Autorretrato (título original: Living: Some days you wake and immediately...) é uma obra em esmalte sobre papel da artista americana Jenny Holzer conservada na prestigiosa Galeria dos Autorretratos da Galeria Uffizi, em Florença.Niki de Saint Phalle, Why don't you love me?. Galeria Uffizi. Consultado em 25 de abril de 2025.Pierguidi, Stefano. La collezione di autoritratti della Galleria degli Uffizi: storia e catalogazione. Firenze: Centro Di, 2010. Descrição e Análise Na austera e majestosamente silenciosa Galeria Uffizi, templo consagrado às imagens da memória europeia, irrompe, com força inédita, a presença luminosa de Jenny Holzer — e com ela a palavra, despida de ornamentos, elevada à categoria de pura visão. Sua obra Living: Some days you wake and immediately… é uma oferenda inquieta e ardente: uma inscrição viva que pulsa entre o vazio e a vertigem da existência.

A peça, pertencente ao célebre ciclo Living Series (1980-1982), apresenta uma sentença gravada em letras claras, minimalistas, como que murmurada entre os véus do cotidiano: "Some days you wake and immediately start to worry."

Em seu fulgor contido, Holzer destila uma verdade crua e universal, capturando com precisão cirúrgica a condição humana moderna — uma condição marcada pela ansiedade, pela expectativa angustiante, pelo ininterrupto murmúrio interior que precede o dia e atravessa a consciência. A frase, despida de artifícios retóricos, instala-se como uma lâmina fina entre o espectador e sua própria vulnerabilidade, fazendo do espaço expositivo não apenas uma morada para o olhar, mas um território para o pensamento.

Disposta em suporte de pedra ou de placa metálica — suportes frios, impessoais, industriais —, a inscrição de Holzer subverte o legado dos Uffizi: entre retratos de poder e alegorias de virtude, ela semeia a dúvida, a inquietude, o fracasso íntimo da promessa de estabilidade. Não há imagem corpórea nesta obra, e ainda assim ela desenha com nitidez o contorno mais íntimo da experiência humana: o medo sem rosto, a angústia anônima que habita os corredores da vida contemporânea.

Através da simplicidade verbal, Holzer reconstrói a tradição da pintura e da escultura renascentistas sob outra chave: a palavra torna-se carne, o signo se faz carne viva da consciência, a arte transcende o objeto e torna-se experiência direta, imediata, existencial.

Neste breve fragmento textual, Holzer ergue um monumento à fragilidade — uma oração profana gravada no templo da cultura visual ocidental, lembrando-nos, com brutal delicadeza, que, sob as arquiteturas da história, pulsa incessantemente a inquietação das almas. Ver também Autorretratística Coleção de autorretratos da Galeria Uffizi Bibliografia Selecionada Guggenheim Museum (ed.). Jenny Holzer: A Retrospective. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, 1989. Foster, Hal. The Return of the Real: Art and Theory at the End of the Century.] Smith, Elizabeth A. T. (ed.). Jenny Holzer: Protect Protect. Chicago: Museum of Contemporary Art Chicago, 2008. Cambridge: MIT Press, 1996.

Categoria:Coleção de autorretratos da Galeria Uffizi Categoria:Obras de 1981