Vanity Fair é um romance escrito pelo autor inglês William Makepeace Thackeray que acompanha as vidas de Becky Sharp e Amelia Sedley com seus amigos e familiares durante e após as Guerras Napoleônicas. Foi publicado pela primeira vez como uma série mensal de 19 volumes (o último contendo as partes 19 e 20) entre 1847 e 1848 com o subtítulo Pen and Pencil Sketches of English Society, que indica uma sátira da sociedade britânica do início do século XIX. As ilustrações também foram desenhadas por Thackeray. A história foi lançada em um único volume em 1848 com o subtítulo A Novel without a Hero, refletindo o interesse de Thackeray em desconstruir as convenções de sua época em relação ao heroísmo literário. Ele é considerado o “principal fundador” do romance doméstico vitoriano.
A história é apresentada como um teatro de fantoches, e o narrador, apesar de ser uma voz autoral, não é confiável. A série foi um sucesso de público e crítica. Atualmente, o romance é considerado um clássico e inspirou várias adaptações para rádio, cinema e televisão. Ele também inspirou o título da revista britânica sobre estilo de vida, publicada pela primeira vez em 1868 e conhecida por suas caricaturas de pessoas famosas da sociedade vitoriana e eduardiana. Em 2003, Vanity Fair foi listado em 122º lugar na pesquisa The Big Read da BBC sobre os livros mais amados do Reino Unido.
Título O título do livro é inspirado por The Pilgrim's Progress, de John Bunyan, uma alegoria dissidente publicada em 1678. Na obra, “Vanity Fair” refere-se a uma feira realizada em uma cidade chamada Vanity, o que representa o apego pecaminoso do homem às coisas mundanas. Thackeray não menciona Bunyan no romance nem em suas cartas, nas quais ele se descreve lidando com “viver sem Deus no mundo”, mas ele esperava que a referência fosse compreendida por seu público, como mostra um artigo do jornal The Times de 1851, provavelmente escrito pelo próprio Thackeray.
No século 18, a expressão “Vanity Fair” era usada para representar um espaço de diversão. Contudo, na primeira metade do século 19, passou a representar o espaço de diversão dos ricos ociosos e indignos. Todos esses sentidos aparecem na obra de Thackeray. O nome “Vanity Fair” também foi usado para pelo menos cinco periódicos.
Resumo do enredo A história é apresentada em seu prefácio na forma de um teatro de marionetes que ocorre em uma feira. A capa das publicações ilustrava uma trupe de atores cômicos no Speakers' Corner, no Hyde Park. O narrador, que pode ser um apresentador ou escritor, aparece na própria obra e não é confiável, repetindo fofocas que ouviu.
Em Londres, em 1814, Rebecca Sharp (Becky), filha de um professor de arte e de uma dançarina francesa, é uma jovem obstinada, astuta e sem dinheiro, determinada a conquistar seu espaço na sociedade. Depois de sair da escola, Becky vai morar com sua amiga Amelia Sedley (Emmy), uma jovem simples de boa índole que pertence a uma família rica de Londres. Lá, Becky conhece noivo de Amelia, o arrojado e obcecado Capitão George Osborne, e o irmão de Amelia, Joseph (Jos) Sedley, um desajeitado e vaidoso, mas rico funcionário público da Companhia das Índias Orientais. Na esperança de se casar com Sedley, o jovem mais rico que já conheceu, Becky tenta o seduzir, mas não consegue. O Capitão William Dobbin, amigo de George Osborne, ama Amelia, mas só deseja sua felicidade, que está centrada em George.miniaturadaimagem|Uma reprodução do Plano do Caminho da Cidade da Destruição para a Cidade Celestial em The Pilgrim's Progress, incluindo Vanity como a principal cidade ao longo do caminho.Becky Sharp se despede da família Sedley e começa a trabalhar para o grosseiro e perdulário baronete Sir Pitt Crawley, que a contrata como governanta de suas filhas. O comportamento dela na casa de Sir Pitt o agrada e, após a morte prematura de sua segunda esposa, ele a propõe em casamento. No entanto, ele descobre que Becky se casou secretamente com seu segundo filho, o Capitão Rawdon Crawley, mas que está arrependida. A meia-irmã mais velha de Sir Pitt, Srta. Crawley, é muito rica, pois herdou a fortuna de sua mãe, e toda a família Crawley lhe agrada para que ela lhes deixe sua riqueza. Inicialmente, seu favorito é Rawdon Crawley, mas o casamento dele com Becky a enfurece. Ela favorece a família do irmão de Sir Pitt, mas, quando morre, deixa seu dinheiro para o filho mais velho de Sir Pitt, também chamado Pitt.
