Oliva Correia Guerra OSE • ComIP, mais conhecida por Oliva Guerra (São Pedro de Penaferrim, Sintra, 18 de maio de 1891 – Santa Maria de Belém, Lisboa, 22 de julho de 1982), foi uma poetisa, musicóloga, pianista, tradutora, professora e cronista portuguesa.
Biografia Filha do médico Constâncio de Almada Guerra (Navalho, Mirandela, c. 1842) e de Antónia Augusta da Silva Correia (Vila Flor, Vila Flor, c. 1856), tendo sido perfilhada pelo pai por escritura de 15 de outubro de 1891 e legitimada por casamento dos pais, ocorrido a 18 de julho de 1892, na igreja paroquial de São Pedro de Penaferrim, em Sintra. Oliva tinha um irmão mais velho, Carlos (São Pedro de Penaferrim, Sintra, 16 de novembro de 1889). Foi formada musicalmente pela mão de António Eduardo da Costa Reis, Vianna da Motta e Alexandre Rey Colaço. Começa a publicar registos de conferências a partir de 1919, com Os Grandes Mestres do Piano, provavelmente enquanto aluna do Conservatório Nacional.
Em 1923 tornou-se editora de A Semana Musical, um periódico especializado onde publicou a coluna Consultório Musical, que tinha por objectivo ser um guia de estilo e estética musical. Em contraponto a centralização dos conservatórios musicais em Lisboa e no Porto, esta divulgava técnicas instrumentais de piano através da resposta a perguntas de leitores. Em 1926 a coluna foi publicada como monografia, intitulada Breviário do Pianista. Foi presidente do conselho diretivo do Instituto de Sintra, entidade que, em conjunto com a Câmara Municipal de Sintra, promovia a atividade cultural no concelho de Sintra e revelava novos artistas nas áreas da pintura e da literatura.
Organiza em casa saraus musicais, e participa em outros, nos quais tem contacto com Elisa Baptista de Sousa Pedroso, Ema Romero da Câmara Reis e Laura Wake Marques. Tem também contacto com Florbela Espanca em 1930, por intermédio de Maria Amélia Teixeira, directora e proprietária da revista Carta da herdade. Corresponde-se com Gustavo García Saraví e convive com Olga Cadaval, Júlio Dantas e Joaquim Nunes Claro.
Escreve para o Jornal do Comércio, para o Diário de Lisboa e para o Diário Popular e para a revista O Ocidente. É também publicada na revista Portugal Feminino e no Correio da Manhã.
Nunca casou. Morreu vítima de acidente vascular cerebral a 22 de julho de 1982, aos 91 anos, na freguesia de Santa Maria de Belém, embora residisse na Avenida da Igreja, n.º 63, 3.º direito, em Lisboa. Foi sepultada no Cemitério da Ajuda.
Obra Breviário do pianista - c.1910 Os grandes mestres do piano - c.1919 Espirituais - 1921 Encantamento - 1926 Breviário do Pianista - 1926 Ritmos - 1928 O tapete encantado: de uma lenda de Alhambra - 1928 Ritmos - 1928 Evocações - 1930 Serenidade - 1933 Poeira da vida - 1936 Roteiro lírico de Sintra - 1940 Fonte distante - 1944 Vianna da Motta in Memoriam - 1952 (coordenação) Passos ao Longe - 1965 À Esquina do Tempo - 1975
Traduções
O apóstolo, de Gerhart Hauptmann - 1945
Prémio literário Oliva Guerra O Prémio Literário Oliva Guerra surge em 1992 (quando se extingue o prémio literário Ferreira de Castro Oliva Guerra) como uma iniciativa da Câmara Municipal de Sintra, com o objectivo de estimular a criação poética. É atribuído anualmente a autores de portugueses ou de países de língua oficial portuguesa, cidadãos comunitários ou cidadãos estrangeiros em Portugal, por obras em português e inéditas.
Condecorações
Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (5 de outubro de 1933) Comendadora da Ordem da Estrela da Solidariedade Italiana (30 de Julho de 1952) Comendadora da Ordem da Instrução Pública (31 de julho de 1972)
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