Luiz Felippe Perret Serpa, o Reitor Cidadão (Rio de Janeiro, 23 de abril de 1935 – Salvador, 15 de novembro de 2003), foi um físico, pesquisador e professor universitário brasileiro que ocupou o cargo de reitor da Universidade Federal da Bahia entre 1993 e 1998.
Biografia Natural da cidade do Rio de Janeiro, formou-se em Física em 1958 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, à época denominada "Universidade do Brasil". Em 1967, após concluir a graduação, concluiu especialização em Métodos de Ensino da Física por meio de um projeto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em Bariloche, no Instituto de Física de Bariloche (atual Instituto Balseiro).
Ainda na década de 1960, foi selecionado para uma bolsa de doutorado nos Estados Unidos, mas a declinou devido a um convite que havia recebido para implantar o Departamento de Física e Geociência na Universidade Federal da Bahia, feito pelo então reitor da instituição, Edgard Santos. Já na Bahia, Serpa ministrou curso na área petrolífera e começou a carreira docente na UFBa, instituição que ocuparia o cargo máximo entre 1993 e 1998, tendo ocupado inicialmente na condição de pro tempore, até ser efetivamente nomeado reitor em 1994.
Enquanto reitor, o primeiro nomeado na Universidade Federal da Bahia após o fim da Ditadura Civil-Militar de 1964, Serpa reintegrou, em 1995, Milton Santos, que havia sido exonerado em 1966 após ser preso, perseguido e obrigado a se exilar, ao quadro de docentes da instituição. Na ocasião, Santos deu a Serpa o título de "Reitor Cidadão".MOREIRA, Bruno de Oliveira. O exílio da memória: Milton Santos e a ditadura civil-militar. 334 f. Tese de Doutorado em História Social. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/43313. Acesso em 19 de agosto de 2026.MILTON Santos recupera cadeira que o governo militar lhe tomou. A Tarde, Salvador, 14 jun. 1995.
Em 2002, Mônica Celestino, publicou o seguinte trecho sobre Serpa jamais ter aceitado o título de "doutor":O desejo de atuar na formação dos brasileiros e a coragem para experimentar levaram um físico com carreira promissora na pesquisa nuclear a abandonar o universo de Newton para virar educador. Jovem com bolsa garantida para curso de doutorado nos Estados Unidos, Luiz Felippe Perret Serpa trocou a distinção e a garantia de sucesso na ciência exata ainda com poucos especialistas no Brasil pelo investimento na área social na Bahia dos anos 60. Quatro décadas após a aventura, o carioca da Vila Isabel é considerado "notório saber" pelo Colegiado de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da UFBa (Faced) mas rejeita o título que equivale ao de doutor.
A distinção acadêmica - uma das mais altas na carreira de ensino superior - não faz falta na prática ao homem que é apenas graduado em física pela Universidade do Brasil e especializado em ciência e educação, formado em Bariloche, na Argentina. Apesar de receber salário compatível apenas com o grau de especialista, ele desenvolve pesquisas sobre o papel, a atuação e o desempenho das universidades contemporâneas, orienta seis estudantes do curso de doutorado na formulação de suas teses e tem no seu currículo a passagem pela reitoria da UFBa, a única universidade federal do estado. "Toda titulação tem a função de dar a autonomia intelectual à pessoa. Já me considero autônomo há muitos anos. O importante é produzir. Isso não é intransigência, é uma questão de vida", diz, sem falsa modéstia e com certa razão.Membro do Conselho de Educação do Estado da Bahia, também lecionou no Instituto Tecnológico de Aeronáutica, em São José dos Campos, entre 1959 e 1961, e no Instituto de Física da Universidade Federal do Ceará, entre 1969 e 1971.
Morte Faleceu em 15 de novembro de 2003, na capital baiana, aos 68 anos, devido a um infarto.miniaturadaimagem|Fachada do Pavilhão de Aulas Reitor Felipe Serpa, anteriormente denominado Pavilhão de Aulas da Federação I. Homenagens Serpa foi homenageado como cidadão soteropolitano, pela Câmara de Vereadores de Salvador, e baiano, em 2001, pela Assembleia Legislativa da Bahia. Após seu falecimento, ele, que jamais aceitou o título de doutor enquanto vivo, foi nomeado Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia.
O Pavilhão de Aulas da Federação I, o mais antigo de seu tipo no Campus Federação/Ondina da Universidade Federal da Bahia, foi renomeado para "Pavilhão de Aulas Reitor Felipe Serpa".
Em 2017, o Governo da Bahia, por meio do Conselho de Educação do Estado da Bahia, instituiu a Comenda de Honra Professor Felipe Serpa, tendo como objetivo, segundo o artigo 2º da resolução que a criou, "conferir reconhecimento àqueles que se distinguiram por suas relevantes contribuições para o desenvolvimento da Educação no Brasil e na Bahia".
Categoria:Naturais da cidade do Rio de Janeiro Categoria:Físicos do estado do Rio de Janeiro Categoria:Professores da Universidade Federal da Bahia Categoria:Cientistas do estado do Rio de Janeiro Categoria:Reitores da Universidade Federal da Bahia Categoria:Alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro