thumb|Xilogravuras do século XVI ilustrando a produção da xilogravura. No primeiro: Esboçando a gravura. Segundo: Usando um buril para cavar o bloco de madeira que receberá a tinta
Xilogravura é a técnica de gravura na qual se utiliza madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre o papel ou outro suporte adequado. É um processo muito parecido com um carimbo.
É uma técnica em que se entalha na madeira, com ajuda de um instrumento cortante, a figura ou forma (matriz) que se pretende imprimir. Após este procedimento, usa-se um rolo de borracha embebida em tinta, tocando só as partes elevadas do entalhe. O final do processo é a impressão em alto relevo em papel ou pano especial, que fica impregnado com a tinta, revelando a figura. Entre as suas variações do suporte pode-se gravar em linóleo (linoleogravura) ou qualquer outra superfície plana. Além de variações dentro da técnica, como a "xilogravura de topo".
Técnica As ferramentas básicas utilizadas para realizar o entalhe na xilogravura a fio são a faca ou bisturi, o formão e a goiva. Enquanto a ferramenta essencial para a xilografia de topo é o buril, que nada mais é que uma fina barra de aço que possibilita linhas retas e firmes na matriz. Uma ferramenta bem afiada proporciona resultados melhores e é mais fácil de manusear, a afiação é realizada em pedra de amolar de granulação bem fina na qual se deve pingar algumas gotas de óleo, é importante ressaltar que cada tipo de lâmina exige modo de afiar específico.
Antes do entalhe, o gravador normalmente faz um planejamento e estudo em uma folha comum, para passar a imagem pra matriz; pode ser feito com o lápis, desenhando diretamente na madeira ou por meio da transferência com o uso do papel carbono, essa escolha dependerá da intenção do xilógrafo. alt=File:Preparing a Woodcut Design.jpg|miniaturadaimagem|Entalhe em matriz de xilogravura alt=File:Printing Press, 1829 woodcut by George Baxter.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|348x348px|Prensa de impressão, 1829 xilogravura por George Baxter. Ou seja, para que a impressão tenha o resultado mais próximo do que o xilógrafo almeja, é preciso se atentar aos seguintes fatores: a imagem entalhada na matriz é impressa de modo espelhado, caso o artista não queira o resultado invertido, basta primeiramente desenhar em uma folha comum, em seguida passar o desenho para o papel vegetal no qual o será copiado por transparência, depois de copiado, basta inverter o desenho e passar para matriz com o papel carbono. Outro fator relevante é que todas as linhas que ficam em alto relevo terão contato com a tinta e as em baixo relevo não.
A impressão deve ser feita com tinta específica para gravura a base de óleo ou água, antes de entintar a matriz é preciso estender a tinta em uma pedra de mármore ou vidro com o auxílio de uma espátula e um rolo de entintagem, depois que a tinta estiver espalhada uniformemente, ela deve ser aplicada na matriz com o rolo. Existem dois modos de transferir a tinta da matriz pro papel, a impressão à mão consiste em aplicar o papel escolhido sobre a matriz entintada e friccionar o verso do papel com o auxílio de uma colher de madeira ou baren, fazendo movimentos circulares, já a impressão com prensa pode ser feita na prensa rosca ou na prensa de cilindros, tornando o processo menos trabalhoso.
História A xilogravura é considerada uma das técnicas de impressão mais antigas, é de provável origem chinesa, sendo conhecida desde o século VI. Foi na China que se deu a invenção do papel, que possibilitou mais tarde a produção de impressões de textos sagrados do Budismo e estampagem de cartas de baralho. No ocidente, a técnica de fabricação do papel surgiu no século XIV, durante a Idade Média, quando se afirmou a técnica da xilogravura. No século XVIII duas inovações revolucionaram a xilogravura, a chegada à Europa das gravuras japonesas coloridas, que tiveram grande influência sobre as artes do século XIX, e a técnica da gravura de topo criada por Thomas Bewick.
No final do século XVIII Thomas Bewick teve a ideia de usar uma madeira mais dura como matriz e marcar os desenhos com o buril, instrumento usado para gravura em metal e que dava uma maior definição ao traço. Dessa maneira Bewick diminuiu os custos de produção de livros ilustrados e abriu caminho para a produção em massa de imagens pictóricas.
Xilogravura popular brasileira alt=File:Literatura de Cordel (34791010662).jpg|esquerda|miniaturadaimagem|Literatura de Cordel A xilogravura surgiu no Brasil por volta do século XIX com a mudança da Família Real Portuguesa, num primeiro momento foi utilizada majoritariamente por artistas estrangeiros para fins de ilustração de livros e anúncios. A técnica chegou na região do Nordeste no século XX, através dos jornais da época, a partir disso, as ilustrações em xilogravura transformaram a expressão artística nordestina, ganhando grande destaque na literatura de cordel. Apesar de ter origem portuguesa, a xilogravura de cordel possui características estilísticas próprias, marcadas pela simplicidade e expressividade do traço, ainda por cima, é uma manifestação artística que comunica a identidade, cultura e a história nordestina, em razão disso, tornou-se Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro no ano de 2018.
Entre os importantes xilógrafos populares brasileiros que provêm do cordel, estão: Gilvan Samico, José Costa Leite, J. Borges, Amaro Francisco e José Lourenço.
Ver também Xilogravura no Japão
Bibliografia GABRIEL, Ademir Lopes. Xilogravura como expressão da cultura popular. 2012. 56 f., il. Monografia (Licenciatura em Artes Visuais)—Universidade de Brasília, Universidade Aberta do Brasil, Posse-GO, 2012 CARVALHO, Maria Amélia Azevedo de Oliveira; LOPES, Maria Clara Silvestrini. No mundo da xilogravura: a arte das estampas. 2023. 17 p. Artigo. Trabalho de conclusão de curso (Curso Técnico em Design Gráfico) - Etec. Prof. Alfredo de Barros Santos, Guaratinguetá, SP, 2023. COSTELLA, Antonio. Xilogravura - manual prático. 2ª edição. Campos do Jordão. editora Mantiqueira. 2018. Ligações externas
Xiloteca do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (banco de dados)
Categoria:Pinturas por técnica