Influências líricas Arthur Schopenhauer; Philipp Mainländer; Emil Cioran; Friedrich Nietzsche; Peter Wessel Zapffe; Albert Camus; Ludwig Feuerbach; Diógenes de Sinope; Heráclito de Éfeso; Epicuro de Samos; Sêneca; Epicteto; Hermes Trismegisto; Éliphas Lévi; Papus; Helena Petrovna Blavátskaya; Aleister Crowley; Carl Gustav Jung; Thomas Karlsson Correntes ocultismo oitocentista; hermetismo gnóstico; autoteísmo; pessimismo filosófico; ceticismo; cinismo; niilismo; estoicismo; absurdismo; materialismo; fatalismo; negativismo Principais interesses existência; cosmologia; misticismo; mitismo; misantropia; consciência

"Morcrof" é uma banda brasileira de dark metal formada em 1992, na cidade de São Paulo, por Caecus Magice e Philosophor Noctis (aka. Paullus Moura). Atuante no cenário underground, é conhecida por suas composições que mesclam death metal, doom metal e elementos experimentais com temáticas filosóficas, ocultistas e existenciais.Lucas Lopes de Moraes. Hordas do Metal Negro: Guerra e Aliança na Cena Black Metal Paulista. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) – Universidade de São Paulo, 2014. pp. 61–65. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-08052015-104127/publico/2014_LucasLopesDeMoraes_VCorr.pdfCristiano Lopes. A Ecologia Sonora da Cangaço Radio Rock. Monstro dos Mares, 2021. p. 36. Disponível em: https://monstrodosmares.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pacuja_cristiano.pdf

História

Origens (1991–1992)

Em 1991, Caecus Magice e Philosophor Noctis tentaram formar uma banda de deathrash metal com os músicos Douglas e Edson (ex-Mortuário e Sarcoma de Kaposi). O projeto não seguiu adiante. Em 1992, a dupla retomou a ideia com um novo direcionamento musical e conceitual. O nome "Morcrof" foi inspirado no termo "morcrofilis", encontrado por Caecus Magice em uma enciclopédia que tratava sobre culturas indo-europeias, dado significado a todos os tipos de mortes de patologias indecifráveis, indefinidas e, por conseguinte, misteriosas.

Primeiros anos e primeiras gravações (1992–1996)

A formação inicial foi consolidada em 05 de dezembro de 1992 com a entrada de Feralis (bateria) e R’Bressan (guitarra). Em 1993, Ludwick Schölzel (vocal) ingressou na banda quando estabeleceram seus ensaios regulares em Botujuru, na Grande Jundiaí/SP. Em 11 de setembro de 1993, a banda entrou pela primeira vez em estúdio e gravou uma tape-reh para ser distribuída no dia seguinte, quando realizou seu show de estreia em Campo Limpo Paulista/SP. Contudo, esta demo foi engavetada e em seu lugar, no mesmo ano, gravaram e distribuíram a que é conhecida como debute tape intitulada "A Future Not So Far", contendo 10 faixas em cerca de 30 minutos.

Em 1996, com Beah Gênes Hajj-Ahriman (bateria) e Pétros Nilo (guitarra), lançaram a demo-tape "scientia ab mortuus" apresentando novo direcionamento musical e tendo boa receptividade no cenário underground nacional e internacional. O trabalho consolidou uma sonoridade mais densa, explorando atmosferas sombrias mesclado com temas líricos baseados no ocultismo e filosofias existencialistas.

Expansão e material ao vivo (1997–2001)

Durante o final da década de 1990 e início de 2000, o Morcrof lançou 3 VHS com performances ao vivo, subsequentes e relativas às 3 demos lançadas naqueles anos: "Live in São Paulo" (1997); "Abditae Semem Live" (2000); e, "Alesh Ceremonials" (2001). Em 1999, foi lançada a demo-tape "peragere humum et semem terrai abditae" contendo sete faixas, com Philosophor Noctis improvisado como baterista dado a mais uma ocorrência na formação. Esta demo se tornou icônica, centenas de cópias foram distribuídas desde as Américas, passando pela Europa e alcançando a Ásia. A demo circulou amplamente por distribuidoras independentes sendo resenhada por diversas mídias especializadas do circuito underground internacional, além de figurar em diversas compilações. Por conseguinte, "peragere humum et semem terrai abditae" é considerado um clássico da banda e dela se abriu as portas para assinar com o selo Mutilation Productions.

