miniaturadaimagem|300x300px| Papa Francisco e Patriarca Ecumênico Bartolomeu

As relações entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa Oriental se aqueceram ao longo do último século, com ambas as igrejas adotando um diálogo de caridade. O Concílio Vaticano II (1962–1965) inaugurou uma nova era nas relações da Igreja Romana com a Igreja Ortodoxa, descrevendo carinhosamente os ortodoxos como “irmãos separados”, com sacramentos válidos e um sacerdócio apostólico. Por sua vez, a Igreja Ortodoxa incentivou as igrejas locais a se prepararem para um futuro diálogo durante a Terceira Conferência Pan-Ortodoxa em Rodes (1964) e, desde então, tem realizado diversos esforços ecumênicos com o Vaticano. Em um marco significativo, em 1965 o Papa Paulo VI e o Patriarca Ecumênico Atenágoras I de Constantinopla revogaram mutuamente as excomunhões de 1054. Mais recentemente, em novembro de 2019, o atual Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu, declarou acreditar que a reunificação ortodoxa com a Igreja Católica é inevitável."Pat. Bartholomew attempted to convince several Athonite abbots and monks that there are no dogmatic differences between Orthodoxy and Catholicism, and that reunion with the Catholic church is inevitable." https://orthochristian.com/125924.html

A Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa Oriental romperam a comunhão durante o Cisma do Oriente em 1054. Embora já existisse uma divisão informal entre o Oriente e o Ocidente antes da separação, esses eram conflitos internos sob o guarda-chuva da “una, santa, católica e apostólica Igreja” do Credo Niceno. Somente após o cisma formal no século XI é que se observam duas igrejas distintas, iniciando, assim, suas relações. O rompimento tem sido intensamente lamentado por ambos os lados, pois contradiz a exortação de Jesus Cristo “para que todos sejam um” (João 17:21). A angústia pelo passado tem impulsionado ambos os lados, especialmente nas últimas décadas, a trabalhar pela restauração da unidade cristã através de esforços ecumênicos.

Relações históricas O Oriente e o Ocidente foram dois centros de influência ao longo da história cristã. Embora uma divisão informal existisse anteriormente, em 1054 as excomunhões mútuas foram formalmente emitidas, rompendo as relações e causando o cisma. Várias tentativas de restaurar a união ocorreram, destacando-se o Segundo Concílio de Lyon e o Concílio de Florença, ambos sem sucesso final. A única reconciliação concretizada foi a criação das Igrejas Católicas Orientais, que, no entanto, representam um ponto de desconforto para os ortodoxos orientais.

Cisma e alienação O "Grande Cisma" denota a ruptura incessante da comunhão entre as famílias católica e ortodoxa. Historiadores do cisma, seguindo a tradição de Edward Gibbon, geralmente reconhecem 1054 como o ponto crucial do rompimento nas relações entre as esferas oriental e ocidental do mundo cristão. Nesse sentido, o cisma pode ser entendido como um evento: as excomunhões mútuas emitidas em 1054. No entanto, a ideia de uma ruptura definitiva tem sido questionada por estudos contemporâneos, que minimizam a importância dessa data específica.

Esse rompimento, contudo, foi o culminar de um processo de distanciamento que se desenrolou ao longo de séculos anteriores. Portanto, o cisma pode também ser compreendido como um processo contínuo de separação entre o Oriente grego e o Ocidente latino, iniciado por volta do ano 900.

A principal causa do cisma é frequentemente identificada como as diferenças eclesiológicas, especialmente a crescente reivindicação do Bispo de Roma à jurisdição universal. A primazia desse fator, contudo, é um ponto amplamente contestado; diversos estudiosos atribuem maior importância aos desacordos teológicos ou políticos.

Não é surpreendente que as relações imediatamente após o cisma fossem de animosidade, considerando que Santo Agostinho diagnosticou a origem moral do cisma como “ódio entre irmãos”. O fenômeno de alienação cultural entre o Ocidente latino e o Oriente grego é essencial para entender a relação histórica entre as igrejas católica e ortodoxa. Uma diferença notável foi o idioma das respectivas esferas, dificultando a comunicação e resultando na falta de tradução de várias obras importantes em ambos os lados.

