João Artur da Silva é um artista e fotógrafo português que atualmente vive na Colúmbia Britânica, Canadá.

Biografia João Artur Cordeiro da Silva nasceu a 5 de outubro de 1928 no Monte Estoril, Portugal. É filho de Alfredo Lopes da Silva, empresário e de Georgina Cordeiro, a primeira escultora da Academia Nacional de Belas Artes.“João Artur expõe pinturas esculturas no chiado,” Diário de Coimbra, Nov 4, 1990. Cresceu em Cascais onde frequentou a escola privada internacional britânica St. Julian's School. Aos 18 anos, em vez de se juntar aos negócios do pai, João Artur começou a desenhar e pintar. No final da década de 1940, após participar em diversas exposições coletivas de arte em Lisboa, foi apresentado a Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas e António Maria Lisboa do Grupo Surrealista de Lisboa (Os Surrealistas)Avila, Maria Jesus and Perfecto E. Cuadrado. Surrealismo em Portugal 1934-1952. IPM Museu do Chiado, 2001, pp. 70-71, 337, 401. por Mário-Henrique Leiria. Devido a estas ligações, a obra de João Artur foi exposta na 1ª Exposição Surrealista de Lisboa, em 1949.1a Exposição dos Surrealistas, (Lisbon, 1949), Exhibition catalogue. Continuou a expor com o Grupo Surrealista de Lisboa até 1953. Muitos dos artistas deste grupo eram abertamente críticos do regime de Salazar e a filiação de João Artur ao grupo dificultou a obtenção do passaporte até 1958. Quando finalmente conseguiu deixar o país, João Artur fixou residência no sudoeste de Manchester, numa propriedade em Wilmslow. Por lá, passou dois anos a trabalhar para uma exposição individual de esculturas e pinturas na Woodstock Gallery em Londres.“Famous Artist,” The Advertiser, Jan 15, 1960. Em Inglaterra, João Artur continuou a expor na Piccadilly Gallery de Londres, ao mesmo tempo que procurava novos meios artísticos, como os têxteis. Alguns dos seus designs, encomendados pela Hull Stafford Ltd, foram exibidos na exposição “Best Designs of 1960” no London Design Centre.Hull Traders LTD (1960) “Time Present” Fabrics Aim High and Score High: Hull Traders’ New Autumn Collection of Ten Masterpieces of Textile Design and Printing [Press Release]. October No mesmo ano, várias pinturas e esculturas de João Artur foram expostas na reconhecida exposição Art Alive!.Art Alive!, (Northampton, 1960), Exhibition catalogue.

Nesta época João Artur fez amizade com Errol Jackson, marido da sua co-expositora,“Expressionnistes de Londres.” Journal de l’amateur d’art, April 10, 1960. a artista Jeanette Jackson. Errol Jackson, fotógrafo oficial da obra do escultor Henry Moore, ensinou João Artur a fotografar a sua própria arte, prática que ele seguiu.

Em 1978, e depois de vários anos a viver e a expor no exterior, João Artur volta para Portugal. Em 1981 realizou o seu primeiro 'Open Studio' em Lisboa onde montou uma retrospectiva do seu trabalho dos últimos 23 anos.“João Artur expõe pinturas esculturas no chiado”

Em 2009, a sua escultura “O Prisioneiro,João Artur da Silva, “O Prisioneiro,” N.D. Aluminum and Steel. Calouste Gulbenkian Museum. Updated 23 January, 2015. https://gulbenkian.pt/museu/en/works_cam/o-prisioneiro-154777/ . que é uma das duas obras suas na colecção permanente da Gulbenkian, foi exposta no Reino Unido e em Portugal no âmbito de uma colaboração entre a Tate Gallery, St. Ives e o Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian.

João Arthur mudou-se para a Colúmbia Britânica, Canadá, em 1991 tornando-se cidadão canadiano em 2012. Em 2023, aos 95 anos e depois de uma vida inteira a cuidar pessoalmente de cada detalhe da sua carreira, contratou o seu primeiro agente. Atualmente é representado exclusivamente pela Perve Galeria em Lisboa (pervegaleria.eu). Em abril de 2024, foi destaque na Art Vancouver Fair, a sua primeira exposição no Canadá.