Posteriormente suas faixas também foram incluídas na compilação "Apeiron (trinitas primitiae opus)", de 2002, junto com as demais músicas constantes das DTs "scientia ab mortuus" e "alesh", esta última lançada em 2001.

Naquele mesmo ano a banda foi convidada a integrar o tributo "An Evil Existence for Rotting Christ", lançada em 2003 pela Records, do qual participou com a faixa "The Fourth Knight of Revelation", marcando também o retorno de Feralis à banda.

Estreia em álbum e novas formações (2002–2009)

Em 2005 foi lançado o primeiro Full-length: "Machshevet Habriá (Myths and Conjectures of Creation)", pela Mutilation Productions. O álbum foi composto e gravado entre os anos 2001 e 2004 e apresenta 9 faixas conceituais com líricas intrincadas no ocultismo, mitologias e filosofia existencial. Musicalmente este álbum envereda experimentos harmônicos, rítmicos, modulações, adição de corais e instrumentos acústicos e percussivos, mantendo-se dentro de sua atmosfera sombria.

Após novas mudanças na formação, a banda passou por um período de instabilidade, ainda que manteve apresentações que, dentre elas, originou o lançamento do DVD "Animo Signus Aeterno" (2006).

Retorno e nova direção musical (2010–2022)

Vivendo num período de reestruturação, em 2010, a banda lançou o álbum ao vivo "in tenebris vitam traho" pela Lux Ferre Prod. & Distro. Este registro testemunha o último show de divulgação de "Machshevet Habriá (Myths and Conjectures of Creation)" bem como o de Feralis após sua terceira passagem pelo Morcrof em 2006.

A partir de 2011 ingressaram o baterista R’Herton e o vocalista Agnaldo Dead Poet - que seria substituído por Eziel Kantele-Väinö 3 anos depois. Os novos integrantes trouxeram suas influências progressivas e consequentemente nova mudança na direção musical, embora preservando as características já presentes na sonoridade do grupo como as experimentações harmônicas, rítmicas, acústicas e percussivas. Nesse contexto, passaram também a explorar os vocais limpos de Eziel.

Assim, entre 2011 e 2015 o grupo compôs e gravou oito faixas que resultaram em mais um álbum conceitual: "Codex Gnosis Apokryphu: arcanu . verba . revelatio", full-length repleto de simbolismos e letras metafóricas em latim. Para a gravação das linhas de teclado, Bruno Brahmss Kermanns foi convidado tornando-se, em 2015, membro efetivo. A mixagem e masterização do álbum levou cerca de quatro anos, passando nas mãos de diversos produtores, até seu lançamento em 2019 pela Erinnys Productions.

A partir de 2020, a banda se estabeleceu com Philosophor Noctis, Bruno Brahmss Kermanns e com o recém-chegado guitarrista Aaron Maat. Naqueles anos pandêmicos, entre 2020 e 2021, impossibilitados de apresentar-se ao vivo, o trio manteve-se compondo e gravando em home studios integrando-se pelas redes sociais ou em escassas idas a estúdios físicos para gravações na medida em que o isolamento social se impunha. Neste período lançaram uma série de EPs e splits como "quod dea et quod eques auratus" (2020), "epitaphium – hic nullum sum" (2021) e o álbum "de pessimism philosophiam et dogma nihilistic" (2022).

Com o fim da pandemia ao final de 2022, o Morcrof voltou aos palcos depois de 4 anos para apresentar-se no "Ode To The Horror Fest - Celebrating 10 years of Pure Devotion…" contando com participações de diversos músicos contratados para as performances ao vivo objetivando difundir o recém-lançado álbum, este considerado o mais ríspido e infame da banda, ainda que com participações especiais de Stefan Necroabyssious e Astraea Aetheros.

Atividades recentes (2023–presente)

miniaturadaimagem|300px|Formação do Morcrof em 2025. Da esquerda para a direita: Aaron Maat, Philosophor Noctis, Lux Al-Maíd e Bruno Mastemas.

