Heman Marion Sweatt (Houston, 11 de dezembro de 1912 – Atlanta, 3 de outubro de 1982) foi um ativista afro-americano dos direitos civis que enfrentou as leis Jim Crow. É mais conhecido pelo processo Sweatt v. Painter, que desafiou a doutrina “separados, mas iguais” e foi um dos primeiros eventos que levaram à dessegregação do ensino superior estadunidense.
Biografia Heman Marion Sweatt (apelidado de “Bill”) nasceu em 11 de dezembro de 1912, em Houston, na Texas, o quarto de seis filhos de James Leonard Sweatt e Ella Rose Perry. Seu pai, James Sweatt, frequentou a e tornou-se professor e diretor de escola em Beaumont, antes de mudar-se para Houston, em busca de melhores oportunidades econômicas.
Heman cresceu em uma área relativamente com pouca segregação de Houston, o terceiro distrito da Chenevert Street. Embora estivesse relativamente integrado junto a sociedade, vivenciou o racismo e as leis Jim Crow em sua totalidade. Em outubro de 1920, a Ku Klux Klan, abriu uma sede em Houston.
Seu pai passou a importância pela educação para Heman e seus irmãos. “Em casa, nosso pai sempre enfatizou o valor da educação e nos incutiu a ideia de integração desde cedo”, recordou um dos filhos de James Sweatt. Todos os filhos frequentaram a universidade. De todos os irmãos, Heman foi o único que estudou no estado do Texas.
Como seu pai, antes dele, a primeira interação de Heman com o direito foi devido à sua preocupação com as práticas do sindicato dos trabalhadores dos correios. De acordo com a Associação Histórica do estado do Texas, "preocupado com a discriminação contra os negros nos correios, onde um funcionário tinha que ser escriturário antes de ser promovido a um cargo de supervisão e onde os negros eram sistematicamente excluídos de tais cargos, Sweatt desafiou essas práticas em sua capacidade como secretário local da ".
No início da década de 1940, participou de campanhas de registro de eleitores e levantou fundos para ações judiciais contra as primárias brancas. Sweatt teve a oportunidade de escrever várias colunas para o jornal Houston Informer, graças ao amigo do pai de Sweatt, o editor Carter W. Wesley, de Dallas. Os correios pararam de promover negros a cargos de supervisão, excluindo-os sistematicamente de cargos de escriturário que os tornariam elegíveis para serem promovidos. Como secretário local da aliança nacional de funcionários postais e federais, Sweatt preocupava-se com a discriminação e desafiava essas práticas. Enquanto preparava a documentação para esse caso com um advogado, ele se interessou mais pelo direito.
Alguns anos depois, na metade da década de 1940, Sweatt decidiu cursar a faculdade de direito e pediu ao advogado e ativista William J. Durham que o ajudasse. Como Durham sabia que o Texas não tinha faculdades de direito para negros, aconselhou Sweatt a se inscrever na Faculdade de Direito da Universidade do Texas. Sweatt não apenas buscou a admissão, mas, em resposta a um apelo que fez a um grupo de negros de Houston para que um voluntário entrasse com uma ação judicial, também concordou em atuar como autor da ação da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP) caso fosse rejeitado com base na etnia.
Ingressou no Wiley College em Marshall, no Texas, em 1930, e se formou em 1934 com o título de Bacharel em Artes. Era considerado um dos alunos mais brilhantes da universidade. No ano de 1936, tornou-se professor e diretor substituto em Cleburne, também no Texas. Em 1937, frequentou a Universidade de Michigan para tornar-se médico. Após a universidade, matriculou-se em vários cursos de pós-graduação, incluindo bacteriologia, imunologia e medicina preventiva; ao final de seu primeiro ano acadêmico, ele havia completado doze horas semestrais com uma média B+. Em 1938, Heman tornou-se carteiro e optou por não retornar à Universidade de Michigan, devido aos invernos rigorosos, permanecendo no Texas em sua nova função.
