Excelsior, Edifício Categoria:Arquitetura do século XX Categoria:Arquitetura da década de 1950 Categoria:Arquitetura do Rio Grande do Sul Categoria:Arquitetura modernista Categoria:Arquitetura modernista no Brasil Categoria:Arquitetura da América do Sul Categoria:História de Porto Alegre Categoria:História da arquitetura Categoria:História da arquitetura do Brasil

O Edifício Excelsior é um edifício de apartamentos localizado no Centro Histórico de Porto Alegre, na Rua Riachuelo. Foi projetado em 1952 pelo arquiteto Carlos Alberto de Holanda Mendonça (1920-1956) e construído pela construtora Azevedo Bastian e Castilhos (ABC), cujo engenheiro João Carlos Caldeira Bastian assumiu a responsabilidade técnica pelo projeto.

História Holanda Mendonça, alagoano graduado pela Faculdade Nacional de Arquitetura no Rio de Janeiro, foi pioneiro no exercício da arquitetura de linhagem corbusiana em Porto Alegre. De 1947 a 1950, desenvolveu seus primeiros projetos no Rio Grande do Sul pela Secretaria de Obras Públicas (SOP). Em 1950, o arquiteto se associou à empresa Azevedo Bastian e Castilhos (ABC), firma que viria a se tornar uma das construtoras mais atuantes no mercado imobiliário da década de 1950.

Durante a época em que trabalhou para a ABC, o alagoano projetou uma série de edifícios modernistas, como o Edifício Santa Terezinha (1950), o Edifício Formac (1952), o Edifício Vista Alegre (1952), o Edifício Excelsior (1952), o Edifício Cerro Formoso (1952), o Edifício Flores da Cunha (1953), o Edifício Duque de Caxias (1953) e o Edifício São Sebastião (1953).

Após se desligar da ABC em novembro de 1954, Holanda Mendonça montou escritório próprio, a partir do qual projetou outros prédios igualmente relevantes, como o Edifício Consórcio (1956) e o Edifício Santa Cruz (1956), que permanece sendo a construção mais alta de Porto Alegre até a atualidade. A carreira do arquiteto foi interrompida abruptamente com seu falecimento precoce, aos trinta e seis anos de idade, em julho de 1956.

Arquitetura Ao lado do Edifício Cerro Formoso (1952) e do Edifício Vista Alegre (1952), o Edifício Excelsior integra o grupo de edifícios multifamiliares projetados por Holanda Mendonça com a tipologia em “H”, localizando circulação vertical na parte estreita das construções. Esse tipo possibilita a iluminação e a ventilação de compartimentos secundários na faixa intermediária e estreita da planta.

Os pavimentos-tipos, que correspondem do segundo ao décimo primeiro andar, são formados por dois apartamentos ligados pela circulação vertical no centro do lote. Apesar disso, o tipo “H” demonstra flexibilidade ao permitir também a existência de pavimentos ocupados por apenas um grande apartamento, do décimo segundo ao décimo quarto andar. miniaturadaimagem|Base do Edifício Excelsior, com espaço de dupla altura e térreo recuado, resultando em pilotis que ordenam os acessos de pedestres e automóveis. Implantado em zona nobre do Centro Histórico, em terreno adjacente à Biblioteca Pública do Estado e próximo à Praça da Matriz, o Edifício Excelsior foi originalmente concebido como um projeto de alto padrão. O prédio contava, inclusive, com garagem para automóveis, o que à época era raro e acrescia valor imobiliário à construção. O caráter elitizado do empreendimento foi o que viabilizou o tratamento do térreo sem o habitual uso comercial, resultando em espaço de dupla altura recuado e livre na base, ordenado por pilotis que direcionam ao acesso principal.

A linguagem da edificação foi trabalhada dentro da sintaxe da Escola Carioca de arquitetura moderna. No lançamento do partido, foi considerada a estratégia moderna da setorização de zonas e acessos, tendo como exemplo os edifícios desenhados por Lúcio Costa (1902-1998) para o Parque Guinle no Rio de Janeiro. miniaturadaimagem|Fachada oeste do Edifício Excelsior, voltada para a Biblioteca Pública do Estado. Embora apresente escada semicilíndrica acoplada, a volumetria resultante contrasta com a regularidade e o tratamento da fachada sul, voltada para o logradouro público. Outro elemento que faz referência explícita ao Parque Guinle é a escada semicilíndrica acoplada à fachada oeste, similar à do Edifício Nova Cintra (1948). Essa solução foi empregada por Holanda Mendonça também no Edifício Santa Terezinha (1950) e no Edifício Cerro Formoso (1952), tanto por razões estéticas quanto pela funcionalidade, uma vez que a escada acabava ocupando menor espaço em planta.

A regularidade e o tratamento da fachada sul, voltada para o logradouro público, contrastam com despreocupação em relação à volumetria resultante nas demais fachadas. Embora voltadas para o interior do quarteirão, essas superfícies são visíveis a partir da via pública, sobretudo na empena oeste, ajdacente à Biblioteca Pública.

Referências