Iniciaram 2023 participando do evento "As Flores do Mal – Litanias de Satã Fest" realizado no município de Várzea Paulista/SP e, após, afastaram-se dos palcos voltando atenções para novas composições e trabalhos em estúdio. Assim lançaram em 1 de janeiro de 2024 o EP ORI GENE SIS (a past so far) quando há exatos 30 anos a tape-reh "A Future Not So Far" apresentou o Morcrof à cena brasileira. Assim o EP traz versões reinterpretadas e rearranjadas de 3 faixas daquela demo, com caráter comemorativo e homenagem póstuma a Ludwick Schölzel.

No mesmo ano consolidou-se nova formação que gravou, respectivamente, o single "The Crazy Arab" e o EP "Columnae Stoicae", ambos lançados em 2025 nas principais plataformas digitais. "The Crazy Arab" trata-se de uma composição feita em 1995 para um projeto musical paralelo que não vingou. A música foi rearranjada com lírica inspirada no personagem Abdul Alhazred, o Árabe Louco, oriundo da literatura de H. P. Lovecraft. Já "Columnae Stoicae" apresenta quatro letras instigadas pelo estoicismo - carpe diem, columnae stoicae, memento homo memento mori, tripudium macabre, e utiliza majoritariamente bases e melodias compostas originalmente em 1993.

Histórico de Membros

Nome Função entrou saiu Observações Caecus Magice Guitarra, vocais, conceito 1992 1994 Fundador, compositor, letrista, fez o primeiro logotipo Philosophor Noctis Contrabaixo, vocal, guitarra, violão, teclado, percussão 1992 presente Fundador, compositor, letrista Feralis Bateria 1992 2001 2006 1994 2004 2006 Cofundador, retornou em 2006 para shows R’Bressan Guitarra, teclado, violão, percussão 1992 2019 Cofundador, compositor Ludwick Schölzel Vocal 1993 2005 Cofundador, letrista R’ Matheus Guitarra 1994 2004 Rápida passagem, compositor Naitsirch C’Bontus Teclado 1995 2005 compositor Beah Gênes Hajj-Ahriman Bateria 1996 1998 Criador do segundo logotipo, letrista, compositor Pétros Nilo Guitarra, violão, voz 1995 2016 Compositor, gravou com a banda entre 2023 e 2025 Leandro Slaughter Bateria 1998 1998 Rápida passagem Ad´Lung Bateria 1999 2000 Presente nos bônus tracks da DT Alesh Eduardo Auriemi Bateria 2004 2004 Rápida passagem Bruno War Master Vocal 2005 2005 Rápida passagem Andress Irae Bateria 2004 2005 Participou de ensaios e shows Caio Bildner Bateria 2005 2005 Rápida passagem Lord Necro Warrior Bateria 2010 2010 Rápida passagem Agnaldo Dead Poet Vocal 2011 2013 Participou de ensaios e shows R’Herton Bateria 2011 2019 Participou de composição, gravação e shows Eziel Kantele-Väinö Vocal 2014 2019 Participou de composição, gravação e shows Bruno Brahmss Kermanns Teclado 2015 2022 Participou de composição, gravação e shows Cleber Borges Guitarra 2016 2018 Participou de ensaios e shows Aaron Maat Guitarra, violão 2020 presente Compositor Alter Ego Bateria 2020 2020 Músico contratado gravação Jack Ferrante Bateria 2020 2021 Músico contratado ao vivo Fernando Iser Violão, percussão 2020 2024 Músico contratado ao vivo Victor Prospero Violão Percussão 2020 2020 Músico contratado ao vivo Mephisto Luciferius Bateria 2022 2022 Músico contratado ao vivo Jupither Violão 2022 2024 Músico contratado ao vivo Prometeu Teclado 2022 2024 Músico contratado ao vivo Bruno Mastemas Bateria 2022 presente Compositor, entrou como músico contratado e efetivou logo depois Lux Al-Maíd Guitarra, violão 2024 presente Compositor, 2022 e 2023 como músico contratado ao vivo, efetivou em 2024

Evolução dos logotipos