Estilo João Artur iniciou a sua prática artística a trabalhar com óleos e guache . Durante o seu tempo em Inglaterra, começou a incorporar tinta à prova de água, o que lhe permitiu obter um efeito em camadas que lembrava vitrais . Essa técnica, que continuou a desenvolver ao longo da sua carreira, confere às suas pinturas uma estética geométrica.

A sua prática escultórica também evoluiu ao longo dos anos, começando com um foco na forma linear e na sua interação expressiva com o espaço.Joaquim Matos Chaves, Master Professor of Arts at the University of Oporto, April 1990 Na década de 70, essas formas tornaram-se mais arredondadas e reconhecidamente humanas, uma tendência que permaneceu consistente no seu trabalho daquele momento em diante. As formas humanas das esculturas posteriores de João Artur contrastam com as terras despovoadas e as paisagens urbanas das suas pinturas.Chaves, 1990.

Embora João Artur tenha iniciado a sua carreira com os surrealistas de Lisboa, a sua estética já não se alinha com as técnicas surrealistas típicas. O próprio Cruzeiro Seixas admirou a sua aptidão técnica na mudança de formas docemente curvilíneas para formas angulares, quase agressivas.Cruzeiro Sexias, Joao Artur: Muitos Diversos Horizontes, (Junta de Turismo da Costa Estoril, 1983), Exhibition catalogue. Em 1960, João Artur chamou à atenção do conceituado crítico de arte Eric Newton, que elogiou o escultor e pintor pelas suas obras bem construídas, "baseadas em triângulos de arestas vivas engenhosamente entrelaçados e dotados de harmonias agradavelmente variegadas e discretas... [cuja] estrutura matemática subjacente tem uma certa tensão"Newton, Eric. The Guardian, February 3, 1960.

Exposições A atividade expositiva de João Artur da Silva desenvolveu-se sobretudo a partir da década de 1950, tendo o artista apresentado a sua obra em Portugal e no Reino Unido. Durante o período em que viveu em Londres, entre 1958 e 1978, expôs em diferentes galerias e instituições e integrou o circuito artístico da cidade. Após regressar a Portugal na década de 1980 e, posteriormente, estabelecer-se no Canadá, em 1991, reduziu significativamente a sua participação em exposições públicas.

A partir de 2024, a obra de João Artur da Silva voltou a ser apresentada regularmente em exposições, na sequência da representação do artista pela Perve Galeria. Em janeiro desse ano, realizou-se na Casa da Liberdade – Mário Cesariny, em Lisboa, a exposição individual Regresso, Desvelamento e Vida. Em abril, a sua obra foi apresentada numa exposição individual na feira internacional Art Vancouver, no Canadá, seguindo-se, em julho, uma exposição individual na Seattle Art Fair, nos Estados Unidos. Esta última constituiu a primeira exposição individual do artista nos Estados Unidos da América.

Em outubro e novembro de 2024, a Perve Galeria apresentou em Lisboa Vitalidade Contínua, exposição que colocou a obra de João Artur da Silva em diálogo com a de Isabel Meyrelles. A mostra assumiu caráter retrospetivo, reunindo trabalhos representativos de cerca de sete décadas de produção artística, e integrou as comemorações do 75.º aniversário da primeira exposição do grupo Os Surrealistas.

Em janeiro de 2025, a obra de João Artur da Silva foi apresentada na London Art Fair, numa minirretrospetiva que reuniu pinturas e esculturas de diferentes períodos da sua carreira, incluindo obras realizadas durante os anos em que viveu em Londres.

Em setembro e outubro de 2025, a Perve Galeria apresentou a exposição João Artur da Silva: Obras recentes e outras histórias, reunindo obras inéditas ou pouco divulgadas e assinalando o 97.º aniversário do artista. Em 2026, a galeria apresentou a exposição antológica JAS: Junção, Abstração, Surrealismo, dedicada a diferentes períodos da sua produção e reunindo pintura, desenho, escultura e fotografia. Categoria:Escultores de Portugal do século XX Categoria:Pessoas vivas Categoria:Nascidos em 1928 Categoria:Naturais de Cascais Categoria:Fotógrafos do Canadá Categoria:Artistas surrealistas Categoria:Artistas de Portugal Categoria:Pintores de Portugal Categoria:Escultores de Portugal