Anaco, o Parta (; ), dito o Parta (, Part῾ew; ) foi um nobre parta que, de acordo com a tradição armênia, foi o pai de Gregório, o Iluminador, que converteu a Armênia ao cristianismo no início do . Diz-se que Anaco matou o rei por incitação dos sassânidas, levando ao seu próprio assassinato e ao extermínio de sua família, exceto a criança Gregório, que foi salva e levada para território romano. Os detalhes e a historicidade desse relato foram debatidos por historiadores.
Nome
Anaco () é a forma latina do armênio Anaque (, Anak). De acordo com alguns estudiosos, o nome vem de uma palavra parta ou persa média que significa "mal" (anāg) e é mais provável que seja um epíteto para o assassino do rei Cosroes do que um nome próprio real. Outra interpretação dá a ele o significado de "não mal" (*an-aka-).
Vida
thumb|upright=1|Idealização do do assassinato de Cosroes
De acordo com a versão da história atribuída a Agatângelo aceita na tradição literária armênia, Anaco era um nobre armênio de origem parta que era parente do rei da Armênia. A história posterior de Moisés de Corene acrescenta que era um membro da casa nobre parta de Surena. Durante as guerras do entre a Armênia arsácida e o Irã sassânida, Anaco foi recrutado pelo rei sassânida (a quem Agatângelo chama de Artaxer) para assassinar o rei Cosroes da Armênia (provavelmente ), prometendo devolver a Anaco seu domínio como recompensa. Anaco foi à Armênia e assassinou Cosroes depois de ganhar sua confiança, após o que ele foi morto por nobres armênios furiosos junto com toda a sua família. Agatângelo descreve as circunstâncias do assassinato de Cosroes da seguinte forma: Anaco e seu irmão se encontraram com o rei em Valarsapate enquanto se preparava para fazer campanha contra os persas e o mataram com suas espadas. Eles tentaram fugir a cavalo, mas foram perseguidos pelos príncipes armênios que os jogaram da ponte Taperacã (sobre o rio Araxes, perto de Artaxata) para a morte. Um dos filhos de Anaco, o futuro Gregório, o Iluminador, foi resgatado por sua enfermeira e levado para território romano. O filho de Cosroes, Tiridates, também foi salvo e levado para Roma. Após a morte de Cosroes, os persas conquistaram a Armênia. Mais tarde, Tiridates retornou para reivindicar o trono armênio com a ajuda romana. Gregório, que foi criado como cristão em Cesareia da Capadócia, também retornou à Armênia quando adulto e eventualmente converteu Tiridates e seu reino ao cristianismo. Esta história é repetida em todas as outras histórias armênias, exceto a de Eliseu, o Armênio, que atribui o assassinato de Cosroes a seus irmãos não identificados.
Família
A relação exata de Anaco com Cosroes não é declarada na versão armênia principal de Agatângelo, mas uma recensão da história de Agatângelo afirma que Anaco era irmão de Cosroes. A esposa de Anaco e mãe de Gregório do Iluminador é chamada de Vogui (, Voguhi) na história atribuída a Zenóbio de Glaque. Agatângelo menciona dois filhos de Anaco que sobrevivem ao extermínio de sua casa: um, Gregório, e outro que é levado à Pérsia, embora nenhuma outra informação seja dada sobre o último. Moisés de Corene, por outro lado, escreve que apenas um filho de Anaco (ou seja, Gregório) foi salvo. Zenóbio de Glaque se refere ao irmão de Gregório como Surena.
Historiografia
Os historiadores têm lutado para reconstruir a história da Armênia no terceiro século e a cronologia dos eventos descritos em Agatângelo e outras fontes. Cyril Toumanoff argumenta que a história do assassinato de Cosroes por Anaco é fictícia e, em vez disso, favorece a versão em Eliseu, onde Cosroes é assassinado por seus irmãos. De acordo com Toumanoff, Cosroes II foi feito rei da parte ocidental da Armênia controlada pelos romanos em 279/80 e foi morto e sucedido por seu irmão Tiridates III. Ele sugere que a história do assassinato de Cosroes por um agente iraniano pode ter sido inventada mais tarde para mascarar "o horror deste fratricídio". Marie-Louise Chaumont também considera a versão em que Cosroes é assassinado por seus irmãos como mais provável.
De acordo com o historiador Nicholas Adontz, é provável que houvesse originalmente duas tradições independentes sobre as origens de Gregório, o Iluminador, ambas dando ao fundador da Igreja Armênia uma origem nobre, que foram combinadas na versão armênia principal de Agatângelo. A história de Anaco serve para conectar Gregório à dinastia arsácida como um descendente do clã parta de Surena, e também faz com que a vida inicial de Gregório reflita a de Tiridates de forma épica. Adontz também sugere que a história de Anaco pode ter se desenvolvido sob a influência da tradição épica persa sobre Artaxer, o fundador do Império Sassânida. Ele observa vários paralelos entre a história de Anaco e a figura de Banaque no texto persa médio Livro dos Feitos de Artaxes, Filho de Pabeco (Kār-Nāmag ī Ardašīr ī Pāpakān), bem como a semelhança de seus nomes. Nos Feitos, Banaque é um príncipe parta que trai o rei parta Ardavã () e ajuda seu inimigo Artaxer. Tanto Anaco quanto Banaque são partas que traem um rei e ajudam Artaxer: Anaco ajuda Artaxer matando Cosroes, enquanto Banaque se junta a Artaxer contra seu governante Ardavã.
Notas
Bibliografia
(tradução francesa: )
Categoria:Armênios do século III Categoria:Partas do século III Categoria:Dinastia arsácida da Armênia Categoria:Casa de Surena