Isso levou a uma divisão nas tradições teológicas de cada lado. Os teólogos orientais dependiam mais do trabalho da filosofia grega, enquanto no Ocidente o sistema jurídico romano permeava as mentes dos teólogos. Uma das principais divergências que surgiram foi em relação à natureza e função da Igreja: a eclesiologia fundamental. O rompimento das relações foi também evidenciado pela controvérsia do filioque, onde Roma, em 1014, inseriu a cláusula “e do Filho” (filioque em latim) para descrever a procedência do Espírito Santo no Credo Niceno. Os ortodoxos argumentam que essa modificação foi feita em violação do Cânon 7 do Concílio de Éfeso.Concílio de Éfeso, Cânon 7: “É ilícito para qualquer homem apresentar, ou escrever, ou compor uma Fé diferente (ἑτέραν) como rival daquela estabelecida pelos santos Padres reunidos com o Espírito Santo em Niceia. Mas aqueles que ousarem compor uma fé diferente, ou introduzi-la ou oferecê-la a pessoas que desejem voltar-se para o reconhecimento da verdade, seja do paganismo, do judaísmo ou de qualquer heresia, serão depostos, se forem bispos ou clérigos; bispos serão removidos do episcopado e clérigos do clero; e, se forem leigos, serão anatematizados.”

Massacre dos Latinos O Massacre dos Latinos foi um massacre em grande escala contra católicos romanos (chamados "latinos") em Constantinopla, capital do Império Romano Oriental, feita pela população ortodoxa da cidade em 11 de abril de 1182. O massacre foi desencadeado por uma série de fatores, incluindo o crescente ressentimento dos bizantinos em relação aos latinos, que passaram a dominar a vida política e econômica do império. O medo dos bizantinos de que os latinos estivessem tentando minar sua fé ortodoxa foi um dos principais fatores que acarretaram os ressentimentos.

O massacre começou quando uma grande multidão de bizantinos atacou o bairro com população latina da cidade. A multidão matou centenas de latinos, incluindo mulheres e crianças, e saquearam e incendiaram as casas e os seus negócios. O massacre continuou por vários dias, até que as autoridades bizantinas conseguiram restaurar a ordem. O número exato de mortos ou forçados a fugir durante o Massacre dos Latinos é desconhecido, mas, estima-se que a maior parte da comunidade latina em Constantinopla, que era composta por cerca de 60.000 pessoas na época, foi morta ou se viu forçada a fugir, segundo Eustácio de Tessalônica. As comunidades genovesas e pisanas foram as mais atingidas, tendo em cerca de 4.000 sobreviventes sendo vendidos como escravos ao Sultanato de Rum.

O Massacre dos Latinos teve um impacto profundo nas relações entre as igrejas ortodoxa e católica. O massacre endureceu as atitudes de ambos os lados, dificultando ainda mais a reconciliação entre as duas igrejas. O massacre também prejudicou a posição do Império Bizantino no Ocidente e contribuiu para o eventual declínio do império.

Saque de Constantinopla Em abril de 1204, exércitos cruzados católicos capturaram e saquearam Constantinopla, a então capital do Império Bizantino e sede da Igreja Ortodoxa Oriental. Após o saque da cidade, a maior parte dos territórios do Império Bizantino foi dividida entre os cruzados. O saque de Constantinopla foi um ponto de inflexão na história medieval. A decisão dos cruzados de atacar a maior cidade cristã do mundo foi algo sem precedentes e, imediatamente controversa. Os relatos dos saques e brutalidades dos cruzados escandalizaram e horrorizam o mundo ortodoxo; o Império Bizantino tornou-se muito mais pobre, menor e incapaz de se defender contra as conquistas seljúcidas e otomanas que se seguiram após o saque; as ações dos cruzados, assim, aceleraram diretamente o colapso da cristandade no Oriente, e, a longo prazo, facilitaram a posterior conquista otomana.

