Alex Malheiros gravou dezenas de álbuns como um membro do Azymuth. Entre os lançamentos mais notáveis estão:

Álbuns de estúdio 1975 - Azimüth - Som Livre 1977 - Águia Não Come Mosca - WEA 1979 - Light as a Feather - Milestone Records 1980 - Outubro - Milestone 1982 - Cascades - Milestone 1982 - Telecommunication - Milestone 1983 - Rapid Transit - Milestone 1984 - Flame - Milestone 1985 - Spectrum - Milestone 1986 - Tightrope Walker - Milestone 1988 - Crazy Rhythm - Milestone 1989 - Carioca - Milestone 1989 - Tudo Bem - Intima Records 1990 - Curumim - Intima 1996 - Carnival - Far Out Recordings 1998 - Woodland Warrior - Far Out Recordings 1999 - Pieces of Ipanema - Far Out Recordings 2000 - Before We Forget - Far Out Recordings 2002 - Partido Novo - Far Out Recordings 2004 - Brazilian Soul - Far Out Recordings 2008 - Butterfly - Far Out Recordings 2011 - Aurora - Far Out Recordings 2013 - By Request 2016 - Fênix - Far Out 2025 - Marca Passo - Far Out Recordings

Parcerias Gravou ou tocou com Ana Mazzotti, Eumir Deodato, Tim Maia, Milton Nascimento, Flora Purim, AIrto Moreira, Ivan Lins, Simone, Nana Caymmi, Marcos Valle, Mark Murphy, entre outros.

Trilhas sonoras Incluiu faixas em produções como O Fabuloso Fittipaldi e novelas da TV Globo (Cuca Legal, Pecado Capital, Locomotivas).

Legado Em 2025, o UK Jazz News destacou Malheiros como “o incomparável maestro do baixo elétrico” ao resenhar o álbum Marca Passo do Azymuth.

Ligações externas

Perfil no AllMusic Times (em inglês) Alex Malheiros Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

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