Chega a notícia de que Napoleão escapou da Ilha de Elba e, como resultado, o mercado de ações fica agitado, fazendo com que o pai de Amelia, John Sedley, corretor da bolsa, vá à falência. O pai rico de George o proíbe de se casar com Amelia, que agora é pobre. Dobbin convence George a se casar com Amelia e, consequentemente, ele é deserdado. George Osborne, William Dobbin e Rawdon Crawley são enviados a Bruxelas, acompanhados de Amelia e Becky, e do irmão de Amelia, Jos.
George fica constrangido com a vulgaridade da Sra. Major O'Dowd, a esposa do chefe do regimento. O recém-casado Osborne já está se cansando de Amelia e se sente cada vez mais atraído por Becky, o que deixa Amelia com ciúmes e infeliz. Ele também está perdendo dinheiro para Rawdon em apostas. Em um baile em Bruxelas, George dá a Becky um bilhete convidando-a a fugir com ele (esse fato é revelado no final do livro). Em seguida, o exército recebe ordens para marchar para a Batalha de Waterloo. George passa uma noite carinhosa com Amelia e vai embora. O barulho da batalha deixa Amelia horrorizada, e ela é consolada pela Sra. O'Dowd. Becky é indiferente e faz planos para qualquer que seja o resultado. Ela também lucra vendendo sua carruagem e cavalos a preços inflacionados para Jos, que está tentando fugir de Bruxelas. miniaturadaimagem|O capítulo 32 termina com os acontecimentos de Waterloo. George Osborne é morto na Batalha de Waterloo, enquanto Dobbin e Rawdon sobrevivem. Amelia é mãe de um filho póstumo, que leva o nome de George. Ela volta a viver na pobreza com seus pais, dedicando sua vida à memória do marido e aos cuidados com o filho. Dobbin paga uma pequena pensão vitalícia para Amelia e expressa seu amor por ela por meio de pequenas gentilezas para com ela e seu filho. Ela está apaixonada demais pela memória do marido para retribuir o amor de Dobbin. Entristecido, ele vai para a Índia, onde fica por muitos anos.
Becky também teve um filho que chamou de Rawdon, em homenagem ao pai. Becky é uma mãe fria e distante, embora Rawdon ame seu filho. Becky continua sua ascensão, primeiro na Paris do pós-guerra e depois em Londres, onde é apadrinhada pelo rico e poderoso Marquês de Steyne. Ela é apresentada na corte ao príncipe regente Jorge IV e o encanta em um jogo de “charadas teatrais”, no qual ela interpreta os papéis de Clitemnestra e Filomela. O idoso Sir Pitt Crawley morre e é sucedido por seu filho Pitt, que havia se casado com Lady Jane Sheepshanks, a terceira filha de Lord Southdown. Becky tem boas relações com Pitt e Jane, mas Jane fica revoltada com a atitude de Becky em relação ao filho e com ciúmes do relacionamento de Becky com Pitt.
No auge de seu sucesso social, Rawdon é preso por dívidas, possivelmente com a conivência de Becky. O sucesso financeiro dos Crawley foi tema de fofocas; eles viviam sob crédito, apesar disso ter arruinado a confiança daqueles que acreditavam neles. O Marquês de Steyne havia dado dinheiro, joias e outros presentes a Becky, mas ela não os usou para pagar despesas ou libertar o marido. Em vez disso, a carta de Rawdon para seu irmão é recebida por Lady Jane, que paga as 170 libras que motivaram sua prisão.
