Marcia Ermelindo Taborda (Rio de Janeiro, 25 de março de 1965) é uma violonista, cantora, pesquisadora e professora universitária brasileira. Destaca-se por sua atuação como intérprete de música brasileira, por sua pesquisa sobre a história do violão e por seu trabalho acadêmico de formação e coordenação no ensino superior.
Biografia Marcia Taborda iniciou seus estudos de violão em 1981 com José Molina. Posteriormente, estudou canto com Eliane Sampaio (Uni-Rio) e Carol Macdavit, e especializou-se em repertório contemporâneo com Christine Schadeberg e Joan La Barbara, em Nova York.
Graduou-se bacharel em violão pela Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio), sob orientação de Turíbio Santos, com quem também realizou o mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a dissertação Dino Sete Cordas – Criatividade e Revolução nos acompanhamentos da MPB. Obteve o título de doutora em História Social pela UFRJ e realizou pós-doutorados na Universidade Nova de Lisboa (2014) e na University of New South Wales, em Sydney (2020).
Carreira musical Iniciou sua trajetória artística na Orquestra de Violões do Rio de Janeiro, grupo que rendeu a Turíbio Santos o prêmio Golfinho de Ouro em 1984. Posteriormente, integrou o Quinteto Brasileiro de Violões e apresentou-se no Free Jazz Festival (São Paulo, 1987), homenageando Heitor Villa-Lobos. Participou de eventos de destaque como o Montags Musik Brasilien (Berlim), interpretando música contemporânea; em 1997, apresentou um programa de choros e canções brasileiras no The Kennedy Center – Millenium Stage, em Washington DC; e em 1998, na série Southamerican Guitar Tango, na Weill Recital Hall do Carnegie Hall, em Nova York.
Entre seus projetos de destaque estão: Participações com Tato Taborda e Jards Macalé nos espetáculos Música de Invenção (1993) e Ôba (1994); Colaborações com Vania Dantas Leite, incluindo gravações e vídeos com a artista plástica Anna Maria Maiolino. Participação no evento Tributo a Olga Praguer Coelho, na Sala Cecília Meireles, ao lado de Fabio Zanon, Rosana Lamosa e do pianista Nelson Freire.
É reconhecida por resgatar a tradição das violonistas-cantoras brasileiras, como Olga Praguer Coelho, e por unir em suas apresentações o violão típico do choro à canção brasileira.
Gravações destacadas Choros de Paulinho da Viola (2005, Acari Records) Musica Humana (ABM Digital)
Viola & Violão em terras de São Sebastião (2017, FAPERJ)
Carreira acadêmica É professora de violão e coordenadora do Núcleo de Estudos de Violão (NEV) da Escola de Música da UFRJ. Lecionou também na Uni-Rio e no programa de pós-graduação em Jornalismo Cultural da UERJ. Ministrou seminários e workshops em diversas instituições no Brasil e exterior, como a Staatlich Hochschule für Musik Karlsruhe (Alemanha). Participou da comissão organizadora do VII Simpósio Internacional de Musicologia da UFRJ.
Pesquisa Sua pesquisa tem ênfase na história do violão no Brasil, em especial no século XIX, e em temas como identidade nacional, gênero e patrimônio musical. Atuou como pesquisadora do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira e participou de iniciativas interdisciplinares como o projeto Da viola à viola grande: a música no Rio de Janeiro dos artistas viajantes.
Participação em TV Em 2017, Marcia Taborda participou de um episódio do programa Sr. Brasil, exibido pela TV Cultura e apresentado por Rolando Boldrin. O episódio foi dedicado ao violão brasileiro e explorou o repertório histórico apresentado por Taborda em seus trabalhos sobre a trajetória do instrumento no Brasil.
Durante o programa, a violonista interpretou obras representativas de diferentes fases da música brasileira para violão, incluindo: Vivo sonhando (Garoto) Abismo de rosas (Américo Jacomino "Canhoto") Isto é bom (Xisto Bahia)
Além de Marcia Taborda, o episódio contou com as participações dos músicos Felipe Ávila e Chico Boateiro.
Prêmios e reconhecimentos Prêmio Funarte de Produção Crítica em Música (2010), pelo livro Violão e identidade nacional The J.F. Kennedy Center Fellowships of the Americas Award (1997) Prêmio Pesquisador Residente da Biblioteca Nacional (2016) Bolsas e apoios da FAPERJ, Casa de Rui Barbosa, Ministério da Cultura, entre outros.
Obras publicadas Livros Violão e identidade nacional (Civilização Brasileira, 2010) O violão na corte imperial (Biblioteca Nacional, 2023) Coautora de Dicionário Houaiss Ilustrado da Música Popular Brasileira (2006) Coautora de 500 anos da Música Popular Brasileira (2001)
Artigos e capítulos selecionados "The Guitar in Imperial Rio de Janeiro" (Early Music, 2022) "Olga Praguer Coelho, Ambassador of Brazilian Folksong" (Soundboard Scholar, 2022) "Brazilian Women Guitarists in the Jazz Age" (Soundboard Magazine, 2021) "A viola de arame: origem e introdução no Brasil" (Revista Em Pauta) Artigos publicados na Revista Brasileira de Música, Opus, Revista Escritos e outras.
Estilo e influências Taborda combina rigor técnico com expressividade e pesquisa histórica. Suas interpretações dialogam com o repertório tradicional e contemporâneo, valorizando a canção brasileira e o choro, enquanto sua atuação acadêmica promove reflexões sobre identidade nacional e preservação do patrimônio musical.
Legado e impacto Seus estudos sobre o violão no Brasil tem impacto significativo na preservação da memória musical e na valorização da atuação feminina no cenário da música instrumental brasileira. Seu trabalho interliga performance, história e educação, com reconhecimento nacional e internacional.
Ligações externas Dicionário Cravo Albin – Marcia Taborda Livro Violão e identidade nacional na Amazon PDF – O Violão na Corte Imperial (Biblioteca Nacional)
Categoria:Nascidos em 1965 Categoria:Violonistas do estado do Rio de Janeiro Categoria:Pesquisadores do Brasil Categoria:Professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro Categoria:Mulheres na música Categoria:Cantoras do Brasil Categoria:Músicos de música popular brasileira Referências