A intoxicação por metanol é a intoxicação causado pela exposição ao metanol. Os sintomas podem incluir diminuição do nível de consciência, falta de coordenação motora, vômitos, dor abdominal e um odor característico no hálito. A perda de visão pode começar até doze horas após a exposição. Os efeitos a longo prazo podem incluir cegueira e insuficiência renal. A toxicidade e a morte podem ocorrer mesmo com a ingestão de pequenas quantidades.

A intoxicação ocorre mais comumente pela ingestão de fluido para limpador de para-brisas, seja acidentalmente ou de forma intencional em tentativas de suicídio. Em casos raros, a toxicidade também pode ocorrer por exposição prolongada da pele ou pela inalação dos vapores. Quando o metanol é metabolizado pelo organismo, ele se transforma em formaldeído, ácido fórmico e formiato, substâncias responsáveis por grande parte de sua toxicidade. O diagnóstico pode ser suspeitado diante da presença de acidose com aumento da diferença de osmolaridade, sendo confirmado pela medição direta dos níveis sanguíneos de metanol. Outras condições que podem causar sintomas semelhantes incluem infecções, exposição a outros álcoois tóxicos, síndrome da serotonina e cetoacidose diabética.

O tratamento imediato aumenta as chances de um bom desfecho. Ele consiste em estabilizar a pessoa afetada e, em seguida, administrar um antídoto. O antídoto de escolha é o fomepizol; como alternativa, pode-se usar o etanol. A hemodiálise também pode ser indicada em casos de lesão de órgãos ou acidose metabólica grave. Outros tratamentos podem incluir bicarbonato de sódio, folato e tiamina.

Surtos já ocorreram devido à contaminação de bebidas alcoólicas, sendo esse fenômeno mais comum em países em desenvolvimento. Em 2013, foram registrados mais de 1.700 casos nos Estados Unidos. As pessoas afetadas são, na maioria das vezes, homens adultos. A toxicidade do metanol foi descrita já em 1856.

Causa Os efeitos tóxicos do metanol são moderados a graves e tipicamente manifestados por meio de sua ingestão. Ingerir apenas 10 mL de metanol puro pode levar à cegueira permanente; a dose fatal mediana é de 100 mL.

A intoxicação por metanol pode se dar por meio da ingestão de líquido de limpador de para-brisa, que é a causa mais comum em países desenvolvidos, ou pela contaminação ou adulteração de bebidas alcoólicas, que normalmente contém etanol, um composto de propriedades químicas parecidas, mas muito menos tóxico.

Mecanismo Embora o metanol atue como um depressor do sistema nervoso central, à semelhança do etanol, os efeitos tóxicos mais graves de sua ingestão decorrem principalmente da formação de metabólitos durante seu metabolismo, sobretudo o ácido fórmico.

No fígado, o metanol é oxidado pela enzima álcool desidrogenase em formaldeído, por sua vez convertido em ácido fórmico pela enzima aldeído desidrogenase. O CYP2E1 e a catalase têm uma participação maior ou menor neste processo consoante a espécie animal exposta. No ser humano e nos primatas, a álcool desidrogenase assume 90% do papel metabólico.

O ácido fórmico (ou formato na sua forma ionizada) é tóxico e causa danos a diversos órgãos, especialmente na retina, área fundamental para a visão (levando, portanto, à perda irreversível de visão), e nos núcleos da base. Ele inibe a atividade da enzima citocromo c oxidase, levando à hipóxia no nível celular, além de provocar uma acidose metabólica de intervalo aniônico elevado.

A metabolização do ácido fórmico é demorada e ocorre por meio de sua conjugação com tetrahidrofolato, substância que depende da nutrição de ácido fólico. O conjugado de ácido fórmico e tetrahidrofolato sofre a ação de duas enzimas, a 10-formil-tetrahidrofolato sintetase e a 10-formil-tetrahidrofolato desidrogenase. No final da via metabólica, os subprodutos são gás carbônico e água.

Quadro clínico Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol são semelhantes ao da intoxicação por etanol, incluindo depressão do sistema nervoso central, dor de cabeça, náuseas e confusão mental; de forma semelhante, doses consideráveis podem levar à inconsciência, sendo potencialmente fatais. Várias horas após a exposição inicial, surgem novos sintomas, que podem incluir visão turva, fotofobia e perda de visão, evoluindo para rebaixamento do nível de consciência até a morte por insuficiência respiratória.

O exame físico pode revelar um paciente taquipneico. O exame de fundo de olho pode revelar hiperemia do disco óptico e edema macular.Jafarizadeh, A., Homaie, M., Abdollahi, M., & Niyousha, M. (2023). Time course study of optical coherence tomography angiography in patients with methanol-induced optic neuropathy. BMC ophthalmology, 23(1), 178. https://doi.org/10.1186/s12886-023-02937-x

Tratamento A intoxicação por metanol deve ser tratada em regime hospitalar, devendo se buscar assistência médica imediata. Pode ser tratada com fomepizol intravenoso ou, na sua ausência, com etanol. Ambas as drogas atuam como inibidores competitivos da álcool desidrogenase, impedindo a conversão do metanol em seus metabólitos tóxicos no fígado e acelerando a sua eliminação pelos rins. Pode-se também utilizar ácido fólico para acelerar a metabolização do ácido fórmico, utilizar bicarbonato de sódio para tratar a acidose metabólica ou remover o metanol por hemodiálise.

Outros efeitos para a saúde O metanol causa irritação ao contato com os olhos e leve irritação às mucosas quando inalado. Ao contato com a pele, pode deixá-la seca e quebradiça. Se ocorrer absorção; sintomas parecidos com a inalação. À exposição crônica repetida, causa aumento do fígado (hepatomegalia) e irritação na pele. Pessoas com desordens de pele, problemas nos olhos, ou com função prejudicada dos rins e fígado podem ser mais suscetíveis aos efeitos da substância.

Incidentes históricos de envenenamento em massa Cachaça da morte (na Bahia; 1990) Intoxicações por metanol em Irkutsk em 2016 (na Rússia) Surto de intoxicações por metanol no Brasil em 2025 (diversos estados)

Ver também Intoxicação por etilenoglicol

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