Sweatt v. Painter
Heman Marion Sweatt inscreveu-se formalmente na Faculdade de Direito da Universidade do Texas. O reitor, , reteve a inscrição enquanto esperava uma resposta do procurador-geral sobre as leis de segregação. Enquanto isso, Sweatt se reuniu com o reitor, que o informou que, embora suas credenciais fossem suficientemente adequadas, não poderia permitir que ele entrasse na Universidade do Texas. Painter continuou dizendo a Sweatt que “não há nada disponível para você, exceto bolsas de estudo fora do estado”. O Tribunal de Apelações Civis escreveria mais tarde que “ele possuía todas as qualificações essenciais para a admissão, exceto a raça, que foi o único motivo pelo qual sua solicitação foi negada”.
O procurador-geral decidiu manter as leis de segregação e negou a Sweatt a entrada na universidade; Sweatt respondeu entrando com uma ação contra Painter em 16 de maio de 1946. O caso foi levado para o tribunal e a decisão do juiz foi que o Texas tinha que construir uma faculdade de direito igualitária em um prazo de seis meses. Passados os seis meses, o juiz rejeitou o caso porque a Universidade A&M do Texas havia planejado uma resolução para oferecer educação jurídica para negros. Sweatt e a NAACP decidiram entrar com um recurso contra a decisão original. Em 26 de maio de 1947, o recurso foi levado a um tribunal inferior que concordou com a decisão anterior da resolução planejada da Texas A&M.
Posteriormente, em junho de 1950, a Suprema Corte decidiu que os estudantes não recebiam educação jurídica de qualidade igual no estado do Texas e, como resultado, a Universidade do Texas teria que admitir candidatos negros qualificados. Em 19 de setembro de 1950, Sweatt inscreveu-se para as aulas na faculdade de direito da Universidade do Texas. No entanto, como resultado da enorme quantidade de stress e trauma emocional dos longos processos judiciais, a saúde física e mental de Sweatt piorou.
Em 1952, decidiu desistir da faculdade de direito devido a vários problemas de saúde e notas baixas. Mais tarde, recebeu uma bolsa de estudos para a Universidade de Atlanta para estudar Serviço Social. No ano de 1954, ele formou-se com um mestrado em Organizações Comunitárias.
Mudou-se para Cleveland e trabalhou para a NAACP e a durante oito anos. Posteriormente, retornou a Atlanta para continuar trabalhando para a Liga Urbana Nacional por vinte e três anos. Trabalhou no Escritório Regional Sul da Liga Urbana ao lado de Clarence D. Coleman, J. Harvey Kerns, KBM Crooks e Felton Alexander, participando de uma ampla gama de projetos, que incluíam desde o registro de eleitores até a criação de programas para apoiar os negros do sul dos Estados Unidos que migravam para a região norte. No ano de 1977, aposentou-se da Liga Urbana Nacional.
Vida pessoal Em abril de 1940, casou-se com sua namorada do ensino médio, Constantine Mitchell, e comprou uma casa. Foi membro da comunidade bahá'í de Houston.
Como a saúde de Sweatt piorou ainda mais, fazendo-o faltar às aulas, ele obteve notas baixas e foi reprovado. Essas mesmas tensões criaram um distanciamento entre ele e sua esposa, que mais tarde divorciou-se dele. No ano de 1963, Sweatt casou-se com Katherine Gaffney, com quem teve uma filha; mais tarde, adotaram outra.
Morte Heman Marion Sweatt morreu em 3 de outubro de 1982, em sua residência em Atlanta. Seu corpo foi enterrado no Cemitério Paradise North.
Legado O Tribunal do Condado de Travis, onde ocorreu seu processo judicial, foi renomeado como “” em 21 de outubro de 2005, e uma bolsa de estudos universitária no valor de 10.000 mil dólares foi criada em seu nome. A Universidade do Texas, também criou uma bolsa de estudos em sua memória.
Ver também
Lulu Belle Madison White
Leitura adicional
Categoria:Nascidos em 1912 Categoria:Mortos em 1982 Categoria:Naturais de Houston Categoria:Alunos da Universidade de Michigan Categoria:Alunos da Universidade do Texas em Austin Categoria:Alunos da Universidade de Atlanta Categoria:Ativistas afro-americanos