Ao voltar para casa, ele encontra Becky cantando para Steyne e o agride, presumindo que eles estão tendo um caso, apesar das contestações de inocência. Steyne fica indignado, pois supôs que o dinheiro que havia dado a Becky fazia parte de um acordo com o marido dela. Rawdon encontra os registros bancários ocultos de Becky e a deixa, esperando que Steyne o desafie para um duelo. Em vez disso, Steyne faz com que Rawdon seja nomeado governador da Ilha de Coventry, um local pestilento e cheio de doenças. Becky, tendo perdido o marido e a credibilidade, abandona a Inglaterra e vagueia pelo continente, deixando seu filho aos cuidados de Pitt e Lady Jane. miniaturadaimagem|Duas meninas fecham sua caixa de bonecas no final da história. À medida que o filho de Amelia, George, cresce, seu avô, o Sr. Osborne, se torna mais tolerante com ele (mas não com Amelia) e o tira de sua mãe empobrecida, que sabe que ele lhe dará uma vida melhor do que ela poderia conseguir. Após doze anos no exterior, Joseph Sedley e Dobbin retornam. Dobbin declara seu amor a Amelia, que é carinhosa, mas não consegue esquecer a lembrança de seu falecido marido. Dobbin intermedia uma reconciliação entre Amelia e seu sogro, que morre logo depois. Ele havia alterado seu testamento, legando ao jovem George metade de sua fortuna e a Amelia uma generosa anuidade.
Após a morte do Sr. Osborne, Amelia, Jos, George e Dobbin vão para Pumpernickel, na Alemanha, onde encontram a indigente Becky, que está vivendo em meio a jogadores de cartas e vigaristas. Becky encanta Jos Sedley mais uma vez, e Amelia é persuadida a deixar Becky se juntar a eles. Dobbin proíbe isso e lembra Amelia de seu ciúme de Becky com seu marido. Amelia sente que isso desonra a memória de seu falecido e reverenciado marido, o que leva a um rompimento total entre ela e Dobbin. Ele deixa o grupo e se junta novamente ao seu regimento, enquanto Becky permanece com o grupo.
No entanto, Becky decidiu que Amelia deve se casar com Dobbin, mesmo sabendo que Dobbin é seu inimigo. Becky mostra a Amelia o bilhete de George, guardado desde a véspera da Batalha de Waterloo, e Amelia finalmente percebe que George não era o homem perfeito que ela sempre pensou e que ela rejeitou um homem melhor, Dobbin. Amelia e Dobbin se reconciliam e retornam à Inglaterra. Becky e Jos permanecem na Europa. Jos morre, possivelmente de forma suspeita, depois de dar uma parte de seu dinheiro a Becky como seguro de vida, o que lhe garante uma renda. Ela retorna à Inglaterra e consegue levar uma vida respeitável, embora todos os seus amigos anteriores se recusem a reconhecê-la.
Personagens
Emmy Sedley (Amelia) miniaturadaimagem|Becky e Emmy na infância, uma das ilustrações de Thackeray no início do livro. Amelia, conhecida como Emmy, é bem-humorada, mas passiva e ingênua. Ela tem nariz arrebitado e bochechas redondas e rosadas, e é muito querida por todos. Ela começa a obra como heroína e se casa com o arrojado George Osborne contra a vontade do pai dele. Ela continua apaixonada por George, apesar de ele a negligenciar e flertar com Becky.
Após a morte de George na Batalha de Waterloo, ela cria o filho George sozinha enquanto vive com seus pais. Ela é completamente dominada por sua mãe e por seu pai que, para financiar um de seus esquemas de investimento fracassados, vende a anuidade que Jos havia fornecido. Amelia fica obcecada pelo filho e pela memória do marido. Ela ignora William Dobbin, que a corteja por anos e o trata mal até que ele vá embora. Somente quando Becky mostra a carta de George para ela, indicando sua infidelidade, Amelia consegue seguir em frente e se casa com Dobbin.
Enquanto escrevia o livro, Thackeray escreveu uma carta para sua amiga Jane Octavia Brookfield que dizia: “Você sabe que é apenas um pedaço de Amelia, minha mãe é outra metade”. Na obra, sua personagem é comparada e conectada a Ifigênia, embora duas das referências estendam a alusão a todas as filhas como Ifigênias em potencial, esperando para serem sacrificadas por suas famílias.
Becky Sharp (Rebecca) miniaturadaimagem|Emmy, seus filhos e o coronel encontram Becky, Lady Crawley, em um dos estandes de caridade dela nas Fancy Fairs.