Oitocentos anos após a Quarta Cruzada, o Papa João Paulo II expressou duas vezes pesar pelo evento da Quarta Cruzada. Em 2001, ele escreveu que "É trágico que os agressores, que partiram para garantir o livre acesso dos cristãos à Terra Santa, tenham se voltado contra seus irmãos na fé. O fato de que fossem cristãos latinos enche os católicos de profundo arrependimento." Em 2004, enquanto Bartolomeu I, Patriarca de Constantinopla, visitava o Vaticano, João Paulo II perguntou: "Como podemos não compartilhar, a uma distância de oito séculos, a dor e o desgosto?". Em abril de 2004, em um discurso no 800º aniversário da captura da cidade, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I aceitou formalmente o pedido de desculpas. “O espírito de reconciliação é mais forte que o ódio”, disse ele durante uma liturgia com a presença do arcebispo católico romano Philippe Barbarin de Lyon, França. “Recebemos com gratidão e respeito seu gesto cordial pelos trágicos eventos da Quarta Cruzada. É um fato que um crime foi cometido aqui na cidade há 800 anos.”

Segundo Concílio de Lyon O Segundo Concílio de Lyon em 1274 foi uma tentativa de reconciliação convocada pelo Papa Gregório X. O concílio contou com a presença de mais de 300 bispos, que discutiram a união entre o Oriente e o Ocidente. O Papa Gregório X celebrou a Missa para a Festa de São Pedro e São Paulo, que foi assistida por ambos os lados. Os gregos aceitaram a cláusula contestada Filioque, o que permitiu que a reunificação fosse momentaneamente alcançada. No entanto, essa união foi breve, pois, embora o Imperador Miguel VIII Paleólogo fosse entusiasta sobre a reunificação, o clero oriental se opôs amplamente às decisões do concílio. Assim, quando seu filho Andrônico II Paleólogo assumiu como Imperador, ele repudiou a união.

Concílio de Florença miniaturadaimagem|224x224px| O Concílio de Florença O Concílio de Basileia-Ferrara-Florença, realizado entre 1438 e 1445, foi o esforço histórico mais notável em prol da unidade ecumênica. A Igreja Ocidental enviou cartas aos seus homólogos gregos, entusiasmada com a possibilidade de uma futura unidade. Eles se reuniram com o objetivo de alcançar um acordo doutrinal e pôr fim ao cisma. Os gregos presentes acabaram aceitando a cláusula Filioque, bem como a perspectiva latina sobre a Eucaristia, o purgatório e a primazia papal.

A Bula da União com os Gregos(Laetentur Caeli: Bulla Unionis Graecorum), trouxe uma reunificação completa; sendo proclamada pelos representantes das cinco sedes patriarcais. A evidência de unidade foi, de modo sensacional, vista na participação mútua nas liturgias, bem como na crescente apreciação pelas respectivas tradições patrísticas.

Esta união, porém, durou pouco, devido à decisão dos ortodoxos de rejeitarem posteriormente a união, impulsionados pelo sentimento antiocidental das classes populares e pela queda de Constantinopla para os turcos em 1453. Com o antagonismo, houve uma contínua discordância sobre as questões teológicas abordadas no concílio: o Filioque, o purgatório e a primazia papal. Os ortodoxos argumentaram que Florença não deveria ser considerada um Concílio Ecumênico válido, pois não seguiu o método tradicional. Em última análise, Florença serviu para destacar a imensa dificuldade de unificação.

Igrejas Católicas Orientais Apesar do fracasso de Florença, as relações foram relativamente fortes nos séculos seguintes. As Igrejas Católicas Orientais surgiram de um movimento que buscava entrar em plena comunhão com o Papa, mantendo elementos de suas práticas litúrgicas e regras canônicas tradicionais. Aqui está uma lista de Igrejas Católicas Orientais com origens na Igreja Ortodoxa Oriental:

Igreja Uniata Rutena ( 1595 - 1795 ) Igreja Católica Grega Ucraniana (1963) Igreja Católica Grega Bielorrussa (1990) Igreja Católica Grega Russa Igreja Católica Bizantina (Rutena) ( 1646 ) Igreja Católica Grega Húngara (1912) Igreja Católica Grega Eslovaca (2008)